Bitcoin tenta se firmar acima de US$ 82 mil após testar os US$ 80 mil
O Bitcoin negocia em leve queda nesta sexta-feira (9), a US$ 82.591, variação de -0,3% nas últimas 24 horas. O número, isolado, esconde um pregão bem mais agitado: na véspera, a moeda foi negociada perto de US$ 80.300 antes de reagir e retomar o terreno acima dos US$ 82 mil. Em reais, a cotação era de R$ 415.546.
O movimento desta sexta-feira freia a série de baixas dos últimos dias, ainda que o saldo acumulado desde o início da semana permaneça negativo em aproximadamente US$ 6 mil por unidade. A reação mostra que a faixa dos US$ 80 mil voltou a encontrar compradores, ao menos temporariamente.
| Criptoativo | Variação em 24h | Cotação |
|---|---|---|
| Bitcoin (BTC) | -0,3% | US$ 82.591 |
| Ethereum (ETH) | -2,2% | US$ 2.496 |
| XRP | -0,7% | não informada |
| Solana (SOL) | -3,9% | não informada |
| BNB | -3,2% | não informada |
O gatilho: trégua verbal entre Washington e Teerã
A melhora do humor nos mercados veio de uma publicação de Donald Trump na Truth Social. O presidente dos Estados Unidos afirmou que o país não lançará novos ataques militares contra o Irã antes do pleito legislativo marcado para 3 de novembro. As conversas diplomáticas entre as duas nações foram classificadas por ele como produtivas, embora o bloqueio imposto pelos americanos continue em vigor.
Com menos temor de uma escalada militar no Oriente Médio, o prêmio de risco embutido nos ativos caiu. O petróleo, que havia disparado, devolveu parte do movimento: os contratos futuros do WTI saltaram de cerca de US$ 89 para US$ 93,20 após notícias sobre possíveis ataques, mas recuaram para perto de US$ 90,70. Na quinta-feira, o Brent fechou com ganho de 4,1%, a US$ 104,28 o barril.
Energia mais cara interessa diretamente a quem investe: custos de combustível e logística se espalham por produtos e serviços, alimentam a inflação e dificultam cortes de juros nos Estados Unidos. O petróleo em alta também empurrou o rendimento dos títulos do Tesouro americano — a remuneração que o governo dos EUA paga para se financiar, referência global de aplicação segura —, o que reduz a atratividade relativa dos ativos de risco. Na quinta-feira, o Nasdaq cedeu 1,3% e o S&P 500 recuou 0,5%.
ETFs: US$ 729 milhões em resgates em dois pregões
| Fundo | Fluxo líquido (quinta-feira) |
|---|---|
| Bitcoin à vista | -US$ 244 milhões |
| Ethereum | -US$ 73 milhões |
| Zcash | -US$ 19 milhões |
| Solana | -US$ 3 milhões |
| XRP | +US$ 8 milhões |
Os ETFs à vista são fundos listados em bolsa que carregam a criptomoeda de verdade em carteira, o que faz do fluxo de entrada e saída um termômetro direto da demanda institucional. No caso do Bitcoin, os resgates somaram cerca de US$ 244 milhões na quinta-feira, depois de US$ 485 milhões na quarta. Em dois pregões, a sangria chega a aproximadamente US$ 729 milhões, conforme dados da SoSoValue.
O XRP foi o único entre os grupos acompanhados a atrair recursos, com entradas de cerca de US$ 8 milhões. Desde o lançamento, os fundos ligados ao token acumulam US$ 1,81 bilhão em captações, volume superior aos US$ 1,59 bilhão registrados pelos ETFs de Solana.
Derivativos: US$ 1,19 bilhão em liquidações na quinta-feira
A queda também passou pelo mercado de derivativos. Aproximadamente US$ 1,19 bilhão em posições alavancadas foram liquidadas na quinta-feira, com predominância de apostas na alta dos preços. A liquidação é o encerramento automático de uma operação quando a garantia depositada deixa de cobrir o prejuízo — e, como ocorre de uma só vez, costuma intensificar o movimento que a originou.
Os níveis que analistas monitoram
Vikram Subburaj, CEO da exchange Giottus, identifica os US$ 81 mil como o primeiro piso a ser defendido. Abaixo disso, avalia, o Bitcoin poderia voltar aos US$ 80 mil e, na sequência, buscar a região de US$ 77.200. Para uma melhora mais consistente, seria preciso reconquistar US$ 83.300 e, depois, US$ 85.500, de preferência com reforço nas entradas dos ETFs.
Já Purvang Mashru, analista-chefe da BitDelta India, vê nos US$ 82 mil uma barreira relevante no curtíssimo prazo. Sustentar esse patamar ajudaria a estabilizar o mercado; uma nova perda abaixo de US$ 80.316, por outro lado, aumentaria a chance de a correção ganhar continuidade.
O que observar daqui para frente
A trégua entre Washington e Teerã oferece alívio, mas não resolve os obstáculos que vinham pressionando o Bitcoin: inflação persistente, juros americanos elevados e dúvidas sobre o ritmo da economia global. A continuidade da recuperação depende de três variáveis — o comportamento do petróleo, a trajetória dos juros nos Estados Unidos e a volta do fluxo para os ETFs de criptomoedas.
Para o investidor brasileiro, há uma camada extra: o Bitcoin é cotado em dólar, e o câmbio pode amplificar ou atenuar a variação vista lá fora. Em dia de humor mais construtivo, o preço em reais combina a recuperação técnica com a força — ou a fraqueza — do real.
