Revolut encerra compra de cripto no Brasil e vai liquidar saldos remanescentes em 25 de novembro

A Revolut parou de aceitar novas compras de Bitcoin e de outros criptoativos de clientes brasileiros em 21 de outubro e vai zerar as posições que restarem em 25 de novembro, com conversão em dólares na conta internacional do usuário. A medida é a resposta da fintech ao novo regime de autorização do Banco Central para o mercado de ativos digitais, cuja primeira leva de pedidos vence em 30 de outubro.

O calendário definido pela fintech

Os clientes já foram avisados sobre o processo. Até 24 de novembro, quem mantém cripto na plataforma pode vender o que quiser por decisão própria. A partir do dia seguinte, a Revolut executa a venda do que sobrou pelo preço de mercado vigente, sem pedir nova confirmação ao titular.

DataEtapa do encerramento
21 de outubroFim das compras de criptomoedas
30 de outubroPrazo do Banco Central para a primeira fase de pedidos de autorização
24 de novembroÚltimo dia para o cliente vender por conta própria
25 de novembroVenda automática dos saldos restantes, com crédito em dólares

A liquidação automática é o ponto mais sensível do processo: o investidor deixa de escolher quando sair. Se o mercado estiver em queda na data, a posição será encerrada mesmo assim, e o preço obtido será o do momento — não o de uma janela que o cliente considere mais favorável.

Por que a oferta atual foi suspensa

O serviço de cripto da Revolut no Brasil funcionava dentro da plataforma multimoedas, estrutura que, segundo a empresa, exigiria ajustes para seguir operando sob as novas exigências do Banco Central. Por isso, a fintech decidiu priorizar outras frentes do seu portfólio local enquanto mede o custo de reabrir essa linha de negócio.

O recuo contraria o plano apresentado em setembro. Naquele mês, a companhia informou aos clientes que pretendia migrar as contas para uma SPSAV — Sociedade Prestadora de Serviços de Ativos Virtuais, figura que o regulador passou a exigir de quem intermedeia cripto no país. Até então, a custódia e a negociação ficavam com a Revolut Technologies Singapore, sediada em Singapura e supervisionada pela autoridade monetária local. Os novos termos divulgados previam que as operações passariam a ser liquidadas em reais, e não mais em moedas estrangeiras da conta global.

As regras que motivaram a mudança vieram em novembro de 2025, com as Resoluções BCB nº 519, 520 e 521. Elas cobrem governança, controles internos e capital mínimo, além de custódia, prevenção à lavagem de dinheiro e segurança cibernética — barreiras que estreitam o cerco a estruturas montadas fora do país.

A Revolut não informou prazo para voltar a oferecer cripto aos brasileiros. A empresa afirma manter compromisso com o mercado local e interesse em retomar o serviço quando o desenho regulatório estiver equacionado.

O que segue funcionando no Brasil

A saída é parcial. A fintech mantém a conta multimoedas, os serviços de pagamento e as transferências internacionais, áreas em que atua no país desde 2023. A operação global de ativos digitais também não é afetada: o grupo tem exchange própria e licenças em diferentes jurisdições.

Nesta segunda-feira (19), a Revolut anunciou autorização para prestar serviços de ativos digitais em Gibraltar, território britânico com regramento próprio para empresas de blockchain. A licença será usada por uma nova empresa do grupo e se soma às operações que a fintech já mantém no Reino Unido e na União Europeia.

Um setor em rearranjo

O caso da Revolut não é isolado. Coinext, NovaDAX e Digitra.com comunicaram o encerramento das atividades no Brasil. Na direção oposta, Bybit e OKX confirmaram pedido de autorização para permanecer no país. O desenho que emerge é de menos participantes e de estruturas locais mais exigentes em capital e governança.

O que isso significa para o investidor

O prazo de 24 de novembro é a última chance de o cliente decidir sozinho o destino dos ativos. Depois disso, a escolha passa para o sistema. Convém conferir extratos, taxas de conversão e o câmbio usado no crédito em dólar, porque a conversão de cripto para moeda estrangeira embute custos que nem sempre aparecem de forma explícita.

Outro ponto é a custódia. Com a redução do número de intermediários, o investidor brasileiro passa a lidar com menos opções de plataformas reguladas localmente, e a comparação de spread, liquidez e segurança entre as que restarem ganha peso na decisão de onde manter posições.

A leitura mais ampla: o Banco Central está transformando cripto em atividade licenciada, com exigências próximas às do mercado financeiro tradicional. Quem opera nesse mercado deve acompanhar as listas de empresas autorizadas e checar se o intermediário tem estrutura local ou apenas um braço no exterior.