Recuperação argentina interrompe semana de perdas e risco-país recua 33 pontos

O mercado financeiro argentino deixou para trás a série de perdas da semana anterior e abriu a segunda-feira (5) em alta generalizada — ações, títulos públicos e ADRs negociados em Nova York subiram em bloco. O Merval avançou 2,5% na largada, e o risco-país cedeu para 633 pontos-base, baixa de 33 pontos frente ao último fechamento. O contraste com a semana anterior é direto: lá, o mercado argentino havia se desvalorizado sob peso de fatores internacionais e de dúvidas sobre a velocidade da recuperação econômica doméstica.

Eleição brasileira e apoio dos EUA combinam no mesmo dia

Dois vetores sustentaram o humor. O primeiro é o resultado do 1º turno da eleição brasileira, que reposicionou as apostas do mercado para a região. O segundo vem de Washington: o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, reafirmou disposição de voltar ao país caso necessário para oferecer apoio financeiro, retomando o gesto já feito em 2025.

Banco Macro e Mercado Libre puxam as maiores altas

No painel do Merval, as maiores valorizações vieram de Banco Macro (4,4%), Central Puerto (4,3%) e BBVA (4%). A força se repetiu nos ADRs listados em Nova York, com destaque para Mercado Libre (6,8%), BBVA (5,5%), Banco Macro (5,1%) e Telecom (4,8%). A alta inicial perdeu intensidade ao longo da manhã — o índice passou a operar próximo à estabilidade.

Ativo / indicadorVariação
Merval+2,5%
Banco Macro+4,4% (Merval) e +5,1% (ADR)
BBVA+4,0% (Merval) e +5,5% (ADR)
Central Puerto+4,3%
Mercado Libre (ADR)+6,8%
Telecom (ADR)+4,8%
AL35 (título)+1,6%
Risco-país633 pbs, queda de 33

Títulos públicos e dólar corroboram o alívio

Os títulos de dívida soberana seguiram a mesma direção, com o AL35 subindo 1,6%. No câmbio, o dólar no Banco Nación abriu em $1.490 pesos para compra e $1.540 para venda. No mercado atacadista, a cotação recuou para $1.507 e $1.516, considerando as duas pontas.

Por que o Brasil pesa tanto na mesa argentina

O elo comercial explica parte da sensibilidade. A valorização do real torna as exportações argentinas destinadas ao mercado brasileiro mais competitivas, e o Brasil absorve cerca de 30% de tudo o que o país vizinho exporta — é o principal parceiro comercial da Argentina. Dessa exposição vem a leitura de que as decisões tomadas em Brasília e São Paulo reverberam diretamente em Buenos Aires. Em paralelo, a economia argentina ainda em recuperação tem pouca margem para absorver uma desaceleração brasileira.

O que a sessão sinaliza para quem acompanha o tema

Para o investidor com exposição a ativos argentinos, o dia entrega dois sinais simultâneos. De um lado, a queda conjunta do risco-país e do dólar, somada à alta de ações e títulos, aponta para alívio de curto prazo no prêmio de risco exigido do país. De outro, boa parte do impulso é externo — eleição brasileira e respaldo americano — e não decorre de dado doméstico novo. Movimentos dessa natureza tendem a durar enquanto o gatilho externo permanece ativo, sem necessariamente indicar mudança nos fundamentos da economia argentina.

O que observar daqui para frente

Sem novos dados econômicos previstos para hoje, o mercado argentino deve continuar reagindo aos mesmos vetores: o desdobramento da eleição brasileira e a confirmação prática do apoio americano. É essa combinação que sustenta, ou esvazia, a alta das próximas sessões.