Principais pontos
- A linha aprovada tem prazo de 16 anos e custo indicativo atual de cerca de 4,8%.
- A expectativa é que a implantação da planta industrial comece no primeiro trimestre de 2027, com início de operação ao fim de 2028.
- O financiamento aprovado se soma a US$ 154 milhões já captados em capital próprio.
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou R$ 77,5 milhões para a Viridis Mineração implantar o Centro de Pesquisa e Processamento de Terras Raras (CPTR) em Poços de Caldas (MG), segundo informou o próprio banco. As terras raras (conjunto de 17 elementos químicos usados em ímãs de alto desempenho, motores elétricos, turbinas eólicas e eletrônicos) estão no centro do projeto, selecionado em chamada pública lançada em 2025 pelo BNDES em conjunto com a Finep (Financiadora de Estudos e Projetos, empresa pública de fomento à ciência e tecnologia) para a cadeia de minerais estratégicos ligados à transição energética e à descarbonização.
A leitura é que o anúncio desloca a discussão do valor liberado para as condições de captação e para o cronograma de maturação tecnológica. A linha aprovada tem prazo de 16 anos e custo indicativo atual de cerca de 4,8%. Para um empreendimento mineral de ciclo longo, prazo estendido com custo inferior ao de linhas convencionais de mercado tende a aliviar a pressão de caixa durante as fases de pesquisa, operação piloto e entrada em operação.
Custo e prazo longos: o coração financeiro do anúncio
Os recursos sairão do programa BNDES Mais Inovação (linha do banco destinada a projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação) e bancarão a produção em escala piloto de Carbonato Misto de Terras Raras (composto intermediário que concentra diferentes terras raras antes da separação individual) e o desenvolvimento de rotas tecnológicas para processar as argilas iônicas (minério em que as terras raras ficam adsorvidas à argila e permitem extração por processo químico mais simples) encontradas na região.
Segundo a fonte, o diretor-geral da Viridis, Rafael Moreno, classificou a condição como extremamente atrativa em função do prazo e do custo. O financiamento aprovado se soma a US$ 154 milhões já captados em capital próprio.
Na avaliação do BNDES, o fomento à produção nacional de terras raras ajuda a colocar o Brasil entre fornecedores estratégicos globais de minerais críticos para a transição energética, com efeitos sobre inovação local e fornecedores.
Capital próprio (recursos aportados pelos acionistas, sem amortização obrigatória como na dívida) e financiamento sênior (dívida com prioridade de recebimento em caso de inadimplência) formam a espinha da estrutura de capital descrita pela companhia. A empresa informou que a linha do BNDES reforça sua posição financeira na busca pelo restante do financiamento sênior necessário ao Colossus.
| Item financeiro e societário | Condição informada |
|---|---|
| Linha BNDES Mais Inovação | R$ 77,5 milhões |
| Prazo da operação | 16 anos |
| Custo indicativo atual | cerca de 4,8% |
| Capital próprio já captado | US$ 154 milhões |
| Participação no Colossus IAC | 100% dos direitos de pesquisa e lavra |
Poços de Caldas no mapa das terras raras pesadas
A Viridis Mineração é subsidiária integral da australiana Viridis Mining and Minerals e detém 100% dos direitos de pesquisa e lavra do Projeto Colossus IAC (Ionic Adsorption Clay, argila de adsorção iônica) em Poços de Caldas. A companhia aponta o depósito como um dos mais promissores fora da Ásia no segmento de argilas iônicas, com presença de terras raras pesadas (subgrupo de elementos geralmente associado a aplicações de maior valor agregado, como ímãs para veículos elétricos).
O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, afirmou em nota que o investimento apoia o ecossistema de inovação em Poços de Caldas e a cadeia nacional de fornecedores, com geração de empregos qualificados. A sinalização dialoga com a lógica de adensamento produtivo: validação de rota tecnológica no país tende a distribuir demanda por engenharia, equipamentos, análises laboratoriais e serviços técnicos ao redor do projeto.
O que observar até 2028: piloto, validação e planta industrial
Segundo o BNDES, o CPTR corresponde à primeira etapa do Projeto Colossus, que inclui unidade piloto e atividades de validação tecnológica da rota de processamento. A expectativa é que a implantação da planta industrial comece no primeiro trimestre de 2027, com início de operação ao fim de 2028.
Para quem acompanha o tema, a sequência relevante passa a ser a execução do piloto de Carbonato Misto de Terras Raras, a otimização das rotas para argilas iônicas e o avanço na estruturação do financiamento sênior remanescente. Cada uma dessas entregas ajuda a calibrar risco de execução, necessidade de caixa e velocidade de implantação industrial, sem alterar o fato central já confirmado: o apoio público de longo prazo para pesquisa e processamento local.
