As opções de compra de Itaú (ITUB4), Banco do Brasil (BBAS3) e Petrobras (PETR4) abriram o primeiro pregão depois do primeiro turno com ganhos que chegaram perto de 400%, enquanto os contratos de Vale (VALE3) operaram na direção oposta. Perto das 11h50, a ITUBJ49 — uma call, ou opção de compra, de ITUB4 cujo strike, o preço de exercício do contrato, estava fixado em R$ 49,03 — marcava 386,11%, a R$ 1,75. Na outra ponta da mesma sessão, a VALEJ779 recuava 56,60%, cotada a R$ 0,23.
Dois contratos, o mesmo horário, sentidos contrários. A alavancagem embutida nas opções amplia o movimento do ativo-objeto para cima e para baixo, e a reprecificação eleitoral não tratou todos os papéis de forma igual. Essa diferença, mais do que qualquer percentual isolado, é o que interessa a quem acompanha o pregão.
O placar das calls acompanhadas
| Contrato | Ativo | Strike | Variação | Preço |
|---|---|---|---|---|
| ITUBJ49 | ITUB4 | R$ 49,03 | +386,11% | R$ 1,75 |
| ITUBJ466 | ITUB4 | R$ 46,53 | +293,62% | — |
| ITUBJ505 | ITUB4 | R$ 45,79 | +252,50% | — |
| BBASJ270 | BBAS3 | R$ 25,04 | +180,00% | R$ 1,96 |
| BBASK259 | BBAS3 | — | +90,08% | — |
| BBASK260 | BBAS3 | — | +83,85% | — |
| PETRJ550 | PETR4 | R$ 53,86 | +137,08% | R$ 2,11 |
| PETRJ541 | PETR4 | R$ 52,36 | +129,58% | R$ 3,26 |
| PETRK576 | PETR4 | — | +65,52% | — |
| PETRK541 | PETR4 | — | +62,26% | — |
| VALEJ779 | VALE3 | — | -56,60% | R$ 0,23 |
| VALEJ754 | VALE3 | — | -55,38% | — |
| VALEJ799 | VALE3 | — | -51,85% | — |
| VALEK743 | VALE3 | — | -43,14% | R$ 1,45 |
Os percentuais retratam o mercado naquele instante e têm validade curta: mudam em minutos, conforme o ativo-objeto se move.
O risco que a ITUBJ49 já trazia antes da votação
Entre os contratos de Itaú, os prazos mais curtos lideraram a alta. A ITUBJ466, com strike em R$ 46,53, avançava 293,62%, e a ITUBJ505, de exercício a R$ 45,79, ganhava 252,50%. A ITUBJ49 se destacava por outro motivo: no cenário desenhado antes do pleito, figurava entre as alternativas de maior risco e poderia terminar out of the money — OTM, quando a ação fica abaixo do preço de exercício — mesmo em uma hipótese de alta de 10% de ITUB4, caso o papel não superasse o strike até o vencimento.
Isso não impede que o prêmio se valorize antes dessa data. Enquanto resta prazo, a cotação embute a probabilidade de a ação alcançar determinado nível, e é essa combinação que permite a um contrato negociado por poucos centavos exibir centenas por cento de ganho sem que a ação acompanhe na mesma proporção.
BB e Petrobras: força concentrada nos vencimentos curtos
No Banco do Brasil, a BBASJ270, de strike em R$ 25,04, subia 180%, a R$ 1,96. O contrato já aparecia entre os mais sensíveis da seleção antes da votação, pela proximidade entre o preço de exercício e um cenário de valorização acentuada de BBAS3. Os vencimentos longos avançaram menos: BBASK259 marcou 90,08% e BBASK260, 83,85%. Antes do primeiro turno, as opções de BBAS3 já carregavam prêmio de risco elevado, reflexo da incerteza maior em torno do papel no período eleitoral.
Na Petrobras, o padrão se repetiu. A PETRJ550, com strike de R$ 53,86, ganhava 137,08%, a R$ 2,11, e a PETRJ541, de exercício a R$ 52,36, subia 129,58%, a R$ 3,26. Nos contratos mais distantes do vencimento, a reação perdeu intensidade: PETRK576 avançou 65,52% e PETRK541, 62,26%.
A diferença mede o efeito do prazo. Opções próximas do vencimento tendem a responder de forma mais agressiva quando o papel se aproxima do strike; contratos longos carregam mais valor de tempo e costumam apresentar explosão percentual menor em um único movimento.
Vale na contramão: minério e China no radar
Do lado negativo, os contratos de Vale ilustram o custo da alavancagem. A VALEJ779 cedia 56,60%, a R$ 0,23; a VALEJ754, 55,38%; e a VALEJ799, 51,85%. No prazo mais longo, a VALEK743 recuou 43,14%, a R$ 1,45.
A divisão não é aleatória. Bancos e Petrobras tendem a responder com mais intensidade à reprecificação do cenário doméstico, enquanto a Vale está mais atrelada à dinâmica do minério de ferro e às expectativas para a economia chinesa.
Strike, prazo e volatilidade: a engrenagem dos 386%
Uma call confere ao titular o direito de comprar a ação pelo preço fixado no contrato. Quando o papel supera esse valor, a opção entra no dinheiro, ou ITM (in the money); abaixo dele, fica OTM; próxima ao strike, é classificada como ATM (at the money).
Antes do vencimento, a cotação incorpora tempo e volatilidade, e essa soma explica a amplitude vista na sessão. Há ainda o efeito gama, que mede como o delta — a sensibilidade do prêmio aos movimentos da ação — se altera: quando o papel se aproxima rapidamente do strike, essa sensibilidade cresce. A volatilidade implícita das opções de PETR4, por exemplo, saiu de uma faixa perto de 29% para cerca de 47% no acompanhamento feito antes da votação.
O que a assimetria muda para quem tem exposição
A dispersão entre os contratos — de +386,11% em Itaú a -56,60% em Vale — não é ruído: é a medida exata da alavancagem. Quem compra uma call aposta em direção, prazo e magnitude ao mesmo tempo, e o prêmio pode perder boa parte do valor quando a ação se afasta do strike no sentido contrário e o vencimento se aproxima.
O mesmo mecanismo que multiplicou o prêmio das calls bancárias cortou pela metade o valor dos contratos da mineradora em poucas horas, e o tamanho dessa oscilação depende de três variáveis que mudam a cada pregão: volatilidade implícita, tempo restante até o vencimento e distância em relação ao strike. Para quem acompanha esse mercado, a sessão deixou uma leitura objetiva sobre risco: os percentuais de três dígitos vêm acompanhados de perdas igualmente expressivas, e a reprecificação de um evento político não chega de forma uniforme a todos os ativos.
