A última semana de abril coloca o mercado financeiro em estado de alerta com a "Super Quarta", quando Banco Central e Federal Reserve anunciam suas diretrizes de juros, enquanto uma bateria de indicadores de inflação, atividade e emprego dita o ritmo da economia.
Cenário Doméstico: Copom, Inflação e Mercado de Trabalho
No plano interno, o foco recai sobre a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária), que define a taxa Selic (Sistema Especial de Liquidação e de Custódia), atualmente em 14,50%. O anúncio ocorre na quarta-feira (29), dia que também traz o IGP-M (Índice Geral de Preços do Mercado) de abril, as pesquisas de sondagem da FGV para comércio e serviços, o fluxo cambial e o resultado primário das contas do Governo Central. A semana abre na segunda (27) com o relatório da dívida pública do Tesouro, o IPCA da FIPE, o INCC-M (Índice Nacional de Custo da Construção - Mercado) e a sondagem da construção civil. O Banco Central entrega ainda o Relatório Focus (boletim de expectativas de mercado) e uma nota sobre política monetária e crédito, fechando o dia com a balança comercial semanal.
| Data | Indicador | Foco de Análise |
|---|---|---|
| 27/abr | IPCA-FIPE / INCC-M | Preços e setor imobiliário |
| 28/abr | IPCA-15 | Prévia da inflação oficial |
| 29/abr | IGP-M / Resultado Primário | Inflação atacado e contas públicas |
| 30/abr | Caged / Pnad Contínua | Geração de vagas e desemprego |
Na terça (28), a atenção se volta para a sondagem da indústria da FGV e, crucialmente, para o IPCA-15 de abril (prévia da inflação oficial, calculada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), balizador das apostas para a política monetária. A quinta (30) destaca o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), que revela a geração de vagas formais de março, e a Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), com a taxa de desemprego. O Banco Central divulga estatísticas fiscais e a FGV apresenta seu indicador de incerteza econômica.
Cenário Internacional: Foco no Fed e Atividade Econômica nos EUA
Do lado externo, o Federal Reserve conduz a narrativa. Na terça (28), o índice de confiança do consumidor dá o tom. Na quarta (29), além da balança comercial, o mercado precifica uma taxa de 3,75% na decisão do Fed, seguida pelo discurso do presidente Jerome Powell. A quinta (30) traz dados estruturais: renda e gastos pessoais, o deflator do PCE (Índice de Preços de Despesas de Consumo Pessoal, métrica preferida pelo Fed para medir inflação), pedidos semanais de seguro-desemprego e a primeira leitura do PIB (Produto Interno Bruto) do primeiro trimestre, com expectativa de expansão anualizada de 2,1%. O fechamento ocorre na sexta (1º), com os índices PMI (Índice de Gestores de Compras) e o ISM (Institute for Supply Management) da manufatura, avaliando o fôlego industrial americano.
Temporada de Balanços
Paralelamente aos indicadores macroeconômicos, a divulgação de resultados do primeiro trimestre de 2026 segue em andamento, com destaque para a Usiminas, que apresenta seus números na sexta-feira.
O que isso significa para o investidor
O diferencial de juros entre o Brasil e os Estados Unidos permanece em patamar elevado, favorecendo o fluxo de capital para a renda fixa local e influenciando a cotação do dólar. A manutenção da Selic em 14,50% sinaliza que o Banco Central prioriza a ancoragem das expectativas inflacionárias, enquanto o corte nos Estados Unidos para 3,75% indica um ciclo de afrouxamento monetário em curso. Investidores de renda variável devem monitorar o IPCA-15 e os balanços corporativos para avaliar a capacidade de as empresas repassarem custos e manterem margens líquidas em um ambiente de crédito caro.
Fatores de Risco e Atenção
- Surpresas positivas ou negativas no IPCA-15 podem antecipar ou postergar o início do ciclo de cortes da taxa básica de juros.
- O tom do discurso de Jerome Powell e a trajetória do deflator do PCE podem gerar alta volatilidade em ativos globais e emergentes.
- Dados do Caged e da Pnad Contínua que mostrem desaceleração brusca na geração de emprego podem pressionar o consumo interno e os resultados corporativos do T1 2026.
Os próximos passos envolvem a análise cruzada dos dados divulgados nesta semana para calibrar posições em prefixados e ativos atrelados à inflação. O acompanhamento do discurso do presidente do Fed e a evolução do PIB americano definirão o apetite por risco nos mercados internacionais nas próximas quinzenas.
