Principais pontos
- A meta da Salesforce é expandir esse indicador em 14%, ultrapassando a expectativa média dos analistas, que era de alta de 13%.
- A leitura para quem acompanha o setor de tecnologia é que a demanda por ferramentas corporativas, impulsionada pela IA, está blindando o pipeline de vendas da gigante de CRM
- A capacidade de converter a hype tecnológica em RPO em expansão tende a ser o principal filtro de sobrevivência e lucratividade para as empresas de software nos próximos trimestres.
A Salesforce projetou receita de US$ 11,5 bilhões para o terceiro trimestre fiscal, superando as expectativas de Wall Street e sinalizando que a corrida pela inteligência artificial está começando a se traduzir em contratos concretos. O movimento, que impulsionou as ações da empresa em 7% no after-market, esconde um indicador ainda mais relevante para o investidor: a aceleração do backlog da companhia.
O número que valida a aposta em IA
Mais do que a receita projetada, o mercado financeiro observou o crescimento das obrigações de desempenho remanescentes (RPO, na sigla em inglês), um termômetro que mede as receitas futuras já contratadas mas ainda não reconhecidas. A meta da Salesforce é expandir esse indicador em 14%, ultrapassando a expectativa média dos analistas, que era de alta de 13%. Segundo a diretora financeira e de operações, Robin Washington, o volume líquido de pedidos atingiu o maior nível em quatro anos. A leitura para quem acompanha o setor de tecnologia é que a demanda por ferramentas corporativas, impulsionada pela IA, está blindando o pipeline de vendas da gigante de CRM (Customer Relationship Management, ou gestão de relacionamento com o cliente).
| Indicador | Projeção / Valor |
|---|---|
| Receita 3º Trimestre Fiscal | US$ 11,5 bilhões |
| Crescimento do RPO | 14% |
| Aquisição da Fin (Junho) | US$ 3,6 bilhões |
A engrenagem do Agentforce e aquisições
A pressão por resultados na era da IA levou a companhia a desenvolver o Agentforce, uma ferramenta voltada para a automação de tarefas, como o atendimento ao cliente, sem a necessidade de supervisão humana. Para turbinar essa capacidade, a empresa já havia anunciado, em junho, a compra da startup de inteligência artificial Fin por US$ 3,6 bilhões.
Essa operação busca não apenas ampliar o portfólio de soluções, mas também criar barreiras de entrada contra concorrentes diretos, como a Sierra — startup fundada por Bret Taylor, ex-copresidente-executivo da própria Salesforce e atual presidente da OpenAI.
Reação do mercado e trajetória recente
O anúncio feito nesta quarta-feira alterou a dinâmica dos papéis no pregão americano. Após encerrarem o dia regular a US$ 205,62, as ações dispararam no after-market. O movimento de alta não é isolado: mesmo após um período de correção no início do ano, os papéis já acumulavam valorização de 26% no último mês até o fechamento.
Para o investidor brasileiro que possui exposição a ativos internacionais ou fundos de tecnologia, o recado de Wall Street é claro: a narrativa de inteligência artificial deixou de ser apenas um catalisador de múltiplos para se tornar um gerador de backlog. A capacidade de converter a hype tecnológica em RPO em expansão tende a ser o principal filtro de sobrevivência e lucratividade para as empresas de software nos próximos trimestres.