Circle mira 40 mercados em desenvolvimento com a USDC
A Circle, emissora da stablecoin USDC, pretende colocar sua moeda digital em circulação em cerca de 40 mercados em desenvolvimento. A informação é atribuída ao CEO e presidente do conselho da companhia, Jeremy Allaire, e veio a público em 17 de outubro de 2026. O anúncio coincide com uma virada de mão no setor: no volume ajustado de transações, a participação da USDC subiu de aproximadamente 40% em 2025 para mais de 60% em 2026, conforme a casa de análise Bernstein. Com esse desempenho, a moeda da Circle passa à frente da USDT, emitida pela Tether, nesse critério.
Stablecoins são ativos digitais pareados a uma moeda forte — na maioria dos casos, o dólar. Já o volume ajustado de transações é uma métrica que busca descartar giros sem correspondência em atividade econômica real, oferecendo uma leitura mais próxima do uso cotidiano dessas moedas.
O mapa da expansão
Sudeste Asiático, América Latina, África e Oriente Médio formam o bloco de praças onde a procura por stablecoins vem ganhando tração, e é nele que a Circle concentra o esforço de entrada. Allaire afirmou que a emissora busca ampliar a presença nesses mercados.
A disputa com a Tether
Medida por capitalização de mercado — o valor total das unidades em circulação —, a USDC segue na segunda colocação entre as stablecoins atreladas ao dólar, com folga atrás da USDT. A liderança da Tether, porém, não se repete quando o critério é o fluxo efetivamente transacionado.
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Mercados em desenvolvimento no radar da Circle | cerca de 40 |
| Fatia da USDC no volume ajustado (2025) | aproximadamente 40% |
| Fatia da USDC no volume ajustado (2026) | mais de 60% |
| Valor da aquisição da Tazapay | US$ 400 milhões |
| Forma de pagamento | integralmente em ações |
| Fechamento previsto da aquisição | 2027 |
Tazapay e a compra de US$ 400 milhões
Em 8 de setembro, a Circle acertou a incorporação da Tazapay, companhia de pagamentos transfronteiriços com sede em Singapura. O negócio está avaliado em US$ 400 milhões, será quitado integralmente com ações e tem conclusão esperada para 2027. A transação reforça a aposta em trilhos de pagamento entre países — segmento em que as stablecoins aparecem como alternativa de liquidação mais direta.
Stablecoins em pagamentos feitos por agentes de IA
Analistas também identificaram sinais preliminares de stablecoins sendo usadas para liquidar pagamentos disparados por agentes de inteligência artificial — programas que executam tarefas de maneira autônoma em nome de usuários e empresas. Trata-se de um uso ainda embrionário, mas que conecta dinheiro programável e automação, duas frentes que vêm concentrando atenção de investidores e reguladores.
O que os planos da Circle sinalizam para o investidor
A expansão da USDC em economias emergentes interessa ao investidor brasileiro por três frentes.
- Dolarização: stablecoins funcionam como uma conta em dólar sem intermediação bancária, o que atrai poupança em países com inflação alta e moeda instável.
- Pagamentos internacionais: a entrada da Circle nesses mercados tende a pressionar o custo de transferências e a mexer com o modelo de negócio de bancos e fintechs que cobram por esse serviço.
- Infraestrutura: a compra da Tazapay mostra que a briga do setor deixou de ser apenas por emissão de moeda e passou a incluir os trilhos por onde o dinheiro circula.
O acompanhamento desse movimento, por aqui, passa menos por um ticker específico e mais pela leitura do noticiário regulatório e pela evolução das empresas de meios de pagamento com ações negociadas na bolsa brasileira — setor sensível a qualquer mudança no custo de movimentar dinheiro entre países.
Convém separar duas corridas que avançam em ritmos distintos: a de reserva de valor, na qual a Tether mantém vantagem confortável em capitalização, e a de uso transacional, na qual a Circle ganhou terreno. A ambição de entrar em 40 mercados revela em qual delas a empresa pretende acelerar.
