A OceanPact (OPCT3) comunicou nesta terça-feira (3) que as controladas norueguesas CBO NW1 AS e CBO NW7 AS assinaram memorandos de entendimento para vender as embarcações CBO Energy e CBO Wiser a um grupo estrangeiro do setor de apoio marítimo offshore. Cada navio foi negociado por US$ 43 milhões, somando US$ 86 milhões, e a ação reagiu: por volta das 15h25, o papel marcava R$ 9,47, alta de 5,46%.

O caixa líquido estimado supera com folga o que já estava nos modelos. O Bradesco BBI projeta entrada de aproximadamente R$ 430 milhões, contra R$ 220 milhões considerados em suas contas — um excedente de cerca de R$ 207 milhões, equivalente a R$ 0,44 por ação e a 5% do valor de mercado da companhia.

A dimensão desse excedente ajuda a ler a reação do pregão. A valorização de 5,46% na sessão ficou próxima dos 5% de valor estimado por ação, o que pode indicar que o mercado absorveu rapidamente a maior parte do ganho calculado pela casa.

Sinal de 10% e fechamento previsto para 18 de dezembro

ItemCondição
Preço por embarcaçãoUS$ 43 milhões
Valor totalUS$ 86 milhões
Sinal10%, em até 10 dias úteis após a assinatura
Conclusão prevista18 de dezembro de 2026

Do montante total, 10% são pagos como sinal em até 10 dias úteis a partir da assinatura; o saldo fica para o fechamento, com data-alvo em 18 de dezembro de 2026. A operação ainda depende de condições precedentes habituais: aprovações societárias das duas pontas, o aval do cliente da CBO Wiser — que tem contrato vigente — e outras autorizações previstas nos MOAs, os contratos de compra e venda (memorandum of agreement) que formalizam o negócio.

O caso da CBO Wiser exige uma etapa adicional. Antes de mudar de dono, o navio será afretado a casco nu — modelo em que a embarcação é alugada sem tripulação, combustível e seguros — à Companhia Brasileira de Offshore (CBO), subsidiária integral da OceanPact, pelo tempo que resta do contrato em vigor. A CBO continua operando o navio para o mesmo cliente, sem alteração nas condições contratuais.

Preço equivalente a 90% de um PSV novo

Os analistas do Bradesco BBI destacam o preço obtido: perto de 90% do valor de um PSV zero-quilômetro — platform supply vessel, o navio que leva insumos às plataformas —, mesmo com os dois ativos tendo aproximadamente cinco anos de uso. A casa classifica o negócio como transação extremamente favorável e avalia que os recursos reforçam a política de alocação de capital voltada à distribuição aos acionistas.

Imposto efetivo menor e dividend yield de 12% na projeção do Itaú BBA

O Itaú BBA espera que a alíquota efetiva de imposto sobre a transação fique abaixo da legal. A explicação está na depreciação acelerada adotada pela CBO e no estoque de prejuízos fiscais acumulados, combinação que reduz a mordida do Fisco e amplia o caixa disponível para proventos. Na estimativa da casa, o dividend yield — proventos divididos pelo preço da ação — alcança 12% em 2026, num cenário de payout de 100% do lucro líquido.

Bandeira estrangeira: tonelagem brasileira segue intacta

Os dois navios navegam sob bandeira estrangeira, apesar da idade baixa. Por isso, a venda não diminui a tonelagem da frota da OceanPact registrada sob bandeira brasileira.

A referência é ao mercado de OSVs — offshore support vessels, as embarcações que atendem a indústria offshore —, segmento em que a oferta adicional de navios poderia pressionar as taxas de afretamento. Como as duas unidades vão operar longe da costa brasileira, esse efeito não aparece no curto prazo, mas também não há alívio de capacidade doméstica a ser contabilizado.

O que sobra para o acionista depois das condições precedentes

Enquanto os avais não forem cumpridos, o negócio permanece como caixa a receber. Até 18 de dezembro de 2026, o único fluxo com prazo definido são os 10% do sinal. A companhia enquadra a venda na gestão ativa da frota e na alocação eficiente de capital, lógica que, confirmada, tende a concentrar o retorno ao acionista na forma de proventos, e não em novos ativos.

O que muda para quem acompanha o papel é a previsibilidade: preço acima do que estava no modelo e imposto menor ampliam o caixa distribuível, mas dependem de um fechamento que ainda tem aval de cliente e aprovações societárias pela frente. A venda também não reduz a exposição da companhia ao cliente da CBO Wiser, já que o contrato segue com a mesma contraparte e as mesmas condições.