Reversão: de prejuízo de R$ 2,59 milhões a lucro de R$ 5,69 milhões

O XPCA11, fiagro — fundo voltado às cadeias produtivas do agronegócio — fechou setembro de 2026 com lucro contábil de R$ 5,69 milhões, equivalente a R$ 0,1249 por cota, conforme o relatório gerencial divulgado em 29 de outubro. A virada devolve o fundo ao campo positivo depois de agosto ter fechado com R$ 2,59 milhões negativos — e o dado que separa os dois meses é este: o resultado por cota de R$ 0,1249 ficou acima do rendimento de R$ 0,10 pago ao cotista.

A origem do lucro está no crédito. Os CRAs (Certificados de Recebíveis do Agronegócio, títulos lastreados em dívidas de empresas do setor) renderam R$ 5,89 milhões sob o regime de competência, critério que reconhece a receita quando o direito é formado, e não quando o caixa entra. LCA e renda fixa acrescentaram R$ 184,6 mil, enquanto as despesas operacionais consumiram R$ 384,3 mil.

Linha do resultado (set/2026)Valor
Receitas com CRAR$ 5,89 milhões
LCA e renda fixaR$ 184,6 mil
Despesas operacionaisR$ 384,3 mil
Lucro contábilR$ 5,69 milhões
Lucro por cotaR$ 0,1249

Rendimento de R$ 0,10 desde abril e a folga estreita sobre o lucro

A distribuição foi mantida em R$ 0,10 por cota, somando cerca de R$ 4,55 milhões pagos em 15 de outubro a quem tinha posição em 30 de setembro. O patamar não muda desde abril, e a média dos últimos 12 meses ficou em R$ 0,1067 por cota.

Sobre a cotação de R$ 7,43, o rendimento mensal equivale a 1,35%, ou 17,40% em base anualizada. A gestão também apresentou uma taxa de 20,47% ao ano após ajuste tributário de 15%.

No acumulado de 12 meses, o fundo reportou resultado de R$ 58,75 milhões e distribuiu R$ 58,27 milhões. As duas cifras praticamente se encontram: em janela anual, quase todo o ganho contábil foi repassado ao cotista. A cobertura do dividendo existe, mas é apertada — sobra pouco lucro retido para absorver um mês ruim de crédito. No mês isolado, a distância entre R$ 0,1249 e R$ 0,10 é mais confortável; no ano, ela encolhe até quase desaparecer.

Carteira: 66% em CRA, 26,7% em FIDC e 5,9% em caixa

A alocação de setembro desenha um fundo de crédito, não de produção rural: dois terços do patrimônio em CRAs e mais de um quarto em cotas de FIDCs, que são fundos dedicados a comprar direitos creditórios de empresas do agronegócio.

Classe de ativoPeso
CRA66,0%
Cotas de FIDC do agro26,7%
CRI1,5%
Caixa5,9%

Na divisão setorial, a indústria alimentícia respondia por 17,8%; as usinas de açúcar e etanol, por 15,0%; as cooperativas, por 10,5%; os produtores de grãos, por 9,9%; e as empresas de insumos agrícolas, por 8,6%. Nos indexadores, 86,9% das operações acompanham o CDI e 13,1% o IPCA, com duration média de 1,97 ano — medida do prazo médio ponderado dos recebíveis que também sinaliza o grau de sensibilidade da carteira a mudanças na taxa de juros.

A operação de maior destaque no relatório é a exposição à Usina Santa Fé, via Figtree OPP3 FIDC, de aproximadamente R$ 12,05 milhões, com vencimento previsto para agosto de 2032.

Agrogalaxy inadimplente e o El Niño na safra 2026/27

A gestão informou que os devedores seguiam adimplentes, com exceção das operações ligadas à Agrogalaxy, situação já comunicada em relatórios anteriores. O fundo também declarou acompanhar os possíveis efeitos do El Niño sobre a safra 2026/27, com atenção especial ao Centro-Oeste, mantendo critérios seletivos para novas alocações de crédito.

O que sustenta — e o que pressiona — um yield de 17,40%

Para quem acompanha o XPCA11 pela ótica de renda, dois vetores definem o risco do próximo ciclo. O primeiro é a dependência do CDI: com 86,9% da carteira indexada à taxa interbancária, o resultado tende a reagir à trajetória dos juros, e períodos de juros menores historicamente costumam comprimir a receita de fundos com esse perfil. O segundo é o risco de crédito privado, sem concentração extrema, mas com nomes relevantes — caso da operação de R$ 12,05 milhões que vence em 2032 — e com um evento já conhecido na carteira, a inadimplência da Agrogalaxy.

O yield anualizado de 17,40% (ou 20,47% após o ajuste tributário) precisa ser lido junto com a cobertura do dividendo. Um rendimento de dois dígitos que consome praticamente todo o resultado do ano deixa margem curta para digerir um mês ruim de crédito ou uma queda mais acentuada dos juros. A diversificação setorial e o prazo médio de 1,97 ano ajudam a limitar o impacto de um choque isolado; não eliminam a dependência do indexador nem o efeito de um novo evento de crédito.