O placar do Comitê de Política Monetária (Copom) virou na sessão desta segunda-feira (5), a primeira depois do primeiro turno da corrida presidencial. Em dezembro, a probabilidade de um corte de 0,50 ponto percentual da Selic passou de 18% para 45%, segundo o mercado de opções digitais, que reúne contratos binários atrelados ao desfecho da reunião. As chances ficaram praticamente divididas para o último encontro do ano.

O placar que separa novembro de dezembro

Os contratos ligados ao encontro de 5 de novembro mostram um cenário bem mais definido do que os de dezembro. A comparação com as leituras anteriores:

ReuniãoCenárioLeitura anteriorApós o 1º turno
5 de novembrocorte de 0,25 ponto62,8%77%
5 de novembrocorte de 0,50 ponto7%12%
5 de novembromanutenção em 13,75%27%5%
dezembrocorte de 0,50 ponto18%45%

Novembro aparece como a reunião mais provável de entregar 0,25 ponto de alívio, com 77% das apostas. Dezembro, por sua vez, perdeu o favoritismo claro: quem aposta em passo maior responde por quase metade das posições, contra menos de um quinto antes da votação.

Risco-país cede para 113 pontos-base

O CDS de cinco anos do Brasil, contrato que funciona como uma apólice de seguro contra um calote na dívida soberana e serve de termômetro para o risco-país, caiu 20 pontos-base frente ao fechamento anterior e chegou a 113 pontos-base, segundo a S&P Global Market Intelligence. O recuo do indicador acompanhou o rali das taxas futuras ao longo do pregão.

Urnas: 47,03% e 45,16%, com decisão em 25 de outubro

Flávio Bolsonaro (PL) fechou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), conforme o Tribunal Superior Eleitoral, com 99,99% das urnas apuradas. Os dois voltam a se enfrentar em 25 de outubro.

Curva futura aponta 12,50% no fim de 2027

As taxas da curva futura sinalizam uma Selic de 12,50% ao término de 2027, patamar acima da mediana de 12% do Boletim Focus divulgado naquela manhã. Os vencimentos longos lideraram o recuo das taxas. A explicação mais provável está do lado fiscal: o prêmio de risco embutido nos títulos de prazo maior reagiu ao cenário eleitoral, enquanto as apostas sobre os próximos passos do Banco Central se moveram pouco.

UBS passa a trabalhar com ajuste fiscal mais profundo

O braço global de gestão de fortunas do UBS adotou como cenário-base um processo que a casa descreve como ajuste fiscal mais profundo e duradouro. A troca de governo, agora vista como mais provável, somada à nova formação do Congresso, amplia a chance de o país conquistar uma âncora fiscal que o mercado aceite — com limite de gastos que vincule o Orçamento, enxugamento das despesas obrigatórias, mudanças nas regras de indexação e uma trajetória de superávit primário considerada confiável.

Nessa hipótese, a instituição projeta alívio nos juros reais e nos nominais, com a parte intermediária da curva à frente do movimento. O banco ressalva, porém, que o Banco Central tende a manter o passo cauteloso: enquanto as expectativas apontarem para cima da meta de 3%, o ajuste tende a ser gradual.

O que observar até 5 de novembro

O calendário concentra dois eventos: a votação do segundo turno, em 25 de outubro, e a reunião do Copom, em 5 de novembro. Na avaliação do UBS, o que pode desmontar o cenário-base é uma virada relevante na preferência do eleitorado antes da votação final.

Para quem acompanha renda fixa, uma precificação mais rápida de cortes tende a aparecer primeiro na marcação a mercado — o ajuste diário do preço dos títulos conforme as taxas negociadas — dos vencimentos longos, os mais sensíveis a mudanças no prêmio fiscal. O trecho curto da curva, que depende mais dos próximos passos do Banco Central, segue ancorado em outro conjunto de expectativas.