A Tesla (TSLA) vai deixar de fabricar o Cybertruck em 2027, segundo anúncio de Elon Musk feito na rede social X, e a fábrica usada para o modelo passará a produzir o Cybercab, veículo de dois lugares voltado a robotáxis, ou seja, táxis autônomos sem motorista. A mudança encerra um projeto apresentado como carro-chefe da companhia: a expectativa era de 250 mil unidades por ano, mas as vendas somaram apenas dezenas de milhares de veículos em três anos.

Previsões que não se confirmaram

Na entrega das primeiras unidades, no fim de 2023, Musk projetava volume anual de 250 mil veículos. Os resultados ficaram muito distantes dessa meta, e as especificações anunciadas inicialmente também não foram cumpridas.

ItemPromessa inicialResultado observado
Volume de vendas250 mil unidades por ano (previsão de Musk em 2023)Dezenas de milhares no total, em três anos
Preço de partidaAbaixo de US$ 40 mil (anúncio de 2019)Cerca de US$ 60 mil no lançamento
AutonomiaAté 500 milhasRedução de mais de 100 milhas
Chegada ao mercadoApresentação em 2019Entregas a partir do fim de 2023, após atraso de cerca de dois anos

Parte do atraso foi atribuída à pandemia de Covid-19. Ao chegar às ruas, o veículo já carregava um desenho polarizante que não parecia agradar aos compradores, sobretudo com um preço acima do esperado.

Robotáxis ganham espaço na estratégia

A Tesla tenta se posicionar como empresa focada em inteligência artificial e robótica, e os robotáxis têm papel central nessa virada. Nos últimos dois meses, os Cybercabs circularam em Austin, no Texas, cidade-sede da companhia, sem incidentes relevantes registrados até agora. A empresa planeja ampliar a operação para outras cidades, começando por Dallas ainda em novembro.

Além dos Cybercabs, a Tesla já mantém versões robotáxi do SUV Model Y em Austin, Houston e Dallas, além de três cidades da Flórida. Essa rede de operações mostra que a aposta em autonomia já sai do papel em escala regional.

Terceira descontinuação em pouco tempo

Ainda neste ano, a Tesla encerrou a produção dos sedã Model S e do SUV Model X. A área fabril antes dedicada a esses carros passou a montar robôs Optimus, modelos humanoides com formato semelhante ao corpo humano. Com o Cybertruck, a fabricante soma três produtos retirados de linha para impulsionar ambições maiores.

Um projeto marcado por promessas e controvérsias

Anunciado em 2019, o Cybertruck era um projeto que Musk acompanhava havia tempo com entusiasmo. Ele prometia um veículo radical, inspirado na estética de ficção científica cyberpunk, como o filme Blade Runner. O visual se concretizou, mas as especificações básicas não. Na apresentação de 2019, o chefe de design Franz von Holzhausen provocou trincas nos vidros com esferas de aço, episódio que ficou marcado na história do lançamento. No mesmo ano, em uma das teleconferências de resultados da Tesla, Musk disse que a picape seria seu produto favorito para o próximo lançamento.

Desgaste político e comercial

Em 2024, primeiro ano completo de vendas, Musk se tornou um dos principais financiadores de Donald Trump. Como o veículo era facilmente identificável, passou a ser alvo de manifestantes. A pressão continuou em 2025, quando Musk liderou a chamada iniciativa Departamento de Eficiência Governamental (DOGE), que demitiu milhares de servidores federais.

O que a decisão significa para o investidor

A saída do Cybertruck sinaliza que a Tesla prioriza produtos com potencial de escala em inteligência artificial e robótica, em vez de manter um modelo com volume reduzido. Na prática, a companhia transfere capacidade fabril para o Cybercab e para o Optimus, duas apostas que ainda dependem de expansão e de comprovação comercial. A comparação entre a meta de 250 mil unidades e as vendas reais mostra como projeções otimistas podem distorcer a leitura de um lançamento.

Para acompanhar o tema, convém observar três pontos: o avanço dos robotáxis para Dallas e outras cidades, a continuidade de operações sem incidentes relevantes e o ritmo de produção do Optimus na área antes ocupada pelos Model S e Model X. Até 2027, a fabricante ainda terá o Cybertruck em linha, o que dá tempo para que a transição seja monitorada de perto.