Principais pontos
- O movimento reflete um ajuste fino nas expectativas de margem, mas não altera a tese de valor para a líder de fibra curta.
- A projeção para o preço da celulose em 2027 foi reduzida para US$ 550 por tonelada, recuando dos US$ 570 previstos no ciclo anterior.
- O destaque recai sobre o rendimento de fluxo de caixa livre, estimado em cerca de 12,7%, o que sinaliza forte capacidade de remuneração ao acionista.
O ajuste nas projeções de valuation e preço-alvo
A equipe de equities do Itaú BBA, liderada por Daniel Sasson, Marcelo Furlan Palhares e João Paulo Helito, recalibrou suas projeções para o setor de papel e celulose, promovendo reduções nas metas de preço para o biênio 2027. A Suzano (SUZB3) continua apontada como a principal escolha da casa para a América Latina, mantendo a recomendação de compra, mas teve seu preço-alvo rebaixado para R$ 58, partindo dos R$ 64 estimados anteriormente. Paralelamente, a Klabin (KLBN11) teve a recomendação de manutenção preservada, com o alvo decrescendo para R$ 21, ante os R$ 23 prévios.
O movimento reflete um ajuste fino nas expectativas de margem, mas não altera a tese de valor para a líder de fibra curta. Segundo a instituição, o novo patamar da Suzano implica um potencial de retorno total de aproximadamente 28%, suportado por uma geração de caixa robusta.
Para calibrar esses números, os analistas revisaram para baixo a expectativa de cotação da commodity no futuro. A projeção para o preço da celulose em 2027 foi reduzida para US$ 550 por tonelada, recuando dos US$ 570 previstos no ciclo anterior.
A tensão entre o piso recente e a oferta futura
O relatório detalha um mercado dividido entre a realidade imediata e o horizonte estrutural. No curto prazo, há otimismo em relação à celulose BHKP (celulose branqueada de fibra curta, ou bleached hardwood kraft pulp, a principal commodity da Suzano). Os preços dessa modalidade aparentemente encontraram um piso na região de US$ 560 por tonelada, com sinais de recuperação nos próximos meses. Historicamente, ciclos de commodities tendem a apresentar respirações após testes de suporte, o que pode aliviar as margens das produtoras no presente.
Contudo, o horizonte entre 2027 e 2030 exige cautela redobrada. A expectativa é de um aumento expressivo na oferta global de celulose, impulsionado por novos projetos na China, Indonésia e na própria América Latina. Esse movimento de expansão de capacidade produtiva ocorre em um ambiente onde a demanda internacional permanece em ritmo mais contido. Quando a oferta cresce mais rápido que o consumo, a precificação da commodity tende a sofrer pressão, um cenário que o mercado já começa a descontar nas avaliações atuais.
| Ativo / Métrica | Ticker | Recomendação | Preço-Alvo / Meta (2027) | Potencial / Projeção | Múltiplo EV/Ebitda (2027) |
|---|---|---|---|---|---|
| Suzano | SUZB3 | Compra | R$ 58 | 28% | 5,4x |
| Klabin | KLBN11 | Manutenção | R$ 21 | 17% | 7,1x |
| Celulose BHKP | - | - | US$ 550/t | - | - |
Fluxo de caixa e diversificação como catalisadores
Apesar do corte na commodity e nas metas, a leitura do banco aponta que a assimetria de valuation da Suzano segue atrativa. A empresa é projetada para negociar a 5,4 vezes o EV/Ebitda (múltiplo que compara o valor da firma, ou Enterprise Value, à sua geração de caixa operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização) em 2027. Para o investidor, múltiplos menores em empresas líderes costumam indicar que o ativo está sendo precificado com um prêmio de risco maior, exigindo que a companhia entregue execução impecável.
O destaque recai sobre o rendimento de fluxo de caixa livre, estimado em cerca de 12,7%, o que sinaliza forte capacidade de remuneração ao acionista.
Do outro lado do espectro, a Klabin é precificada a 7,1 vezes o EV/Ebitda. O banco pondera que, embora o potencial de alta seja menor (cerca de 17%), a companhia apresenta um perfil de negócios mais flexível. A diversificação entre embalagens e celulose tende a oferecer maior resiliência em ciclos de queda da commodity pura, protegendo o caixa corporativo contra a volatilidade exclusiva do mercado de fibra.
