A Sabesp (SBSP3) fechou o terceiro trimestre com R$ 1,107 bilhão de lucro ajustado, e esse número traz queda de 13,8% na comparação com o mesmo intervalo de 2025. Os números saíram na noite de quinta-feira (5), e no pregão seguinte os papéis passaram a subir: por volta das 14h30, avançavam 1,69%, cotados a R$ 26,72.
O contraste está no próprio balanço. Enquanto o lucro recuou, o Ebitda ajustado, indicador que mede a geração operacional de caixa antes de juros, impostos, depreciação e amortização, chegou a R$ 3,64 bilhões, com alta de 14%. A discussão, portanto, deixa de ser se a operação melhorou e passa a girar em torno de onde foi parar a diferença e de quanto da expansão de investimentos a companhia consegue executar até o fim do ano.
Ebitda em alta: custos recorrentes sustentam a leitura do Itaú BBA
Para o Itaú BBA, a composição do resultado pesou mais do que o total. Segundo o banco, a melhora veio da boa execução de despesas operacionais recorrentes, e não de itens pontuais, o que levou a casa a classificar a demonstração como tranquilizadora. Também chamou atenção a rubrica de serviços, que ficou abaixo do previsto mesmo com premissas de custo que já eram otimistas.
Receitas e custos frente às projeções dos bancos
O maior desvio do Itaú BBA apareceu nas receitas, com diferença negativa de cerca de R$ 150 milhões frente às estimativas do banco. Essa folga foi mais que absorvida pelos custos, que terminaram cerca de R$ 110 milhões abaixo da previsão, também otimista, da mesma instituição.
O Bradesco BBI seguiu linha parecida. Para a casa, receitas levemente inferiores ao esperado foram neutralizadas por despesas de PMSO, sigla para pessoal, material, serviços de terceiros e outras despesas operacionais, que ficaram abaixo do estimado. Ao fim do trimestre, pessoal e serviços recuaram 9% em relação a igual período do ano anterior.
Já o Goldman Sachs destacou que o resultado veio mesmo com cerca de R$ 110 milhões gastos, do lado das despesas, em iniciativas do plano comercial no trimestre. Pela leitura do banco, as ações de transformação operacional ajudaram a sustentar a melhora, e seus efeitos seguem aparecendo nas divulgações da companhia.
Na linha de provisões, o volume maior destinado a devedores duvidosos, isto é, reservas feitas para cobrir clientes inadimplentes, foi compensado por gastos menores com insumos usados no tratamento de água e esgoto.
Capex de R$ 4,5 bilhões e a pressão concentrada no fim do ano
O Itaú BBA apontou o capex como principal item a acompanhar. Os aportes em capex, ou seja, despesas destinadas a ativos fixos de longo prazo, chegaram a R$ 4,5 bilhões no trimestre, alta de 21% sobre o trimestre anterior, e somam R$ 12 bilhões até agora.
Para o banco, a execução tende a se concentrar no quarto trimestre. Sua estimativa indica que a Sabesp precisaria aplicar perto de R$ 6 bilhões apenas nesse período para chegar a pelo menos R$ 18 bilhões no ano.
O Bradesco BBI reconheceu que o avanço trimestral é difícil de projetar, já que, historicamente, os investimentos ganham mais força no último trimestre de cada ano. De acordo com as análises citadas, a maioria dos bancos viu os resultados abaixo das estimativas, mas, para o BBI, o desempenho inferior ao esperado precisa ser lido à luz da sazonalidade, que é difícil de modelar.
Lucro menor, Ebitda maior: onde a diferença aparece e o que observar
O cruzamento dos números sugere que a queda do lucro, com Ebitda em alta, tende a ter origem em itens posicionados abaixo do Ebitda, como depreciação, juros e impostos. Os dados divulgados até aqui, porém, não detalham esses componentes, e a confirmação depende de mais informações sobre a formação do lucro.
No caixa operacional, o ponto de atenção é o capex. Se a execução ficar concentrada no fim do ano, como projeta o Itaú BBA, a leitura do quarto trimestre tende a depender mais do ritmo das obras do que do comportamento dos custos, já que os aportes precisariam sair de R$ 4,5 bilhões para perto de R$ 6 bilhões.
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Lucro líquido ajustado (3º tri) | R$ 1,107 bilhão (queda de 13,8%) |
| Ebitda ajustado (3º tri) | R$ 3,64 bilhões (alta de 14%) |
| Investimentos no trimestre | R$ 4,5 bilhões (alta de 21% sobre o tri anterior) |
| Investimentos acumulados no ano | R$ 12 bilhões |
| Aporte necessário no 4º tri (estimativa do Itaú BBA) | cerca de R$ 6 bilhões |
| Cotação por volta das 14h30 | R$ 26,72 (alta de 1,69%) |
Os próximos balanços tendem a mostrar se o Ebitda mantém o ritmo sem depender de itens pontuais e se os aportes se aproximam do patamar que os bancos indicam.
