Raízen e Petrobras: o que o acordo de R$ 22,4 bi e o recorde mudam
A Raízen (RAIZ4) firmou com a Receita Federal e a PGFN um acerto de R$ 22,4 bilhões em dívidas tributárias, enquanto a produção brasileira de petróleo da Petrobras (PETR3; PETR4) somou 2,83 milhões de barris/dia no terceiro trimestre, avanço de 12,4% na base anual. Os dois anúncios abrem uma quinta-feira (29) carregada de balanços trimestrais e movimentos societários na B3.
São eventos de naturezas distintas: um mexe no estoque de obrigações da Raízen, o outro confirma volume operacional da petrolífera. Quem tem posição nos dois papéis precisa separar o que altera caixa do que apenas ajusta a base contábil — e a agenda abaixo segue essa divisão.
Raízen: R$ 16,7 bilhões sob responsabilidade da companhia
Do montante negociado, R$ 16,7 bilhões ficam com a Raízen e R$ 5,7 bilhões aparecem atribuídos aos controladores Cosan (CSAN3) e Shell. Um acerto dessa dimensão tende a reduzir a incerteza sobre desembolsos futuros, mas o efeito real no caixa depende do calendário de pagamentos — ponto que o fato relevante não detalha. Para o acionista, a diferença entre dívida equacionada e dívida paga é o que separa alívio de curto prazo de melhora efetiva na alavancagem.
Ambev: lucro de R$ 4,37 bilhões supera consenso mesmo em queda
A Ambev (ABEV3) apurou ganho líquido de R$ 4,37 bilhões no 3T26, abaixo dos R$ 4,863 bilhões de um ano antes — recuo de 10,2%. O número, divulgado na madrugada, ficou acima da projeção de R$ 3,9 bilhões dos analistas consultados pela IBES. O contraste entre a base anual negativa e o desempenho superior ao consenso costuma ser o vetor da reação a resultados de consumo.
Intelbras (INTB3) lucrou R$ 177 milhões, avanço de 19,7%, enquanto a Motiva (MOTV3) reportou lucro líquido ajustado de R$ 750 milhões, crescimento de 9,8%. Na Motiva, o conselho ganhou André Brandão como membro efetivo e independente, mandato até a próxima assembleia, no lugar de Eduardo Bunker Gentil, que saiu em julho de 2026.
HBR paga R$ 2,73 por ação e Helbor deixa a Bolsa
A HBR Realty (HBRE3) comprou 111,3 milhões de papéis ordinários da Helbor (HBOR3), o equivalente a 83,16% do capital, a R$ 2,73 por ação, quitando a conta com 90,8 milhões de ações próprias. Minoritários que permanecerem passam a acompanhar o desempenho da compradora, e a Helbor sai do pregão — transição que historicamente pede leitura atenta de prazos e condições de troca.
Dexco: baixa de R$ 190 milhões no Ebitda do 3T26
A Dexco (DXCO3) projeta efeito negativo de cerca de R$ 190 milhões no Ebitda do 3T26, por baixas contábeis não recorrentes ligadas à reestruturação industrial. Desse total, R$ 172 milhões vêm de Metais e Louças, R$ 8 milhões do encerramento da fábrica de cerâmica em Urussanga (SC) e R$ 10 milhões de ajustes de portfólio e ativos não operacionais. Não há impacto no caixa; os números ainda dependem de Comitê de Auditoria, Conselho Fiscal e auditoria externa — etapa que pode alterar o valor final.
Oncoclínicas recua da AGE após liminar sobre OPA
A Oncoclínicas (ONCO3) desmarcou a AGE que ocorreria em 3 de novembro, depois de a Justiça suspender temporariamente a exigência da OPA prevista no estatuto. Para quem detém ONCO3, o tema é central: a oferta é o mecanismo que definiria preço e condições de saída em uma eventual troca de controle, e sua suspensão alonga o período de indefinição sobre o valor de referência do papel.
Renner, Cyrela e BB: participações e troca de comando
A ARGA Investment Management comunicou posição de 54,1 milhões de papéis ON da Lojas Renner (LREN3), cerca de 5,37% dessa classe, com data de 27 de outubro. Na Cyrela (CYRE3), a Kapitalo Investimentos cortou a fatia para abaixo de 5% das preferenciais, em comunicação recebida também em 27 de outubro. No Banco do Brasil (BBAS3), Carla Nesi entregou o posto de VP de Negócios de Varejo nesta quinta (29); Francisco Augusto Lassalvia, da vice-presidência de Atacado, acumula as funções até o conselho eleger o substituto.
Na Neoenergia, o contrato prevê a venda de 25% da Brasil Hidro Participações à Dardanelos Itaú Asset, veículo ligado a fundos da Itaú Asset Management, por R$ 93,5 milhões, com correção até a conclusão. A Sanepar (SAPR11) viu o Consórcio Águas do Paraná ficar em primeiro na concorrência do sistema de abastecimento do Norte do Paraná, com desconto de 3% e aluguel mensal de R$ 9,03 milhões, em contrato de 20 anos e seis meses.
O placar do dia em uma tabela
| Empresa | Ticker | Dado do dia | Valor |
|---|---|---|---|
| Petrobras | PETR3; PETR4 | Produção no 3T | 2,83 mi barris/dia (+12,4%) |
| Raízen | RAIZ4 | Acordo tributário total | R$ 22,4 bi |
| Ambev | ABEV3 | Lucro líquido no 3T26 | R$ 4,37 bi (-10,2%) |
| HBR Realty | HBRE3 | Preço por ação da Helbor | R$ 2,73 (83,16%) |
| Dexco | DXCO3 | Impacto no Ebitda do 3T26 | R$ 190 mi |
| Neoenergia | — | Venda de 25% da Brasil Hidro | R$ 93,5 mi |
O que observar até o fechamento
A Vale (VALE3) apresenta o balanço depois do fechamento do pregão, e a leitura tende a dominar a virada da sessão. Na quarta (28), a Casas Bahia (BHIA3), em recuperação judicial, informou a saída de Raphael Oscar Klein do conselho de administração. A Elfa Medicamentos entrou com pedido de tutela de urgência cautelar para manter a regularidade das operações e criar espaço de negociação com credores.
O fio comum entre os comunicados é a recomposição de passivos e de bases acionárias: acordo tributário na Raízen, baixa contábil na Dexco, troca de controle na Helbor e disputa judicial na Oncoclínicas. Em conjunto, pautas desse tipo costumam pesar mais sobre o prêmio de risco exigido pelo mercado do que sobre o resultado operacional do trimestre.
