Principais pontos

  • A leitura é que o caso ilumina o elo mais sensível da cadeia de alimentos industrializados: grandes marcas compradoras de matéria-prima diante de um núcleo restrito de refinadores.
  • A peça sustenta que os refinadores trocaram dados sigilosos sobre concorrência por meio de um intermediário para alinhar valores cobrados dos fabricantes.
  • A ASR afirmou que os fatos não sustentam as alegações deles, e que demonstrará isso ao defender este caso.

A General Mills e a Mars acionaram na Justiça dos Estados Unidos a United Sugar e o ASR Group, controlador da Domino, sob a acusação de manter por anos um acerto para inflar o preço do açúcar granulado. Segundo a fonte, as fabricantes afirmam ter comprado bilhões de dólares do insumo entre 2017 e 2024, período em que a cotação do açúcar granulado teria alcançado patamares recordes.

A leitura é que o caso ilumina o elo mais sensível da cadeia de alimentos industrializados: grandes marcas compradoras de matéria-prima diante de um núcleo restrito de refinadores. Quando um ingrediente presente em cereais, misturas para bolo e chocolates tende a custar mais por distorção concorrencial, a pressão recai sobre custos industriais e historicamente costuma repercutir em margens e em repasses ao longo da cadeia.

Concorrentes não podem compartilhar dados competitivamente sensíveis para estabilizar ou ditar preços de um setor

Compradores de alto volume diante de refinadores no banco dos réus

A reportagem original, assinada por Mike Scarcella via Reuters e republicada pelo InfoMoney em Washington em 8 de setembro, informa que a ação foi apresentada na sexta-feira em tribunal federal de Chicago. A peça sustenta que os refinadores trocaram dados sigilosos sobre concorrência por meio de um intermediário para alinhar valores cobrados dos fabricantes.

A acusação é enquadrada nas leis antitruste (regras de defesa da concorrência que proíbem combinação de preços e divisão de mercado). A representação das autoras cabe ao escritório Jenner & Block.

Segundo a fonte, além de General Mills e Mars, outros dois autores participam do processo, incluindo a McKee Foods, responsável pelos lanches Little Debbie. O grupo alega aquisições volumosas de açúcar granulado durante a suposta combinação entre 2017 e 2024.

PartePosição no processoMarcas ou ativos citados
General MillsautoraPillsbury, Betty Crocker, Cheerios, Cinnamon Toast Crunch, Cocoa Puffs
MarsautoraSnickers, M&Ms, Twix
McKee FoodsautoraLittle Debbie
ASR GroupDomino
United Sugarrefinadora norte-americana
Outros produtoresréusnão nominados na síntese divulgada

Histórico questionado e negativas das refinarias

A petição sustenta que o setor açucareiro acumula histórico de repetidas violações às regras concorrenciais há mais de 80 anos. Ainda de acordo com os autores, o preço do açúcar granulado bateu recordes ao longo do intervalo investigado.

O ASR Group e a United Sugar já figuram como réus em ação coletiva (demanda apresentada em nome de um conjunto de supostos prejudicados) conexa em tribunal federal de Minnesota, onde refutaram as imputações.

Na terça-feira, a ASR declarou que as imputações do novo processo foram reapresentadas por outros advogados de autores, que separaram partes já incluídas no litígio pendente. A ASR afirmou que os fatos não sustentam as alegações deles, e que demonstrará isso ao defender este caso.

Procuradas, a General Mills e a McKee se recusaram a comentar. A Mars não respondeu de imediato ao pedido de manifestação, e a United Sugar também não respondeu de imediato.

Por que o desfecho interessa a quem acompanha alimentos

Para o investidor que observa companhias de consumo, a leitura é que disputas sobre insumo básico podem indicar risco de custo e incerteza jurídica em dois polos: refinadores expostos a penalidades e reparações, e fabricantes expostas a margens comprimidas enquanto o insumo permanece caro. O acompanhamento tende a se concentrar na tramitação em Chicago e no desdobramento da ação coletiva em Minnesota, além de eventuais sinais sobre formação de preços do açúcar granulado.