A Simpar S.A. (B3: SIMH3) anunciou nesta quarta-feira, 23 de julho de 2026, a assinatura de contrato definitivo para a venda de 100% de sua participação na HSIM Participações e Holding Ltda., controladora do CS Porto Aratu (que abrange os terminais ATU12 e ATU18 Arrendatária Portuária SPE). A compradora é a ICTSI AMERICAS B.V., em uma transação avaliada em Enterprise Value (EV) de R$ 1,8 bilhão. O negócio consolida a estratégia da holding de transformar, escalar e monetizar ativos de infraestrutura com alta disciplina de capital, injetando caixa e validando seu modelo de alocação de recursos.

Estrutura de pagamento e condições

O Enterprise Value de R$ 1,8 bilhão reflete a soma do valor acionário e da dívida da operação. A estrutura financeira prevê um Equity Value (valor para o acionista) de R$ 750 milhões e Dívida Líquida de R$ 1 bilhão, calculada com base no balanço do primeiro trimestre de 2026. O pagamento da parte acionária seguirá duas etapas:

  • R$ 650 milhões pagos à vista na data de fechamento (closing);
  • R$ 100 milhões em earn-out (parcela ajustável condicionada a metas operacionais ou financeiras), a ser liquidada em até 18 meses após o fechamento.

A conclusão da transação depende do cumprimento de condições precedentes, com destaque para a aprovação antitruste pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) e a autorização formal do poder concedente portuário.

Transformação operacional e métricas de retorno

A venda encerra um ciclo de investimentos intensivos. A Simpar alocou R$ 900 milhões na modernização do CS Porto Aratu, sendo R$ 128 milhões em capital próprio. Esse aporte gerou um Múltiplo sobre o Capital Investido (MOIC) de 5,8x em um prazo médio de 3,6 anos, demonstrando a eficiência da alocação de recursos.

Em escala ampliada, o portfólio de infraestrutura sob gestão da Simpar (incluindo também Ciclus Rio e Ciclus Amazônia) acumula um EV combinado de R$ 3,9 bilhões. Os ativos registraram uma Taxa Interna de Retorno (TIR) média de 36% ao ano, performance que superou em 24 pontos percentuais (p.p.) o CDI e em 30 p.p. o Ibovespa no mesmo horizonte, com um MOIC agregado de 2,9x em 3,3 anos.

No plano operacional, a injeção de capital transformou um complexo obsoleto dos anos 70 em uma plataforma moderna, elevando a capacidade em 5x para 9,5 milhões de toneladas/ano. As melhorias incluem a construção integral do terminal ATU18, revitalização completa do ATU12, ampliação de armazenagem para 270 mil toneladas, dragagens estratégicas e aquisição de equipamentos de última geração. O porto se firmou como ativo logístico vital para o corredor do MATOPIBA, preparado para navios Panamax com viabilidade técnica de migração para o padrão Post-Panamax.

A Bradesco BBI atuou como assessor financeiro exclusivo da Simpar na estruturação da venda.

O que muda para investidores

Para o mercado acionário, a operação valida a tese de build-to-sell da controladora e reforça a expectativa de continuidade na geração de caixa extraordinária. O aporte de R$ 750 milhões em equity fortalece a posição líquida da Simpar, ampliando sua capacidade de reinvestimento em novos projetos, redução de endividamento ou retorno ao acionista via proventos e recompra de ações. Investidores devem monitorar o rito de aprovação do CADE e a materialização do earn-out, que podem influenciar o cronograma de recebimento e o impacto contábil nos resultados trimestrais. A disciplina comprovada na conversão de ativos subutilizados em plataformas de alta performance mantém a atratividade do papel (SIMH3) para investidores focados em infraestrutura privada com governança e retornos reais acima do custo de capital.

Disclaimer: O conteúdo apresentado é meramente informativo e não deve ser considerado como conselho de investimento. Ativo Virtual não se responsabiliza por decisões financeiras tomadas com base nestas informações.