Principais pontos

  • O volume médio diário negociado (ADTV) — indicador que mensura a liquidez e o interesse dos agentes — recuou para R$ 22,6 bilhões em julho, marcando uma queda de 24% na comparação mensal.
  • os investidores internacionais registraram uma retirada líquida de R$ 21 bilhões apenas no mês de agosto.
  • A B3SA3 é precificada em aproximadamente 12,5 vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses, um múltiplo Preço sobre Lucro (P/L) que opera com desconto em relação à média histórica de 14 vezes.

A aproximação do pleito presidencial tende a injetar volatilidade na bolsa, um catalisador histórico para os volumes da B3 (B3SA3). Contudo, o mercado financeiro enfrenta um dilema: o fôlego de curto prazo gerado pelo ciclo eleitoral esbarra na perda de tração do capital estrangeiro. Segundo o UBS-BB, a fuga de recursos internacionais impõe um limite estrutural ao crescimento da operadora, resultando em revisões para baixo nas estimativas de longo prazo, mesmo com a manutenção do preço-alvo de R$ 18,50.

A leitura de mercado indica que a recuperação imediata dos negócios não apaga o risco de um teto mais baixo para os próximos anos. O que muda para o investidor é a compreensão de que a liquidez atual da bolsa está sendo sustentada por flutuações políticas locais e não por um fluxo estrutural de formação de preços vindos do exterior. Quando o capital internacional se retira, a bolsa perde seu ancoradouro de longo prazo, tornando-se mais dependente do giro rápido do varejo e de eventos domésticos.

O efeito volatilidade versus o teto do capital internacional

O ambiente de incertezas macroeconômicas e a perda de fôlego dos fluxos externos moldaram o segundo trimestre. O volume médio diário negociado (ADTV) — indicador que mensura a liquidez e o interesse dos agentes — recuou para R$ 22,6 bilhões em julho, marcando uma queda de 24% na comparação mensal. O banco atribui parte desse comportamento às férias em praças internacionais. Todavia, o mês de agosto trouxe um alívio estatístico, com o ADTV acumulado saltando para R$ 31,2 bilhões, embalado pela maior competição política.

O corte silencioso nas projeções de longo prazo

Historicamente, os períodos eleitorais no Brasil elevam a oscilação dos ativos e, por tabela, a receita de taxas da bolsa. O UBS-BB projeta que essa inércia se mantenha, incorporando em seus modelos um ADTV de R$ 28,4 bilhões no terceiro trimestre de 2026 e de R$ 31,1 bilhões no quarto trimestre. No entanto, o relatório expõe o custo dessa dependência do varejo e da volatilidade local: os investidores internacionais registraram uma retirada líquida de R$ 21 bilhões apenas no mês de agosto. Esse êxodo contínuo forçou o banco a reduzir em 6% suas projeções de volume para 2027 e 2028. Na prática, a ausência do investidor global reduz a perenidade das receitas de taxas da operadora, limitando a expansão orgânica do negócio em um horizonte mais distante.

MétricaProjeção / Cenário
ADTV JulhoR$ 22,6 bilhões
ADTV Agosto (acumulado)R$ 31,2 bilhões
ADTV 3T 2026R$ 28,4 bilhões
ADTV 4T 2026R$ 31,1 bilhões
Revisão ADTV 2027-2028-6%
Revisão Lucro 2026-2027-1%

O múltiplo de desconto e a leitura de mercado

Apesar do corte de cerca de 1% nas estimativas de lucro para 2026 e 2027, a instituição financeira considera o ativo atrativo na margem atual, argumentando que a visibilidade de médio prazo permanece limitada, mas precificada. A B3SA3 é precificada em aproximadamente 12,5 vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses, um múltiplo Preço sobre Lucro (P/L) que opera com desconto em relação à média histórica de 14 vezes. Para os analistas, o mercado já embutiu no preço uma parcela relevante da incerteza operacional, o que sustenta a manutenção da recomendação de compra por parte do banco.