Carteira de Bitcoin parada desde 2013 movimenta R$ 167 milhões

Um endereço Bitcoin que passou 13 anos sem enviar uma única fração de moeda voltou a operar no domingo e transferiu 411,45 BTC — cerca de US$ 33,4 milhões, o equivalente a R$ 167 milhões — para uma carteira recém-criada, conforme levantamento da Galaxy Research. O episódio ganha peso porque o endereço, identificado pelo prefixo 13Coop, aparece na lista de 39.069 alvos de uma ação judicial em Nova York que tenta tratar carteiras paradas como propriedade abandonada.

Os números do despertar

A carteira recebeu seu primeiro e único aporte em 11 de setembro de 2013, quando o Bitcoin era negociado perto de US$ 130. Naquele momento, o capital injetado somava algo como US$ 54 mil. A Galaxy estima que o custo médio de aquisição do detentor tenha ficado em US$ 127, o que projeta uma valorização superior a 64.000%.

MétricaValor
Bitcoin transferido411,45 BTC
Valor na data da transferênciaUS$ 33,4 milhões (~R$ 167 milhões)
Data do financiamento original11 de setembro de 2013
Cotação do BTC na época~US$ 130
Capital originalmente aportado~US$ 54 mil
Custo médio estimado (Galaxy)~US$ 127
Ganho potencialMais de 64.000%
Endereços citados no processo39.069
BTC sob disputa judicial~3,8 milhões

Dados da Arkham mostram que as moedas foram direcionadas a um único endereço novo e seguem lá. A transferência não passou por corretora, o que impede qualquer leitura imediata sobre intenção de venda: sem uma exchange no caminho, converter os BTC em reais exigiria etapas adicionais.

A ação judicial que tenta enquadrar carteiras antigas

Neste ano, um autor que se identifica pelo pseudônimo Noah Doe, junto de duas empresas do Wyoming, protocolou em Nova York um processo sustentando que carteiras sem movimentação — que somam aproximadamente 3,8 milhões de BTC — se enquadram como bens abandonados pelas regras estaduais de achados e perdidos. A tese se sustenta mesmo sem a posse das chaves privadas.

A Galaxy rotulou o endereço de envio como Noah Doe #970 e o incluiu entre os alvos de uma campanha de 2025 que depositou pequenas quantias de Bitcoin com mensagens embutidas em carteiras inativas — material que, segundo a empresa, serviria de base para a alegação de abandono. Registros da Arkham mostram uma sequência desses depósitos, classificados como extraídos, alguns deles marcados como phishing.

Por que cada movimento enfraquece a tese de abandono

Gastar moedas exige as chaves privadas. Cada carteira que volta a se mexer contraria a premissa central do processo e reduz o universo de endereços que poderiam ser tratados como abandonados. Alex Thorn, chefe de pesquisa da Galaxy, notou que o ritmo de movimentação das moedas inativas do grupo Noah Doe na blockchain vem ganhando velocidade a cada mês.

Uma onda de despertadores em 2026

O caso 13Coop integra um movimento mais amplo. Segundo a Galaxy Research, Bitcoins antigos têm se movimentado em ritmo incomum em 2026. Há pouco mais de uma semana, uma carteira da era Satoshi minerada em 2010 foi movimentada pela primeira vez em 16 anos. No fim de setembro, cerca de US$ 161 milhões em moedas com uma década de idade mudaram de mãos ao longo de aproximadamente duas semanas. Na semana passada, uma baleia transferiu US$ 377 milhões depois de segurar a posição durante todas as grandes quedas do mercado desde 2020.

O que isso significa para quem investe em Bitcoin

Três leituras se destacam. A primeira é jurídica: o processo de Nova York tenta criar uma categoria de propriedade para moedas sem dono aparente, e cada despertar serve de contraprova empírica ao argumento dos autores. A segunda é de oferta: carteiras que voltam a se movimentar podem, em algum momento, colocar moedas no mercado, ainda que a transferência para endereço não identificado não indique venda imediata. A terceira é comportamental: a recorrência de movimentações de carteiras muito antigas em 2026 sugere que detentores de longo prazo estão reavaliando posições — ou reagindo a estímulos, como os depósitos com mensagens embutidas.

Para o investidor brasileiro, o ponto prático é acompanhar o desfecho do processo. Uma decisão favorável aos autores criaria um precedente inédito sobre a titularidade de moedas sem chaves acessíveis, tema com desdobramentos para custódia e para a segurança jurídica do mercado cripto. Enquanto isso, cada nova carteira que desperta adiciona evidência ao outro lado da balança.