A Copasa (CSMG3) confirmou ao mercado ter recebido da Gerais Saneamento S.A., veículo ligado à Equatorial, o aviso de rescisão antecipada do pacto de acionistas que havia sido assinado em 11 de junho de 2026 com o Estado de Minas Gerais. O gatilho foi o cumprimento dos requisitos da cláusula 7.2 do contrato, e o encerramento passou a valer de imediato, retirando validade de todo o conteúdo do acordo, com exceção dos itens que o próprio documento preserva.

O dado que realmente interessa a quem acompanha o ativo não é o fim do contrato em si, mas o que passou a ocupar o seu lugar: a golden share estadual, agora ancorada no estatuto social da companhia. É essa peça que definirá como o Estado de Minas Gerais se posiciona dentro da empresa daqui para frente.

Golden share assume o eixo da governança

Golden share é uma ação de classe especial que garante ao detentor poder de decisão ou veto sobre temas sensíveis, mesmo sem a maioria do capital. Na véspera do anúncio, uma Assembleia Geral Extraordinária aprovou alterações no estatuto social da Copasa justamente para concentrar nesse instrumento a prerrogativa de indicar, em votação separada, um assento no conselho de administração e outro no conselho fiscal. O estatuto também passou a disciplinar como essas prerrogativas poderiam ser modificadas no futuro.

Na prática, o Estado deixa de depender de um pacto privado com outro acionista para assegurar presença nos órgãos de fiscalização e controle. O arranjo migra para o documento que rege a própria companhia, o que tende a dar mais previsibilidade a uma estrutura que passou a operar sob a condição de sociedade privada após o processo de desestatização.

O que o fim do acordo não alterou

A empresa fez questão de delimitar o alcance da rescisão. Conforme o comunicado, nada muda no estatuto que acaba de ser aprovado. Também seguem de pé os compromissos que o investidor firmou em documentos ligados à oferta secundária feita dentro do processo de desestatização.

A distinção importa. O pacto de acionistas organizava a convivência entre os sócios; os documentos da oferta tratam de obrigações assumidas pelo investidor na operação. Encerrar o primeiro não significa reabrir o segundo.

A Equatorial, por sua vez, descartou qualquer intenção de deixar a companhia ou reduzir sua fatia na Copasa. A recusa foi comunicada na esteira da assembleia que discutiu a golden share e do pedido de rescisão antecipada apresentado em junho. Para quem tem exposição ao papel, o recado até aqui é que a reorganização societária não vem acompanhada de sinal de saída do acionista privado.

Conselho de administração com nove nomes

A mesma AGE, realizada em 28 de setembro, definiu os nove nomes que passam a ocupar o conselho de administração. O mandato de todos é unificado e se estende até a assembleia ordinária que vai analisar o balanço do exercício que termina em 31 de dezembro de 2027.

ConselheiroCondição
Tinn Freire AmadoEfetivo
Leonardo da Silva Lucas Tavares de LimaEfetivo
Bruno Magalhães e SilvaEfetivo e independente
Denis JungermanEfetivo e independente
Felipe Dutra CançadoEfetivo
Gustavo de Andrade MirandaEfetivo e independente
Gustavo de Oliveira BarbosaEfetivo
José Formoso MartinezEfetivo e independente
Ralph Gustavo RosenbergEfetivo e independente

Com a nova formação, saíram do colegiado Carlos Alexandre Jorge daCosta, José Alvim Pereira, Márcia Fragoso Soares, Marília Carvalho de Melo e Roberto Corrêa Barbuti. Das nove cadeiras, cinco ficaram com conselheiros independentes — proporção que ajuda a medir o grau de renovação trazido pela assembleia.

Diretoria com mandato até setembro de 2028

O conselho recém-eleito também bateu o martelo sobre a diretoria executiva, cujo mandato vai até 28 de setembro de 2028.

CargoDiretor
Diretor-presidenteAugusto Dantas Borges
Diretor de operações e interino de engenhariaHerbert Arnaud Dantas
Diretora de relações institucionais e sustentabilidadeMarília Carvalho de Melo
Diretor financeiro e de relações com investidoresAdriano Rudek de Moura
Diretor comercialCleyson Jacomini de Sousa

Um detalhe chama atenção na montagem. Marília Carvalho de Melo deixa o conselho de administração, mas permanece na estrutura executiva, agora à frente das áreas institucional e de sustentabilidade. A troca de cadeira preserva parte da experiência da gestão anterior em um momento de reorganização.

O que muda para quem acompanha o papel

Para o investidor, a Copasa atravessa uma recomposição de governança em duas frentes ao mesmo tempo. De um lado, termina um pacto que organizava a relação entre acionistas. De outro, toma posse um conselho com nove integrantes e uma diretoria com mandatos que avançam por vários exercícios.

Estruturas de controle mais formalizadas tendem a reduzir a incerteza sobre quem decide o quê dentro da empresa, mas o desenho também concentra na golden share estadual um poder relevante sobre assentos específicos do conselho e do fiscal.

Fica no radar como o Estado exercerá essa prerrogativa nas próximas assembleias, se a proporção de conselheiros independentes será mantida e se a Equatorial seguirá com a mesma postura em relação à sua participação. Qualquer movimento diferente nesses pontos mudaria a leitura sobre a base acionista da CSMG3.