O Bitcoin (BTC) escalou até US$ 83.944 na Bitstamp nesta terça-feira (13 de outubro), avanço superior a 2,5%, mas parou antes de romper a barreira de US$ 84 mil — um teto de oferta formado nos livros de negociação das exchanges. O movimento veio na contramão da bolsa sul-coreana: o KOSPI ampliou as perdas da semana para 7,4% e caiu abaixo de sua média móvel de 200 dias (referência de tendência de longo prazo), algo que não ocorria desde o fim de julho. A divergência entre a cripto e as ações de tecnologia asiáticas é o dado central do dia.
Cripto devolve a queda da véspera e trava em US$ 84 mil
O BTC havia operado perto de US$ 81 mil e recuperou o terreno perdido na sessão seguinte, voltando à parte superior de uma faixa respeitada há semanas, com piso em US$ 80 mil e teto em US$ 87 mil. A máxima intradiária na Bitstamp ficou em US$ 83.944.
A dificuldade para avançar tem explicação técnica: nos livros de ofertas das exchanges, a região dos US$ 84 mil concentrava uma faixa cada vez mais espessa de ordens de venda — a chamada liquidez de venda, que age como uma parede temporária para o preço. O mapa da CoinGlass mostrava esse adensamento, e operadores relataram dificuldade dos compradores em sustentar cotações acima desse nível em gráficos de curto prazo.
Semicondutores derrubam o KOSPI
Na Coreia do Sul, o epicentro da saída de recursos foi o setor de chips. A SK Hynix fechou com desvalorização superior a 10%, e a Samsung entrou nesse pregão fragilizada por resultados do terceiro trimestre divulgados na semana anterior, abaixo do esperado.
O fluxo dimensiona a pressão: investidores estrangeiros venderam cerca de 173 trilhões de won — perto de US$ 129 bilhões — em ações da SK Hynix e da Samsung desde o início de 2026, respondendo pela maior parte das vendas acumuladas no KOSPI no ano.
O episódio remete à liquidação de agosto, quando temores sobre o ciclo de investimentos em inteligência artificial e sobre as dívidas corporativas associadas a ele contaminaram mercados globais. O pano de fundo é a realização de lucros em papéis ligados à IA, sobretudo chips de memória, que acumularam forte valorização em 2026. A concorrência chinesa aparece como agravante do nervosismo coreano, ainda que o setor no país vizinho enfrente obstáculos tecnológicos próprios.
Por que a cripto não seguiu o mesmo caminho
Em agosto, o Bitcoin caiu junto com as ações. Agora, subiu enquanto o índice coreano afundava. Parte da leitura do mercado atribui a força relativa do BTC à expectativa de afrouxamento da política monetária nas grandes economias, aposta reforçada pela agenda da semana.
Os principais dados de inflação dos Estados Unidos saem nos próximos dias e antecedem a decisão do Federal Reserve (Fed), o banco central norte-americano, marcada para 28 de outubro. A expectativa dominante é de manutenção dos juros no intervalo atual, de 2,75% a 4%.
Fluxo de ETFs segue negativo
O preço subiu, mas o apetite por veículos listados não acompanhou. Os fundos negociados em bolsa (ETFs) de Bitcoin à vista dos EUA — produtos que replicam a cotação da moeda com lastro em BTC — acumulam US$ 451 milhões em saídas líquidas em outubro, das quais US$ 69 milhões apenas na segunda-feira.
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Máxima do BTC na Bitstamp | US$ 83.944 |
| Variação do BTC na terça-feira | +2,5% |
| Faixa de negociação | US$ 80 mil a US$ 87 mil |
| Queda semanal do KOSPI | 7,4% |
| SK Hynix no fechamento | -10% |
| Vendas estrangeiras em SK Hynix e Samsung em 2026 | 173 trilhões de won (US$ 129 bi) |
| Saídas líquidas de ETFs à vista em outubro | US$ 451 milhões |
| Saída líquida de ETFs na segunda-feira | US$ 69 milhões |
| Decisão do Fed | 28 de outubro |
O que observar daqui para frente
O Bitcoin não acompanhou o pânico asiático, ao contrário do que ocorreu em agosto. Isso não configura descolamento estrutural: a cripto segue presa a uma faixa de negociação e depende de fluxo novo para se firmar acima dos US$ 84 mil. A resistência mapeada nos livros de ofertas indica que há oferta disposta a vender nesse patamar, e que a alta precisa de volume para ganhar consistência.
O termômetro imediato é o fluxo dos ETFs à vista. Saídas líquidas de US$ 451 milhões em outubro mostram que parte dos investidores reduziu exposição mesmo com o preço em recuperação. Se esse movimento persistir após os dados de inflação e a reunião do Fed, a alta tende a perder combustível.
Para quem investe a partir do Brasil, dois pontos pesam. O primeiro é o câmbio: a valorização do BTC é medida em dólar, e a conversão para real altera o retorno de quem acompanha o ativo por aqui. O segundo é a correlação — nesta terça-feira a cripto se comportou como aposta separada das ações de tecnologia, mas continua sensível ao humor global, sobretudo a decisões de juros nos EUA.
