XP zera KNRI11 e reforça XPLG11, RBRR11 e RBRX11 na seleção de FIIs

A XP Investimentos refez a carteira de fundos imobiliários (FIIs) que indica para outubro e encerrou a posição em KNRI11. A corretora também enxugou LVBI11 e KNCR11 em 0,75 e 0,25 ponto percentual, respectivamente, e direcionou o espaço aberto a três fundos: XPLG11 e RBRR11 ganharam 1 p.p. cada, e RBRX11 subiu 0,50 p.p. A lista reúne 15 fundos e passa por revisão mensal, com alterações que podem ocorrer ou não a cada rodada.

O relatório que embasa os ajustes é assinado pelos analistas Marx Gonçalves e Eduardo Bacelar. A lógica dos cortes, segundo a casa, é tirar peso de fundos com menor espaço para valorização, poucos gatilhos de curto prazo e cota já bem precificada. As adições seguem o caminho inverso: carteiras de qualidade, oscilação menor, mais espaço para ganho de capital e carrego — o rendimento corrente da cota — atrativo.

IFIX recua pela quinta vez e a seleção da XP avança 0,60% no ano

O IFIX, índice que agrupa os FIIs de maior liquidez da B3, perdeu 0,20% em setembro, na quinta baixa mensal consecutiva, e acumula -0,53% em 2026. A carteira montada pela XP andou na direção contrária no ano: avança 0,60%, ainda que tenha ficado atrás no mês, com recuo de 0,41% ante os 0,20% de baixa do índice.

Os proventos distribuídos pela seleção equivaleram a um dividend yield — o retorno em rendimentos sobre o preço da cota — de 1,02% em setembro. É esse fluxo que mede o que a cota devolveu ao cotista num mês de preço em queda.

Após as alterações de outubro, a fatia de cada segmento ficou assim:

SegmentoPeso na carteira
Recebíveis41%
Logística21%
FOFs/Multiestratégia17,5%
Shoppings16%
Lajes corporativas4,5%

Copom leva a Selic a 13,75% e a XP aponta IFIX descolado dos demais ativos

Setembro trouxe, no exterior, inflação sob pressão e juros altos nas duas extremidades da curva. O Brasil seguiu outra trajetória: o Copom cortou a Selic em 0,25 p.p., para 13,75% ao ano, ainda que o ambiente externo incerto tenha se juntado ao calendário eleitoral.

A XP sustenta que o IFIX destoou dos demais ativos domésticos, que ganharam com o recuo da curva de juros brasileira.

A casa reconhece que episódios pontuais de crédito e revisões para baixo em proventos de fundos específicos podem ter alimentado a aversão a risco do setor, mas avalia que esses casos não representam o conjunto da indústria.

O que a quinta queda do IFIX muda para quem tem FII na carteira

Com o índice acumulando cinco meses de perda, o olhar de quem investe em FIIs tende a migrar do preço da cota para a renda distribuída. Em setembro, a seleção da XP pagou 1,02% em proventos enquanto a cota cedia 0,41%. Esse fluxo de caixa, e não a oscilação diária do índice, costuma ser o que sustenta a tese de longo prazo do setor — sem garantia de repetição, já que a distribuição depende do caixa de cada fundo.

A composição da carteira ajuda a entender o comportamento esperado. Os fundos de recebíveis — que compram títulos lastreados em crédito imobiliário — respondem por 41% do portfólio e, ao lado dos FOFs (fundos que aplicam em cotas de outros FIIs), com 17,5%, deixam a seleção com viés de renda. Historicamente, essa fatia costuma reagir mais à trajetória dos juros do que ao humor de curto prazo da bolsa, o que ajuda a explicar o descolamento apontado pela XP.

Logística (21%), shoppings (16%) e lajes corporativas (4,5%) completam a lista e trazem a parcela ligada a imóveis físicos, cujo resultado depende de ocupação e de reajuste de aluguéis — variáveis que se movem num ritmo bem mais lento que o do mercado secundário de cotas.