A carteira recomendada de ações da Planner para outubro chega depois de um setembro em que o portfólio rendeu 1,31%, enquanto o Ibovespa avançou 5,03%. A resposta da casa foi enxuta: apenas duas substituições, com Copasa (CSMG3) e CPFL Energia (CPFE3) deixando a lista para dar lugar a Petrobras (PETR4) e Sabesp (SBSP3).
A composição segue com dez ações, sem nenhuma outra mudança além das duas cadeiras trocadas. A justificativa para mexer tão pouco é que papéis de companhias sólidas acompanharam a queda do mercado no encerramento de setembro; na avaliação da Planner, num movimento consistente de retomada da bolsa, esses nomes sairiam na frente. O contraste entre 1,31% e 5,03% dá a medida do tamanho dessa aposta: a casa manteve a estrutura do portfólio mesmo após um mês de desempenho bem inferior ao do índice.
Petrobras: 90% da produção nacional e proventos trimestrais
A leitura dos analistas sobre a estatal é construtiva. Entre os argumentos está a fatia de aproximadamente 90% que a companhia representa na produção nacional, somada a uma gestão voltada a caixa e governança.
Fluxo de caixa livre é o dinheiro que resta ao fim de um período depois dos investimentos obrigatórios; proventos são os pagamentos feitos ao acionista, aqui em intervalos trimestrais.
Sabesp: corte de custos, margens e leilões de saneamento
A Sabesp volta ao portfólio ancorada na percepção de valor. Os argumentos reunidos pela casa incluem corte de custos e despesas, ganho de eficiência na operação e ampliação da base de ativos. A Planner cita ainda a posição dominante da companhia em São Paulo, margens consistentes, capacidade de execução e a chance de disputar leilões de saneamento, cujos contratos ampliariam a receita já existente dentro da concessão atual.
Os oito nomes mantidos
Além das duas entradas, outras oito ações seguem na seleção:
| Empresa | Ticker |
|---|---|
| Cogna | COGN3 |
| Direcional | DIRR3 |
| Itaú Unibanco | ITUB4 |
| Lojas Renner | LREN3 |
| Porto | PSSA3 |
| Grupo SBF | SBFG3 |
| Telefônica Brasil | VIVT3 |
| WEG | WEGE3 |
Balanços do 3º trimestre entram na conta junto com o tarifaço
Na leitura da Planner, os balanços do terceiro trimestre de 2026 e o grau de consistência dos números reportados pelas empresas devem disputar a atenção com o noticiário político em outubro.
Na prática, o alerta aponta para duas fontes de pressão: o custo financeiro, que corrói o lucro de companhias com dívida elevada — as chamadas alavancadas —, e os efeitos do tarifaço de Trump sobre custos. Balanços mais apertados tendem a sofrer mais com esse conjunto de fatores.
A eleição de 25 de outubro vale mais que o primeiro turno
Para a Planner, o que deve mexer com a bolsa em outubro é o desfecho das eleições marcadas para 25 de outubro, mais do que o primeiro turno do próximo domingo, que, na visão da casa, não será suficiente para definir quem ocupará a Presidência nos próximos quatro anos.
O que o 1,31% de setembro sinaliza para quem segue a carteira
A distância entre o 1,31% da carteira e os 5,03% do Ibovespa em setembro ilustra um ponto recorrente em portfólios enxutos, com dez nomes: em meses de alta forte do índice, a seleção de papéis pode ficar para trás sem que a tese tenha se rompido. Historicamente, carteiras concentradas tendem a apresentar desvios maiores em relação ao Ibovespa — para cima ou para baixo — do que produtos que replicam a composição do índice. O desempenho de um único mês carrega menos informação do que a trajetória acumulada, e o que muda em outubro é o peso do noticiário eleitoral e dos balanços sobre esse desvio.
