Em 14 anos no Peru, BTG só agora obtém licença de banco
O BTG Pactual (BPAC11) passou a dispor de licença para operar como banco no Peru. A autorização, concedida nesta terça-feira (29) pela Superintendência de Banca, Seguros e AFP (SBS), reguladora do sistema financeiro local, encerra mais de 14 anos de presença no país em que o grupo atuava apenas com corretora, gestão de recursos e banco de investimento.
A nova instituição se chamará Banco BTG Pactual Perú S.A. e nasce com capital inicial de US$ 100 milhões. O pedido havia sido protocolado em julho de 2025. A aprovação fecha uma etapa formal, mas ainda não abre as portas ao público: o grupo entra agora na fase final de preparativos para colocar a estrutura de pé.
Com a licença em mãos, o cardápio de produtos no mercado peruano se amplia. Passam a caber na oferta serviços de banco corporativo, tesouraria e banco de investimento — segmentos que dependiam de uma autorização bancária plena que o BTG ainda não tinha por lá. A operação deixa de ser uma mera extensão de banco de investimento e passa a integrar a lista de estruturas bancárias próprias que o grupo mantém na região.
O dado que muda a leitura: a carteira migra para fora
O anúncio, isolado, diz pouco a quem acompanha o papel. O que reposiciona a história está na geografia do balanço. Cerca de 20% do crédito do BTG estava fora do Brasil no ano passado. Ao encerramento do trimestre mais recente, a fatia havia se aproximado de 25%. A receita segue o mesmo vetor: aproximadamente 20% do faturamento já nasce de operações realizadas no exterior.
A sequência importa. O avanço da fatia internacional no crédito ocorreu antes mesmo de o banco peruano começar a rodar. Ou seja, a licença recém-obtida se soma a um movimento que já estava em curso, e não o inaugura.
Essa frente também já era tratada internamente como eixo prioritário. No segundo trimestre de 2026, Renato Cohn, CFO do BTG, apontou a operação fora do país como um dos pilares para fazer a carteira de crédito crescer nos anos seguintes.
Uma estratégia montada em etapas, não em um único lance
A licença peruana não surge no vácuo. A internacionalização do BTG foi sendo erguida em movimentos sucessivos, com concentração nas Américas:
| Período | Movimento |
|---|---|
| Julho deste ano | Conclusão da compra do HSBC Uruguai |
| Janeiro deste ano | Aquisição do M.Y. Safra Bank, nos Estados Unidos |
| 2023 | Compra do FIS Privatbank, em Luxemburgo, por 213 milhões de euros |
A operação uruguaia, concluída em julho, e a compra do M.Y. Safra Bank, fechada em janeiro, mostram um ritmo de aquisições que seguiu firme ao longo de 2026. A licença peruana representa um tipo diferente de movimento: em vez de adquirir uma estrutura pronta, o BTG constituiu sua própria operação bancária no país, a partir de um pedido protocolado mais de um ano antes da aprovação.
A esses ativos se somam as unidades que o banco já mantinha em Portugal, Espanha e Reino Unido. Segundo o executivo, a estratégia externa levou anos para ser montada, com aportes em tecnologia, produtos e presença nova em cada praça.
O que observar daqui para frente
Para quem acompanha o papel, o enquadramento é de composição. Cada licença ou aquisição aumenta a fatia da operação internacional no crédito e nas receitas, como evidenciam os patamares de 20% e 25%. Isso tende a diluir a dependência do mercado doméstico ao mesmo tempo em que multiplica as jurisdições supervisionadas, cada uma com regras, moedas e ciclos próprios.
Para quem tem exposição ao papel, o ponto central não é a licença em si, e sim o desenho de um banco cuja performance passa a depender cada vez menos de um único mercado. Esse desenho tende a trazer diversificação de receitas, mas exige que o investidor acompanhe indicadores de várias geografias, e não apenas os domésticos.
- O prazo até o Banco BTG Pactual Perú S.A. começar a operar, hoje ainda em fase final de preparação.
- Se a fatia internacional do crédito mantém a trajetória de alta após o banco peruano entrar em atividade.
- Se as operações recém-adquiridas — Uruguai e Estados Unidos — ganham peso adicional na receita.
