Mark Zuckerberg e Priscilla Chan prometeram em 2015 doar 99% das ações que tinham no Facebook, participação então avaliada em cerca de US$ 45 bilhões. Hoje, a fortuna do fundador da Meta supera US$ 200 bilhões, e a promessa indica que as três filhas não fiquem com a maior fatia desse patrimônio. Mesmo com a doação prevista, Zuckerberg segue com cerca de 13% da Meta e com a maioria dos votos, o que mantém o poder decisório da companhia concentrado nele.
Doação de 99% não tira de Zuckerberg o comando da Meta
A promessa não impõe austeridade ao fundador. Segundo a fonte, ele ainda detém cerca de 13% das ações da Meta, participação que lhe garante o controle da maioria dos votos na empresa. Ele também reuniu um dos maiores acervos imobiliários entre bilionários dos EUA, incluindo uma compra recente em Miami.
Os números por trás da promessa
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Valor da participação em 2015 | cerca de US$ 45 bilhões |
| Fortuna atual de Zuckerberg | acima de US$ 200 bilhões |
| Participação atual na Meta | cerca de 13% |
| Transferência de riqueza estimada para gerações mais novas | US$ 124 trilhões |
A escala ajuda a entender o alcance do compromisso. A estimativa de US$ 124 trilhões em transferências ocorre à medida que os baby boomers, geração nascida logo após a Segunda Guerra Mundial, repassam seus bens. Nesse movimento maior, o casal aparece ao lado de famílias como as de Bill Gates, Warren Buffett e Michael Bloomberg, que também não pretendem destinar aos filhos a parcela principal de suas fortunas.
Imposto sobre bilionários: as duas propostas na Califórnia
No estado, duas medidas submetidas ao eleitorado disputam a tributação de grandes fortunas. A Proposição 40 criaria uma cobrança única de 5% sobre o patrimônio líquido dos bilionários; em 6 de novembro, ela aparecia com 45% a favor e 55% contra, e a apuração seguia em andamento. A Proposição 42, alternativa apoiada por bilionários, liderava com cerca de 54% de apoio e anularia a cobrança, além de barrar novos tributos sobre grandes fortunas no estado.
Zuckerberg levou ao colegiado da Meta a possibilidade de deixar o estado por causa da proposta. A resposta da companhia foi criar um tipo novo de papel, que poderia ser alienado por ele caso precise quitar uma possível tributação. O desenho pode indicar que a empresa previu a necessidade de liquidez para pagar impostos, caso a medida avance.
Estrutura LLC dá flexibilidade à filantropia do casal
A iniciativa do casal opera como uma LLC, sociedade de responsabilidade limitada, e não como fundação privada tradicional. Na prática, esse formato permite decidir com mais liberdade quando e em quais causas aplicar recursos, admite investimentos em companhias com fins lucrativos e financia campanhas de defesa de políticas públicas.
Gates seguiu outro caminho. A Fundação Gates adota o modelo tradicional e prevê encerrar suas operações em 2045, após repassar cerca de US$ 200 bilhões. A comparação mostra que modelos filantrópicos podem ter regras bem distintas, e a diferença pode aproximar a doação de decisões típicas de investimento.
Das políticas de moradia à pesquisa biomédica com IA
Em fases iniciais, a iniciativa concentrou-se em temas de alcance social, como o acesso à habitação barata na Califórnia e a revisão da justiça penal. Mais recentemente, o foco migrou para áreas impulsionadas pela tecnologia, sobretudo pesquisas biomédicas que usam inteligência artificial. A mudança tende a deslocar a atuação para projetos com prazos e resultados menos previsíveis.
Riscos de governança, tributação e sucessão em foco
- Governança: com cerca de 13% e a maioria dos votos, Zuckerberg tende a concentrar a influência sobre as decisões da Meta, o que costuma reduzir o peso dos acionistas minoritários nessas definições.
- Calendário da doação: o compromisso se estende ao longo da vida do casal, então a transferência de ações tende a ser gradual e de prazo incerto.
- Tributação: a apuração das Proposições 40 e 42 ainda estava aberta em 6 de novembro, e o resultado define se o imposto sobre bilionários avança na Califórnia.
- Sucessão: a projeção de US$ 124 trilhões em transferências tende a pressionar o planejamento sucessório de famílias com patrimônio investido em bolsa.
A distância entre a promessa filantrópica e o controle efetivo da companhia é o ponto que merece acompanhamento nos próximos desdobramentos.
