Principais pontos
- Segundo cálculos do banco Inter compilados pelo InfoMoney, o retorno acumulado desde 2016 até a primeira semana de agosto foi 52% superior ao de uma aplicação atrelada a 100% do CDI (Certificado de Depósito Interbancário) no mesmo período.
- Para um capital hipotético de R$ 10 mil aportados em 2016, o título público devolveu R$ 31.151 líquidos, enquanto um CDB (Certificado de Depósito Bancário) de mesmo prazo e risco de crédito equivalente renderia R$ 23.957 livres de tributos.
- Investidores que adquiriram o papel diretamente no mercado secundário — e não pela plataforma de varejo do Tesouro Direto — não sofrem a cobrança da B3, pois os títulos permanecem custodiados no sistema Selic.
O resgate do Tesouro IPCA+ (NTN-B Principal) com vencimento no último sábado e pagamento programado para esta segunda-feira (17) consolida uma das maiores vitórias da renda fixa indexada à inflação sobre a taxa básica. Segundo cálculos do banco Inter compilados pelo InfoMoney, o retorno acumulado desde 2016 até a primeira semana de agosto foi 52% superior ao de uma aplicação atrelada a 100% do CDI (Certificado de Depósito Interbancário) no mesmo período.
A leitura para o investidor pessoa física vai além do índice bruto: o que muda efetivamente no bolso é a diferença líquida após a incidência do Imposto de Renda (IR) e das taxas de custódia. Para um capital hipotético de R$ 10 mil aportados em 2016, o título público devolveu R$ 31.151 líquidos, enquanto um CDB (Certificado de Depósito Bancário) de mesmo prazo e risco de crédito equivalente renderia R$ 23.957 livres de tributos. A discrepância resulta em um ganho extra de R$ 7.194,88 na carteira de quem escolheu o papel do Tesouro Nacional.
O embate dos percentuais acumulados
Ao comparar a trajetória dos ativos, a superioridade do título atrelado ao IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) fica evidente, especialmente nas modalidades que não distribuem juros intermediários.
A tributação segue a tabela regressiva do IR, que incide apenas sobre os rendimentos e atinge a alíquota mínima de 15% para prazos acima de 720 dias, equiparando o tratamento fiscal entre o Tesouro Direto e os CDBs pós-fixados. No entanto, o custo operacional da plataforma oficial exige atenção redobrada.
O custo invisível da plataforma oficial
Quem investe pela interface do Tesouro Direto está sujeito à taxa de custódia da B3, atualmente em 0,20% ao ano sobre o valor da posição. Esse provisionamento diário consumiu cerca de R$ 705 na simulação de R$ 10 mil ao longo dos anos. A alíquota foi de 0,30% até 2019, caiu para 0,25% e só atingiu os 0,20% atuais em janeiro de 2022. Aplicar a taxa vigente a todo o histórico subestima o custo real em pouco mais de R$ 100.
| Aplicação (R$ 10 mil em 2016) | Valor Bruto | Valor Líquido | Ganho Líquido |
|---|---|---|---|
| Tesouro IPCA+ 2026 (B3) | R$ 35.590 | R$ 31.151 | 211,5% |
| CDB 100% do CDI | R$ 26.420 | R$ 23.957 | 139,6% |
| Tesouro IPCA+ (Merc. Secundário) | R$ 35.590 | R$ 31.751,50 | 55,9% vs CDI |
O cenário de 2016 até os dias atuais reforça uma tese recorrente no mercado de juros: o prêmio de risco e a proteção contra a erosão monetária ofertados pelos títulos públicos longos costumam superar a comodidade dos papéis bancários pós-fixados, desde que o investidor esteja disposto a suportar a marcação a mercado em caso de resgate antecipado. No caso do vencimento ocorrido agora, a estratégia de manutenção até o prazo final garantiu a materialização integral do ganho real.
A alternativa do mercado secundário
A estrutura de custódia oferece um caminho para mitigar esse atrito operacional. Investidores que adquiriram o papel diretamente no mercado secundário — e não pela plataforma de varejo do Tesouro Direto — não sofrem a cobrança da B3, pois os títulos permanecem custodiados no sistema Selic.
Essa distinção é crucial para a formação de carteiras mais robustas. Enquanto o investidor de varejo aceita a taxa de 0,20% ao ano em troca da facilidade de interface e fracionamento, o investidor que transita no mercado secundário captura a integralidade do retorno indexado à inflação, descontados apenas os tributos obrigatórios. Para esse perfil de operador, o valor final líquido alcança R$ 31.751,50, elevando a vantagem competitiva sobre o CDI para 55,9%. A comparação evidencia que a escolha do canal de execução e a compreensão das taxas de manutenção são variáveis tão determinantes quanto a seleção do índice de correção do ativo.
