A Meanwhile, seguradora de vida licenciada para operar integralmente com Bitcoin e com sede nas Bermudas, captou US$ 37,5 milhões em uma nova rodada com investidores que já integravam sua base acionária. O aporte eleva a captação acumulada da companhia — que tem Sam Altman, CEO da OpenAI, entre seus apoiadores — para mais de US$ 180 milhões. A liderança da operação ficou com a Bain Capital Crypto.

Quem assinou o cheque

Além da Bain Capital Crypto, que liderou, participaram Haun Ventures, Framework Ventures, Pantera Capital, Apollo, Northwestern Mutual Future Ventures e Morgan Creek Digital. A confirmação veio por meio de comunicado divulgado na quinta-feira.

ItemDetalhe
Aporte anunciadoUS$ 37,5 milhões
Captação acumuladaMais de US$ 180 milhões
Investidor líderBain Capital Crypto
Demais participantesHaun Ventures, Framework Ventures, Pantera Capital, Apollo, Northwestern Mutual Future Ventures, Morgan Creek Digital
SedeBermudas

Demanda internacional sustenta a rodada

Segundo o comunicado, o novo aporte responde ao avanço da procura por essas apólices fora dos Estados Unidos, com destaque para Ásia, Europa e Oriente Médio, em um ambiente de instabilidade macroeconômica mais ampla.

Zac Townsend, cofundador e CEO da Meanwhile, afirmou no comunicado que famílias de grande patrimônio em vários países já carregam Bitcoin, mas não dispunham de um veículo regulado para transmiti-lo à próxima geração. Ele acrescentou que a aproximação partiu dos corretores, cobrados por clientes que voltavam sempre ao mesmo tema, e que o capital novo permite à companhia acompanhar esse fluxo.

Dois produtos, dois públicos

A BTC Life 1-Pay chegou ao mercado no início de 2026: apólice de vida inteira com prêmio quitado em pagamento único, desenhada para investidores de grande patrimônio que não residem nos EUA. É o segundo produto da casa, depois da BTC 10-Pay, voltada a quem declara imposto nos Estados Unidos.

A titularidade pode ficar em nome de pessoas físicas, trusts — estruturas jurídicas de administração de bens — ou empresas, arranjo que a companhia apresenta como adequado a planejamento patrimonial e sucessório.

No lado operacional, a empresa sustenta que o resultado de subscrição de prazo longo, medido pela receita líquida, já superou todo o ano anterior e deve mais que dobrar em 2026. Valores exatos não foram revelados.

O que muda para o investidor brasileiro

Apólices atreladas a Bitcoin ampliam o cardápio de quem quer exposição ao ativo sem passar pela compra direta, por fundos ou por ETFs negociados na B3. A diferença estrutural é que o cliente não adquire Bitcoin: ele firma um contrato de décadas com uma seguradora, e a capacidade de honrar esse compromisso depende da saúde financeira da emissora e do marco regulatório da jurisdição em que ela opera — no caso, as Bermudas.

Três pontos merecem atenção. O primeiro é liquidez: apólices com prêmio único e cobertura vitalícia não têm a portabilidade de um ETF. O segundo é o descasamento de prazos — o passivo se alonga por décadas, enquanto o ativo que dá lastro à operação pode oscilar com força em poucos meses. O terceiro é o combinado cambial e tributário, já que o produto foi pensado para residentes fora dos EUA e exige leitura da legislação do país do contratante.

O movimento não é isolado. A corretora global WTW comprou a plataforma Redefind e lançou um serviço de proteção de ativos digitais que cobre apuração forense, rastreamento de ativos e medidas judiciais de recuperação em episódios de roubo ou extravio. A Redefind permite a pessoas físicas e instituições contratar cobertura para criptoativos guardados sob distintos modelos de custódia, usando comprovação criptográfica da titularidade para validar o que está segurado.

Para quem investe a partir do Brasil, o desdobramento a monitorar é se esse tipo de apólice ganha escala entre gestoras e family offices — escritórios dedicados a administrar fortunas familiares. Se isso ocorrer, o debate deixa de girar apenas em torno da valorização do Bitcoin e passa a incluir transmissão de patrimônio entre gerações, tema que, por aqui, envolve inventário, sucessão e tributação.