O Itaú BBA elevou a recomendação para a Tupy (TUPY3) de neutra para compra nesta terça-feira (29), com preço-alvo de R$ 20 — o que projeta uma alta de aproximadamente 25% a partir dos R$ 15,99 usados como referência pela instituição. A ação, que não compõe o Ibovespa, figurou entre as maiores altas da manhã, com avanço superior a 3%.
A revisão do banco chegou junto com uma mexida no topo da governança. Na véspera, a companhia comunicou em fato relevante a saída de Jaime Luiz Kalsing da presidência do conselho de administração, sem detalhar o motivo, tratado como de foro íntimo. Gueitiro Matsuo Genso, que ocupava a vice-presidência de estratégia, novos negócios, inovação e M&A, passa a comandar o conselho.
A tese agora depende de uma margem ainda distante do histórico
O Itaú BBA projeta que a demanda em recuperação sustente o desempenho da Tupy no segundo semestre, com efeito positivo sobre receita e rentabilidade. Para a instituição, a relação entre risco e retorno segue atrativa, e o desempenho da companhia é classificado como acima do mercado.
O ponto menos evidente do relatório está na margem. A estimativa de crescimento é de 7% até 2027, com margem Ebitda projetada de 10,4% — abaixo dos níveis históricos normalizados. A casa vê espaço para ganhos adicionais de rentabilidade conforme as iniciativas de eficiência avançam.
| Indicador | Projeção do Itaú BBA |
|---|---|
| Preço-alvo | R$ 20 |
| Alta implícita sobre R$ 15,99 | cerca de 25% |
| Crescimento até 2027 | 7% |
| Margem Ebitda (até 2027) | 10,4% |
| Receita no 3T26 | R$ 2,6 bilhões |
| Margem Ebitda no 3T26 | 9,4% |
Para o terceiro trimestre de 2026, a estimativa é de faturamento de R$ 2,6 bilhões, com margem Ebitda de 9,4%. É a distância entre a margem projetada e o histórico da companhia que dimensiona o risco embutido na tese: uma recuperação mais lenta tende a abrir espaço para cortes nas estimativas.
Governança: um nome de dentro assume o conselho
O relatório sustenta que uma estrutura de governança mais robusta, com equipe mais profissionalizada, tende a tornar os resultados menos cíclicos e mais resistentes. Esse é o elo entre a avaliação do banco e a transição anunciada no conselho.
A saída de Kalsing ocorreu sem justificativa pública, e a chegada de um executivo que já respondia por estratégia e M&A aponta para uma transição interna, com um nome familiar à estrutura da companhia no comando do colegiado.
Os dois riscos que o banco lista
O primeiro é uma recuperação de rentabilidade mais lenta do que o previsto, cenário que levaria a revisões negativas nas estimativas. O segundo é o câmbio: um real mais forte tende a corroer os resultados e a reduzir a competitividade da companhia.
As duas ameaças têm origens distintas — uma depende da execução interna da empresa, a outra vem do ambiente macroeconômico e foge ao controle da gestão. É essa diferença que explica por que o banco trata a recuperação de margem como o fator decisivo para a tese.
O que muda para quem tem exposição ao papel
O movimento desta terça combina dois gatilhos de naturezas distintas — um de curto prazo, ligado à revisão do banco, e outro estrutural, ligado à reorganização do comando. Para o investidor com exposição à Tupy, o foco deixa de ser o anúncio e passa a ser a entrega da margem que o relatório embute nas contas do período.
A ação também está fora do Ibovespa, o que a deixa menos atrelada ao fluxo de recursos que segue o índice e mais sensível a eventos específicos da companhia, como uma revisão de banco ou uma troca de comando.
