O BTG Pactual apresentou a lista de outubro de sua carteira de dividendos, formada por dez papéis, e a projeção de rendimento em proventos chega a 11,8% em 2026. Itaú Unibanco (ITUB4) e Petrobras (PETR4) dividem a maior fatia da seleção: 15% cada um.

Quatro saídas, uma entrada e dois pesos dobrados

A composição mudou de forma relevante em relação à versão anterior. Bradesco (BBDC4), Sanepar (SAPR11), Engie Brasil (EGIE3) e TIM (TIMS3) deixaram a lista. Quem ocupou a brecha foi a B3 (B3SA3), com 10%. Cury (CURY3) viu sua fatia cair pela metade, de 10% para 5%.

Em Itaú e Petrobras, o espaço dobrou: de 10% para 15% em cada. Compass (PASS3) e Sabesp (SBSP3) também avançaram, de 5% para 10%. Copel (CPLE6), Vale (VALE3) e Axia Energia (AXIA3) permaneceram com 10%, enquanto Allos (ALOS3) seguiu com 5%.

O rendimento projetado de cada papel

Na estimativa do banco, o maior dividend yield de 2026 pertence a Allos (ALOS3): 11,8%. Petrobras aparece em seguida, com 9,9%, e Vale (VALE3), com 8,7%. O dividend yield, ou DY, relaciona o provento por ação ao preço do papel — não é retorno garantido nem se limita ao mês de outubro.

AçãoTickerPesoDY 2026 projetado
Itaú UnibancoITUB415%não divulgado
PetrobrasPETR415%9,9%
B3B3SA310%não divulgado
CompassPASS310%não divulgado
SabespSBSP310%não divulgado
ValeVALE310%8,7%
CopelCPLE610%não divulgado
Axia EnergiaAXIA310%não divulgado
AllosALOS35%11,8%
CuryCURY35%não divulgado

O banco divulgou a projeção de yield para apenas três dos dez papéis.

Concentração em dois nomes e o que ela muda

Com duas posições de 15%, a carteira passa a ter quase um terço de seu peso concentrado em Itaú e Petrobras. Concentração tende a deixar o desempenho mensal mais dependente desses dois pagadores de proventos e menos de uma média ampla de papéis, o que altera o perfil de risco da estratégia em relação à lista anterior.

O caso de Allos ajuda a entender o critério. A companhia tem a maior projeção de rendimento, mas recebeu a menor fatia da seleção. O contraste pode indicar que o rendimento esperado não é o único filtro — conforme o BTG, a escolha prioriza empresas de alta qualidade, com resiliência na entrega de resultados e geração de caixa. Papéis com yield elevado, historicamente, tendem a embutir a expectativa de que o patamar se mantenha, o que nem sempre se confirma.

A carteira é revista a cada mês por um grupo que reúne as equipes de análise de empresas e de estratégia do BTG. Para quem acompanha a seleção, o giro de nomes e a mudança de pesos são o indicativo mais direto de como o banco ajusta sua leitura sobre geração de caixa no curto prazo.