Receita de R$ 2 bilhões e 31 trimestres de avanço de dois dígitos
A TOTVS (TOTS3) fechou o terceiro trimestre de 2026 com receita líquida de R$ 2 bilhões, o 31º trimestre consecutivo de avanço de dois dígitos nessa linha, conforme a apresentação de resultados de novembro de 2026, que reuniu Dennis Herszkowicz (CEO), Gilsomar Maia (CFO) e Sergio Serio (head de Relações com Investidores). Já o Ebitda ajustado passou de meio bilhão de reais, expansão de 17% em doze meses. Na comparação entre o 2T26 e o 3T26, a receita de computação em nuvem ganhou 5 pontos percentuais de velocidade.
Lucro por ação de 12 meses recua 8,8% com lucro ajustado em alta de 11%
O lucro ajustado do trimestre ficou em R$ 237 milhões, 11% acima do mesmo intervalo de 2025. Na métrica por ação, a série de 12 meses apresentou retração de 8,8% em base anual e de 1,4% sobre o trimestre anterior. Os dois números convivem sem contradição: o LPA de doze meses é uma janela móvel, que carrega o efeito acumulado de períodos passados e reage com atraso ao resultado de um trimestre isolado. Para quem acompanha a geração de valor ao acionista, o dado indica que o avanço de receita ainda não se converteu em ganho por papel no mesmo ritmo do topo da demonstração.
Margem de 25,3% e dívida líquida em 1,6x
A margem Ebitda alcançou 25,3%, 80 pontos-base acima de um ano atrás e 10 pontos-base abaixo do 2T26. O NOPLAT — lucro operacional líquido depois dos impostos — somou R$ 305 milhões, 16% maior do que um ano antes e 3,5% menor do que no trimestre imediatamente anterior. Na alavancagem, a relação entre dívida líquida e Ebitda de 12 meses subiu a 1,6x, contra 1,5x no 2T26, variação de 7,1% na base trimestral.
| Indicador | 3T26 | Comparação |
|---|---|---|
| Receita líquida | R$ 2 bilhões | 31º trimestre de dois dígitos |
| Ebitda ajustado | acima de meio bilhão de reais | +17% a/a |
| Margem Ebitda | 25,3% | +80 p.b. a/a e -10 p.b. t/t |
| Lucro ajustado | R$ 237 milhões | +11% a/a |
| NOPLAT | R$ 305 milhões | +16% a/a e -3,5% t/t |
| Dívida líquida/Ebitda | 1,6x | 1,5x no 2T26 |
| LPA (12 meses) | — | -8,8% a/a e -1,4% t/t |
Techfin: R$ 3 bilhões em Pix e Ebitda de R$ 1,4 milhão
A unidade de serviços financeiros movimentou R$ 3 bilhões em pagamentos via Pix, 28% mais do que um ano antes e 7,4% acima do 2T26. Do lado do crédito, a produção caiu 3,0% em base anual e cresceu 5,2% sobre o trimestre anterior, com prazo médio de 65,1 dias. A taxa de atrasos acima de 90 dias marcou 2,9%, e a empresa calcula uma folga de 3,2 pontos percentuais frente à média do mercado brasileiro, com base em estatísticas do Banco Central. Os créditos vencidos em até 30 dias caíram 35% sobre o 2T26, mesmo com um ambiente de crédito mais restritivo.
O Ebitda da Techfin virou positivo em R$ 1,4 milhão, depois de ficar negativo em R$ 5,0 milhões no 2T26. O resultado líquido da unidade seguiu no vermelho, mas encolheu para -R$ 0,1 milhão, contra -R$ 3,3 milhões três meses antes.
O que a alavancagem de 1,6x muda no risco da tese
No encerramento da apresentação, a TOTVS foi descrita pela própria companhia como uma all-weather company (termo usado para negócios que se propõem a atravessar ciclos), sustentada por diversificação de setores e de clientes, pela atuação junto a pequenas e médias empresas e pelo poder de precificação.
A combinação desloca a atenção de quem tem exposição ao papel da linha de receita para a qualidade do lucro. Uma alavancagem de 1,6x tende a encarecer o financiamento em um momento em que o Ebitda devolve 10 pontos-base de margem na comparação trimestral, enquanto a frente de crédito ainda opera com resultado líquido negativo. O tamanho da operação, porém, não está em disputa: a unidade financeira deixou de consumir Ebitda, a inadimplência de 2,9% fica abaixo da referência de mercado citada pela empresa e a margem de 25,3% segue superior à de um ano antes. O crivo dos próximos balanços é se a sequência de dois dígitos, que chega ao 31º trimestre, vem acompanhada de recuperação do lucro por ação e de estabilidade da alavancagem.
