As ações da BB Seguridade (BBSE3) fecharam o pregão em queda de 2,55%, a R$ 39,82, depois que os dados de julho da Susep mostraram retração de 24% na emissão de prêmios da companhia na comparação anual, para R$ 1,09 bilhão. Entre as três grandes seguradoras ligadas a bancos, ela foi a que mais se afastou do avanço de 5% registrado pelo setor — a Caixa Seguridade (CXSE3) cresceu 3% e a Bradesco Seguros recuou 3%, segundo análise do Itaú BBA.
Duas frentes sustentam a cautela reforçada pelo Itaú BBA. A primeira é o lucro líquido de julho da BB Seguridade, 19% menor na comparação anual, em parte por resultados financeiros mais fracos da BrasilPrev. A segunda é o recuo de 40% nos prêmios do seguro rural, que, para analistas do Citi, sinaliza demanda mais fraca depois do novo Plano Safra.
O retrato de julho nas três seguradoras
| Companhia | Prêmios emitidos | Variação anual | Sinistralidade |
|---|---|---|---|
| Caixa Seguridade | R$ 861 milhões | +3% | 24,3% (recuo de 3,6 p.p. ante junho) |
| BB Seguridade | R$ 1,09 bilhão | -24% | 24,6% (avanço de 4,1 p.p. ante junho) |
| Bradesco Seguros* | R$ 1,3 bilhão | -3% | 46,9% (melhora de 1,4 p.p. ante julho de 2025) |
*Prêmios excluem o segmento de saúde.
A sinistralidade mede a fatia da receita de prêmios consumida por indenizações; quanto menor, mais eficiente a operação. Na comparação mensal, Caixa e BB Seguridade andaram em direções opostas, e apenas a Bradesco Seguros melhorou o indicador no critério anual.
Seguro rural trava a BB Seguridade
Além do recuo de 40% na emissão rural, as principais linhas agrícolas caíram de forma disseminada: seguro agrícola -62%, penhor rural -43% e prestamista voltado ao setor agropecuário -29%. A sinistralidade piorou de junho para julho, avançando 4,1 pontos percentuais, para 24,6%, movimento explicado sobretudo pelo segmento rural.
Na previdência, a BrasilPrev voltou a registrar entrada líquida: captação de R$ 1,56 bilhão, revertendo a saída de junho, com reservas de R$ 503 bilhões, alta de 11% em 12 meses. O lucro líquido, porém, ficou em R$ 167 milhões, 40% abaixo do registrado um ano antes, sob pressão do resultado financeiro.
Caixa Seguridade cresce 3% e reduz sinistralidade
A Caixa Seguridade foi a única das três a avançar, com prêmios de R$ 861 milhões em julho, 3% acima do mesmo período do ano passado. O impulso veio de habitacional (+15%), automóveis (+33%) e residencial (+9%), enquanto o prestamista recuou 32% e o seguro de vida cedeu 4%. A sinistralidade caiu para 24,3%, 3,6 pontos percentuais abaixo de junho, com menos sinistros em prestamista, automóveis e vida. Na previdência, a captação líquida somou R$ 430 milhões e as reservas alcançaram R$ 217 bilhões, alta de 16% em 12 meses.
Bradesco Seguros: alívio no ano, pressão no mês
Os prêmios da Bradesco Seguros, excluindo saúde, somaram R$ 1,3 bilhão, 3% menos que um ano antes. Avanços em automóveis (+5%), habitacional (+10%) e empresarial (+9%) não compensaram os recuos de prestamista (-36%), vida (-8%) e residencial (-8%). A sinistralidade de 46,9% ficou 1,4 ponto percentual abaixo de julho de 2025, único resultado positivo entre as três nesse critério. Na margem, o indicador subiu 2,7 pontos percentuais ante junho, puxado por vida e empresariais. A previdência teve saída líquida de R$ 810 milhões, acima dos R$ 176 milhões de junho, e reservas de R$ 396 bilhões, 10% maiores em 12 meses.
Previdência: por que o fluxo importa além do prêmio
Caixa Seguridade e BrasilPrev atraíram recursos líquidos em julho, enquanto a operação da Bradesco Seguros seguiu no sentido oposto. Quando a emissão de prêmios desacelera, o resultado financeiro das carteiras de previdência tende a ganhar peso relativo no lucro das seguradoras ligadas a bancos — e foi nessa linha que a BB Seguridade sofreu o golpe mais visível do mês, com a BrasilPrev reportando lucro 40% menor mesmo com entrada de recursos.
Os números de julho abrem um trimestre que o levantamento do Itaú BBA classifica como de início misto. São uma fotografia mensal: a recuperação do seguro rural e a trajetória da sinistralidade nas três carteiras tendem a definir o tom dos próximos dados da Susep.
