A Petrobras (PETR3/PETR4) divulgou na noite desta segunda-feira, 28 de julho de 2026, o Relatório de Produção e Vendas do segundo trimestre (2T26), entregando um balanço operacional marcado por novos recordes e ganhos de eficiência. A estatal atingiu uma produção total própria de 3,34 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boed), um avanço de 14,1% na comparação anual. O salto foi impulsionado pela entrada antecipada do FPSO P-79 no campo de Búzios, pela otimização de ativos maduros e por uma gestão logística que reduziu em 55,2% a necessidade de importação de derivados em relação ao ano passado, ampliando significativamente o saldo exportador.
Pré-sal em alta: Búzios e eficiência operacional lideram crescimento
A produção do pré-sal no Brasil consolidou-se como o principal motor do desempenho da companhia. Apenas no campo de Búzios, a produção média ultrapassou 1,2 milhão de barris por dia (bpd) em junho, um patamar alcançado em tempo recorde (8,2 anos desde o início comercial, superando o campo de Tupi). A chegada do FPSO P-79, com três meses de antecedência frente ao plano original e capacidade de 180 mil bpd, elevou a capacidade instalada de Búzios para cerca de 1,33 MM bpd.
Além de Búzios, a produção média de Mero sustentou-se em cerca de 740 mil bpd com alto índice de eficiência, enquanto a Bacia de Campos reverteu sua tendência de queda histórica, entregando a segunda maior produção de óleo desde o 4T23. No total, a Petrobras interligou 20 novos poços (produtores e injetores), responsáveis por 72% do aumento trimestral da produção.
Refino e Logística: Recorde de utilização e expansão das exportações
O parque de refino da companhia operou com Fator de Utilização Total (FUT) de 101,2%, superando o recorde anterior de 2014. Essa alta taxa permitiu produzir 1,918 milhão de bpd de derivados, com destaques absolutos na fabricação de Diesel S-10 (509 mil bpd) e Querosene de Aviação (QAV - 109 mil bpd), ambos volumes recordes trimestrais.
A maior oferta interna de combustíveis, combinada com a gestão eficiente de estoques, resultou na menor importação de derivados desde a pandemia e na queda de 43,3% nas importações de petróleo bruto. Por outro lado, as exportações de petróleo, derivados e outros produtos saltaram 41,1% ano a ano, atingindo 1,23 milhão de bpd. A empresa diversificou sua carteira internacional, conquistando novos clientes e realizando vendas estratégicas para Europa e Ásia.
- Exportações líquidas: +26,2% na comparação trimestral, atingindo 1,075 MM bpd.
- Importações de diesel: -63,3% ante o 1T26.
- Novos refinadores: Formosa (Taiwan), OQ Trading (Omã), Orlen (Polônia), Preem (Suécia) e Sasol (África do Sul).
Gás, Transição Energética e Sustentabilidade
No segmento de Gás & Energias de Baixo Carbono, a Petrobras avançou em projetos de combustíveis sustentáveis. A REDUC certificou comercializações de Combustível Sustentável de Aviação (SAF), enquanto a REFAP testou com sucesso a produção de diesel com até 1% de óleo vegetal. A empresa também aprovou o investimento final (FID) para a planta HEFA na RPBC, com capacidade de 15 mil bpd de componentes de mistura, prevista para iniciar em 2030.
Em parceria com o BNDES, a estatal firmou contratos no ProFloresta + para comprar 5 milhões de créditos de carbono, viabilizando o plantio de 25 milhões de árvores nativas na Amazônia. Para mitigar a volatilidade internacional, foi criado um mecanismo de bandas de preço atrelado ao Brent para a comercialização de gás natural, protegendo clientes de picos abruptos e mantendo a competitividade no mercado doméstico.
O que muda para investidores
Os indicadores operacionais do 2T26 sinalizam melhoria na geração de caixa livre e maior resiliência logística para a Petrobras (PETR3/PETR4). A redução drástica nas importações de diesel e petróleo diminui a exposição cambial e melhora as margens de refino, enquanto a antecipação de projetos como o P-79 otimiza o cronograma de Capex e acelera o retorno sobre o capital investido (ROIC). A diversificação de mercados de exportação e o avanço em certificações de baixo carbono reforçam a tese de valor a longo prazo, mitigando riscos de transição energética e atendendo a critérios ESG cada vez mais exigidos por fundos internacionais.
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