Itaú Unibanco, Bradesco e Santander Brasil somaram R$ 22,61 bilhões de lucro no terceiro trimestre, uma alta de 2,4% sobre o mesmo período do ano anterior e de 0,6% frente aos três meses imediatamente anteriores, segundo dados compilados por agência de notícias. A média, porém, esconde um contraste forte: o lucro do Santander Brasil caiu 28% no mesmo recorte, enquanto o Itaú manteve relativa estabilidade em patamar superior ao dos demais.

Por trás dos três balanços está um mesmo vetor: o orçamento de famílias e empresas segue apertado, e o alívio nas taxas de juros avança em ritmo lento. Com menos renda disponível, fica mais difícil honrar as parcelas de crédito em dia, o que empurra a inadimplência para cima no setor bancário. O fenômeno apareceu nos três bancos, mas com intensidades bem distintas.

Santander sofre o maior recuo entre os três

O lucro líquido do Santander Brasil somou R$ 2,9 bilhões no trimestre, queda de 28% na comparação anual. O retorno sobre o patrimônio (RoE, sigla em inglês para o indicador que mede quanto o banco gera de lucro sobre o capital próprio) caiu para 11,9%, recuo de 5,6 pontos porcentuais na comparação anual e distância ainda maior da meta de 20% até 2028 definida pela matriz espanhola.

Segundo a fonte, os desafios se concentram nas carteiras de agronegócio voltadas a clientes de baixa renda, o que torna o banco o mais pressionado do trio. Na bolsa de Madri, os papéis da matriz recuavam 5%, em parte por influência do desempenho brasileiro.

Gilson Finkelsztain, presidente do Santander Brasil, admitiu o quadro em teleconferência com analistas.

Bradesco mantém a sequência de lucro, mas o retorno sobre patrimônio recua

Primeiro a divulgar nesta temporada, o Bradesco reportou lucro líquido de R$ 7,1 bilhões, o 11º trimestre seguido de crescimento sequencial. O avanço veio da resiliência das receitas com serviços e do controle de custos, em uma recuperação conduzida pelo presidente Marcelo Noronha, que reconheceu um quadro macroeconômico complexo ao apresentar os números.

Já o retorno sobre o patrimônio caiu para 15,6%. Sem o efeito de uma operação de aumento de capital de R$ 10 bilhões, o indicador teria ficado praticamente estável, em 16,1%. Essa diferença pode indicar que boa parte do recuo decorre da base de capital ampliada, e não de uma piora imediata do negócio.

Na inadimplência, houve um revés, e o cenário de juros restritivos adiou ganhos de rentabilidade.

Itaú tem o maior retorno, mas receitas fracas

O Itaú Unibanco registrou lucro líquido de R$ 12,617 bilhões e RoE de 23,6%, o maior do setor, com folga. O banco manteve disciplina na gestão de crédito e de custos, mas apresentou desempenho fraco na geração de receitas, principalmente em bancos de capitais.

Segundo a fonte, essa resiliência vem de uma política de risco que, antes mesmo da piora do ciclo, já privilegiava linhas de crédito mais seguras.

Os três balanços lado a lado

Na comparação direta, o RoE expõe a dispersão do trio: o Itaú opera com 23,6%, o Bradesco com 15,6% (16,1% sem o efeito do aumento de capital) e o Santander com 11,9%. Em lucro absoluto, a ordem segue a mesma, com o Itaú à frente, seguido pelo Bradesco e pelo Santander.

BancoLucro líquido no 3º triRoEDestaque
Itaú UnibancoR$ 12,617 bilhões23,6%Maior retorno do setor; receitas fracas
BradescoR$ 7,1 bilhões15,6% (16,1% sem aumento de capital)11º trimestre seguido de alta do lucro
Santander BrasilR$ 2,9 bilhões11,9%Queda de 28% no lucro anual
TrioR$ 22,61 bilhões—Alta de 2,4% na comparação anual

Selic em 13,75% e dúvida fiscal pesam sobre o setor

Fora dos balanços, o fator macro que mais pesa sobre o setor é a Selic, hoje em 13,75% ao ano. Após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, a movimentação do mercado tende a dificultar o cenário, segundo a fonte, já que o governo tem dado poucos sinais de um ajuste fiscal significativo. Esse ajuste é apontado como uma das condições para que o Banco Central reduza a Selic com mais velocidade.

Para quem acompanha o setor, a combinação de juros elevados por mais tempo e inadimplência em alta tende a tornar a análise banco a banco mais decisiva do que o número agregado. Historicamente, em fases de crédito caro, a qualidade da carteira costuma separar as instituições com melhor desempenho das demais, e a média do setor pode ocultar essa diferença.

O que observar nos próximos balanços

Dois pontos merecem acompanhamento: a trajetória do retorno do Santander em direção à meta de 20% até 2028 e a evolução da inadimplência nos próximos trimestres. Outro ponto é saber se os sinais de ajuste fiscal avançam, algo que a fonte aponta como condição para cortes mais rápidos da Selic.