Os papéis da Vivara (VIVA3) tiveram o pior desempenho do Ibovespa na sexta-feira, 6 de novembro, após a divulgação do balanço do terceiro trimestre. Às 10h30, a ação recuava 8,25%, cotada a R$16,68 e voltando aos patamares de março de 2025, enquanto o Ibovespa subia 0,3%. O dado que mais pesou na reação foi o lucro líquido: R$114,8 milhões no trimestre, queda de 38,7% frente ao mesmo período do ano anterior.
Às 12h, a baixa havia diminuído para 4,24%, com os papéis a R$17,41. A redução da queda ao longo da manhã pode indicar que parte da venda inicial foi absorvida pelo mercado.
Receita sobe, mas Ebitda e lucro encolhem
A receita operacional líquida chegou a R$692,9 milhões, com alta de 4,3%. Já o Ebitda ajustado somou R$132,7 milhões, recuo de 22,4% na comparação anual, em um cálculo que retira do ano anterior os créditos registrados naquele período. Na prática, a companhia vendeu mais, mas converteu uma fatia menor dessa receita em resultado operacional.
Vendas comparáveis perdem ritmo e margem bruta recua
As vendas nas mesmas lojas, indicador que considera apenas unidades em operação há mais tempo (SSS, na sigla em inglês), cresceram 4,4%. No ano anterior, esse mesmo indicador havia avançado 10,7%. A margem bruta reportada ficou em 65,0%, contra 71,3% no terceiro trimestre de 2025, movimento que, segundo a fonte, reflete os lançamentos do período e uma base de comparação mais alta.
Os analistas do Itaú BBA apontaram a desaceleração das vendas comparáveis como ponto negativo e avaliaram que a companhia perdeu parte de sua competitividade no trimestre.
Ouro e repasse de preços pressionam o Ebitda
Para analistas da XP, o desempenho foi fraco, com o Ebitda pressionado pelo repasse moderado de preços (a parcela da variação de custos transferida aos preços de venda) em meio à queda das cotações do ouro. Essa queda pesou sobre a receita do segmento de joias.
Segundo a mesma análise, a administração afirma ter implementado aumentos de preços nos últimos meses, adota uma política de preços dinâmica e considera a pressão sobre as margens temporária.
Painel do trimestre
| Indicador (3º tri) | Resultado | Comparação |
|---|---|---|
| Receita operacional líquida | R$692,9 milhões | alta de 4,3% |
| Lucro líquido | R$114,8 milhões | queda de 38,7% |
| Ebitda ajustado | R$132,7 milhões | recuo de 22,4% |
| Vendas nas mesmas lojas | 4,4% | ante 10,7% um ano antes |
| Margem bruta reportada | 65,0% | ante 71,3% no 3º tri de 2025 |
O que observar a partir do quarto trimestre
A XP aponta que a dinâmica de preços e margens no quarto trimestre será o ponto central a acompanhar. Para o investidor, o caso mostra um contraste entre crescimento da receita e deterioração da rentabilidade. Enquanto a margem bruta não voltar a acompanhar o avanço da receita, a leitura do resultado tende a depender da confirmação de que a pressão é de fato temporária.
Quando o preço do ouro, matéria-prima relevante para as joias, oscila, o efeito tende a aparecer primeiro na margem e só depois no lucro. Isso torna as próximas divulgações da companhia mais sensíveis a esse fator.
