Starknet coloca sob votação a saída da camada 2 da Ethereum

Os detentores do token de governança STRK — ativo que dá direito a voto nas decisões da rede — têm até 22 de outubro para responder se a Starknet deve estudar a hipótese de virar uma blockchain de camada 1 (L1) autônoma, com proteções voltadas à computação quântica. A consulta, divulgada em 15 de outubro, foi aberta numa quinta-feira, dura sete dias e não tem caráter vinculante: o placar orienta os próximos passos da rede, mas não autoriza mudanças por conta própria.

O que a Starknet põe em discussão não é uma migração imediata, e sim o quanto pretende depender do calendário de atualizações da Ethereum.

Três respostas possíveis e nenhum cronograma

Na cédula, os votantes escolhem entre apoiar pesquisas adicionais, rejeitá-las ou manter neutralidade até surgirem mais informações. Um Sim sinaliza aval aos estudos, sem destravar a transição de arquitetura: seriam necessárias novas propostas e outras rodadas de governança, e nenhum prazo para a rede deixar de ser L2 foi anunciado.

Item em votaçãoSituação
RedeStarknet, camada 2 da Ethereum
Token votanteSTRK
Inícioquinta-feira
Encerramento22 de outubro
Duração7 dias
CaráterNão vinculante
OpçõesApoiar pesquisa, rejeitar ou manter neutralidade
Efeito do SimSinaliza apoio a estudos, sem autorizar transição
Prazo para virar L1Não anunciado

A dependência que a StarkWare quer eliminar

A Starknet opera hoje como camada 2, rede construída sobre a Ethereum para processar transações com mais escala e custo menor. A StarkWare, desenvolvedora da Starknet, sustenta que a autonomia permitiria perseguir segurança resistente a ataques de computadores quânticos sem ficar refém da agenda de upgrades da Ethereum. Hoje a rede apoia-se na Ethereum para partes centrais de sua infraestrutura: a ponte, canal que transporta ativos entre redes diferentes, e a disponibilidade de dados, camada responsável por publicar e armazenar as informações das transações. As duas aparecem, segundo a desenvolvedora, entre as dependências ainda expostas ao risco quântico.

Para ele, o avanço nesse terreno tem sido mais devagar tanto na Ethereum quanto no Bitcoin.

Em 8 de outubro, o executivo e o perfil oficial da Starknet publicaram mensagens separadas no X sobre o tema e situaram 2027 como horizonte da iniciativa.

Roteiro em três fases e a meta rival de 2029

Junho foi o mês em que a StarkWare apresentou um plano de três etapas para blindar a rede: reforço nas assinaturas digitais, transferência dos contratos inteligentes (programas que rodam regras de forma automática na blockchain) e reconstrução da infraestrutura que hoje se apoia na Ethereum. Do outro lado, em março, desenvolvedores da Ethereum criaram um time dedicado ao pós-quântico, com a meta de colocar de pé as primeiras salvaguardas de protocolo até 2029.

O que observar daqui para frente

Um placar favorável às pesquisas não muda a arquitetura da Starknet no curto prazo, mas altera a narrativa da rede ao sinalizar que a comunidade aceita discutir um futuro fora do guarda-chuva da Ethereum. Para quem acompanha o STRK, o primeiro ponto de atenção é o desenho das próximas propostas de governança — escopo, prazos e efeito sobre a ponte, peça que hoje conecta a rede ao ecossistema Ethereum. O segundo é a distância entre a ambição de 2027 e as primeiras defesas de protocolo previstas na Ethereum para 2029, diferença que está no centro do argumento da StarkWare.

A discussão ocorre dias depois de a Starknet anunciar um recurso de privacidade de carteira para atividades de DeFi, em 14 de outubro, sinal de que a rede segue mexendo em seu roteiro técnico enquanto a votação corre.