A Bitfinex desativou a integração com o Pix que permitia a clientes converter USDT em reais e liquidar pagamentos sem sair da plataforma. O corte passou a valer em 14/10/2026 e atinge o SWAPiX, ferramenta da brasileira Smartpay que ligava as operações com a stablecoin Tether ao sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central. A corretora não revelou o motivo, não apresentou substituto para depósitos e saques em reais e também não sinalizou saída do mercado brasileiro — mas o anúncio chega a duas semanas do prazo final que o regulador concedeu às empresas que já operavam no país.

O que saiu do ar na Bitfinex

Para os clientes, o caminho operacional era o Fast Pay, recurso embutido no aplicativo da corretora. Quem mantinha saldo em USDT — uma stablecoin, criptomoeda atrelada ao dólar — podia converter o valor e quitar pagamentos por Pix sem levar os ativos para outra plataforma. A verificação de identidade, exigida pela exchange, era condição para usar a ferramenta. Com o encerramento, tudo o que dependia do SWAPiX deixou de responder tanto na versão web quanto no aplicativo móvel.

A parceria com a Smartpay foi iniciada em 2021 e ganhou novas funções em julho de 2023, quando a conversão de USDT passou a sustentar saques em reais via Pix.

O comunicado se limita a esse ponto. Nenhuma linha trata de mudanças na negociação de Bitcoin, Ethereum ou outros criptoativos listados na plataforma, tampouco de um cronograma para deixar o país. A Smartpay segue operando e mantém produtos próprios que convertem USDT em reais e viabilizam pagamentos por Pix.

O calendário que empurra o setor para a autorização

MarcoData
Regras do BC para prestadoras de serviços de ativos virtuais publicadasnovembro de 2025
Normas em vigorfevereiro de 2026
Documentação da primeira fase do pedido de autorizaçãoaté 30 de outubro
Resolução BCB nº 589 restringe operações com não autorizadasa partir de 6 de novembro

As normas que disciplinam as prestadoras de serviços de ativos virtuais — categoria que reúne corretoras e outras intermediárias de criptomoedas — foram publicadas em novembro de 2025 e passaram a valer em fevereiro de 2026. O pacote cobre prevenção à lavagem de dinheiro, controles internos, segurança cibernética, governança e capital mínimo. Quem já estava no mercado recebeu um período de transição e tem de entregar a papelada da primeira fase do pedido de autorização até 30 de outubro. A Resolução BCB nº 589 acrescenta outra trava: a partir de 6 de novembro, bancos e instituições de pagamento ficam impedidos de executar ou viabilizar um conjunto determinado de operações com empresas de criptoativos que sigam sem autorização ou fora das exceções previstas.

Quem já deixou o mercado

EmpresaMovimentoDatas
Coinextencerrou operações com cripto por não atingir capital mínimofundada em 2017
NovaDAXdescontinuou atividades no Brasilanúncio em junho; negociação encerrada em julho
Digitra.comfim da negociação e custódia no varejo; sem pedido de autorização ao BCcronograma de retirada de recursos
Bityencerra plataforma; clientes migram para Mercado Bitcoin ou Bipadepósitos em reais suspensos em 8 de outubro; compra e venda até 25 de novembro
Binancemigra usuários para estrutura local via Sim;paulcontas de pagamento em reais e Pix

A Coinext, fundada em 2017, concluiu que as alternativas para manter o negócio não se sustentavam e encerrou as operações com criptomoedas por não alcançar o capital mínimo cobrado pela regulação. A NovaDAX anunciou a saída do país em junho, paralisou as negociações no mês seguinte e iniciou um processo escalonado de retirada de recursos pelos clientes. A Digitra.com informou que decidiu não protocolar pedido de autorização junto ao Banco Central e montou um cronograma de resgate e conversão dos ativos que sobraram, encerrando a custódia de criptomoedas no varejo. A Bity deixou de receber depósitos em reais em 8 de outubro e marcou 25 de novembro como data-limite para as operações de compra e venda, oferecendo a transferência de contas e ativos para o Mercado Bitcoin ou a Bipa.

No grupo que escolheu permanecer, a Binance começou a transferir clientes brasileiros para uma operação local apoiada na Sim;paul, empresa que a exchange comprou e que já conta com aval do Banco Central. A transição inclui contas de pagamento para movimentação em reais e uso do Pix.

O que a decisão da Bitfinex muda — e o que não muda

O encerramento do SWAPiX tem natureza diferente dos fechamentos listados acima. Não se trata de desmontar a operação brasileira, mas de desativar um trilho de liquidação em reais. A negociação de criptomoedas na plataforma segue sem anúncio de interrupção; o que desaparece é a etapa que evitava a passagem por outra corretora para transformar USDT em reais.

Também não existe confirmação de que o prazo do Banco Central tenha motivado o corte. A proximidade entre as duas datas é evidente — o anúncio saiu a duas semanas do limite para a primeira fase dos pedidos —, mas a empresa não fez essa ligação publicamente e a mensagem entregue aos usuários se restringe ao SWAPiX. Sem motivo declarado e sem alternativa anunciada para depósitos, saques ou pagamentos em reais, a leitura mais segura é a de que a Bitfinex reduziu o escopo de um serviço específico, não o de sua presença no país.

Para o investidor que mantém recursos em corretoras que atuam no Brasil, o ponto de atenção está no calendário regulatório. A partir de 6 de novembro, instituições de pagamento passam a ter restrições para interagir com prestadoras que sigam sem autorização ou fora das exceções previstas. Vale acompanhar em que fase do processo cada plataforma está e como pretende manter as rotas de entrada e saída em reais — em um mercado que vinha tratando o Pix como infraestrutura padrão, a perda desse trilho altera custo, prazo e número de intermediários em cada operação.