Compra fechada com 72,83% e R$ 1,747 bilhão
A venda de 84.684.273 ações ordinárias da Desktop (DESK3) para a Claro NXT Telecomunicações foi concluída, conforme comunicado da companhia em 1º de outubro. A fatia representa 72,83% do capital total e das ações com direito a voto, e posiciona a compradora como nova acionista controladora.
O valor total do negócio chega a R$ 1,747 bilhão — o equivalente a R$ 20,63 por ação, com ajustes previstos na própria minuta. Na liquidação, R$ 1,619 bilhão foram desembolsados; o saldo permaneceu bloqueado em conta de garantia, destinado a compensar diferenças de dívida líquida e pedidos de indenização.
Esse tipo de retenção é recorrente em aquisições de controle: parte do preço fica travada por um período para responder por passivos que só aparecem depois do fechamento, como obrigações não contabilizadas ou contingências judiciais.
| Item da operação | Dado |
|---|---|
| Ações vendidas | 84.684.273 ordinárias |
| Fatia do capital total e votante | 72,83% |
| Preço por ação | R$ 20,63 |
| Valor total | R$ 1,747 bilhão |
| Pago no fechamento | R$ 1,619 bilhão |
| Contrato divulgado | 22 de março de 2026 |
A OPA obrigatória e o que ela ainda não define
Três movimentos foram informados pela Claro NXT. O primeiro é a OPA — sigla de oferta pública de aquisição de ações —, cujo pedido de registro será apresentado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) no prazo que a regulação determina. Esse instrumento obriga o novo controlador a estender aos demais acionistas a mesma janela de saída, seguindo as regras para alienação de controle. Em tese, todas as ordinárias em circulação entram na oferta.
Há ainda duas frentes em estudo: mexer no registro da Desktop na CVM e abandonar voluntariamente o Novo Mercado, segmento de listagem da B3 que reúne o pacote de governança mais rígido do mercado brasileiro. A companhia avisou que pode recuar de ambas e manter apenas a oferta obrigatória.
O que separa o pacote anunciado do pacote efetivamente garantido é o grau de proteção que sobra para quem segue na base acionária. A OPA de alienação de controle é compulsória; a saída do Novo Mercado, não — e a migração para segmentos com menos salvaguardas societárias historicamente tende a reduzir o grau de proteção do minoritário.
Para o mercado, o fechamento encerra a indefinição societária que se arrastava desde o anúncio do contrato, em março. Companhias com controle recém-definido costumam ganhar previsibilidade de estratégia e de alocação de capital, mas o efeito prático sobre o valor das ações só se torna mensurável quando preço e condições da OPA forem conhecidos — e a referência natural de comparação passa a ser justamente o valor pago pelo bloco de controle.
Quem estava do outro lado da mesa
A operação foi estruturada a partir do contrato de compra e venda divulgado em 22 de março de 2026. Do lado vendedor, o bloco de 72,83% reuniu posições de Makalu Brasil Partners, Denio Alves Lindo, Mucio Camargo de Assis Filho, Marcos Camargo de Assis e José Carlos Franco Júnior.
Conselho e diretoria renovados no mesmo dia
A troca de controle veio acompanhada de mexida imediata na administração. Em reunião do conselho, foram registradas três renúncias e nomeados novos integrantes do colegiado. Na diretoria, as saídas foram supridas com a escolha de Rodrigo Marques de Oliveira para a presidência e de Roberto Catalão Cardoso para as áreas financeira e de relações com investidores.
Os mandatos dos dois se estendem até a assembleia que votar as contas do exercício encerrado em 31 de dezembro de 2026. Uma assembleia geral extraordinária ainda será convocada para tratar da quitação devida a antigos administradores, de eventuais destituições e da escolha ou ratificação do conselho.
O que fica na agenda de quem acompanha a DESK3
- O registro da OPA na CVM, dentro do prazo regulamentar que a companhia não detalhou.
- A decisão sobre o registro na CVM e a permanência no Novo Mercado, hoje apenas sinalizadas como intenção.
- A assembleia geral extraordinária com a pauta de quitação, destituições e novo conselho.
- A assembleia de aprovação das contas de 2026, que encerra o mandato da diretoria recém-eleita.