A Raia Drogasil (RADL3) divulgou em 4 de novembro os números do terceiro trimestre de 2026, com lucro líquido ajustado de R$ 439 milhões, avanço de 9,2% sobre igual intervalo do ano anterior. A receita bruta alcançou R$ 13,2 bilhões, com acréscimo de R$ 1,8 bilhão e alta de 16,0% na base anual, e a rede encerrou setembro com 3.770 unidades — 92 abertas e 9 encerradas nos três meses.

O contraste entre essas duas primeiras linhas define o trimestre. As vendas cresceram em ritmo superior ao do lucro, e a margem líquida ajustada de 3,3% ficou 0,2 ponto percentual abaixo da registrada um ano antes. Expansão acelerada de pontos de venda tende a produzir exatamente esse desenho: a base nova soma despesa e capital de giro antes de maturar em resultado.

De 9,2% a 20,1%: o efeito 4Bio muda o retrato do lucro

Como se trata a venda da 4Bio altera o diagnóstico. O número principal carrega os efeitos da operação; retirados eles, o lucro líquido ajustado teria subido 20,1% e a margem, em vez de perder 0,2 ponto, teria ganhado 0,1 ponto percentual. Na leitura bruta, a companhia cresce menos; na comparação limpa, a rentabilidade segue em expansão — e é essa a base que tende a orientar a discussão sobre a sustentação das margens nos próximos trimestres.

Lojas maduras e canais digitais puxam o faturamento

Dois indicadores explicam de onde vem o volume. O primeiro é o MSSS, sigla para vendas em lojas maduras — aquelas abertas há tempo suficiente para não distorcer a comparação —, que marcou 8,4%, 5,6 pontos percentuais acima do reajuste anual definido pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). Um desempenho acima do reajuste de preços autorizado tende a indicar ganho de volume ou de mix, não apenas repasse de preços ao consumidor.

O segundo vem do ambiente digital: R$ 3,8 bilhões em vendas, alta de 27,2%, com penetração de 29,4% no varejo. A empresa também informou a adoção de uma política comercial omnicanal unificada para os produtos da categoria GLP-1, classe de medicamentos usada no tratamento de diabetes e obesidade. Na participação de mercado, a fatia nacional subiu 1,1 ponto, para 19,1%, com ganhos em todas as regiões do país.

A base de relacionamento sustenta o tráfego: 53 milhões de clientes ativos nos últimos 12 meses e 119 milhões de atendimentos no trimestre, com NPS de 91 — indicador de satisfação que mede a propensão do cliente a recomendar a marca.

Expansão de 333 lojas com alavancagem em 0,8 vez

Nos últimos 12 meses foram 333 aberturas, dentro do guidance de 330 a 350 unidades para 2026 — guidance é a projeção que a própria companhia publica e se compromete a perseguir. Cada loja nova consome obra, estoque e capital de giro antes de gerar retorno, e o efeito aparece no caixa: o fluxo de caixa livre somou R$ 160 milhões no trimestre, enquanto a geração total de caixa, já incluindo os efeitos da 4Bio, ficou em R$ 57 milhões.

O que dá lastro ao plano é o balanço. A alavancagem medida pela dívida líquida sobre o Ebitda caiu 0,3 vez, para 0,8 vez, o que indica espaço para manter o ritmo de inaugurações sem depender de endividamento crescente.

Lair de R$ 548 milhões: o ganho que parou antes do lucro

O Ebitda ajustado — lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização — somou R$ 1,0 bilhão, alta de 14,7%, com margem de 7,8%, 0,1 ponto menor. Já o Lair ajustado, o lucro antes de impostos, chegou a R$ 548 milhões, salto de 31,0%, com margem de 4,2%, meio ponto acima. O avanço bem mais forte antes dos tributos do que na última linha indica que a etapa seguinte do demonstrativo, que reúne resultado financeiro e impostos, absorveu parte do ganho.

Indicador3T26Variação anual
Receita brutaR$ 13,2 bi+16,0%
Lucro líquido ajustadoR$ 439 mi+9,2%
Margem líquida ajustada3,3%-0,2 p.p.
Ebitda ajustadoR$ 1,0 bi+14,7%
Margem Ebitda ajustada7,8%-0,1 p.p.
Lair ajustadoR$ 548 mi+31,0%
Fluxo de caixa livreR$ 160 mi—
Dívida líquida/Ebitda0,8 vez-0,3 vez

O que fica na agenda até 7 de dezembro

Em 7 de dezembro, a companhia realiza o RD Saúde Day, no Campus RD Saúde, em São Paulo, para apresentar os próximos passos da trajetória. É o primeiro encontro com investidores após o balanço e a ocasião em que a administração tende a detalhar como pretende conciliar abertura de lojas, ganho de participação e conversão de caixa.