CSN e CMIN3 entre as maiores quedas do Ibovespa
Na sessão desta terça-feira (29), a CSN Mineração (CMIN3) e a CSN (CSNA3) ocupavam o topo das perdas do Ibovespa. Perto de 11h27, no horário de Brasília, a ação da mineradora recuava 3,56%, cotada a R$ 4,87, enquanto a holding tombava 10,02%, a R$ 5,39. O anúncio caiu em uma sessão que já marcava nova mínima para o minério de ferro. Esse pano de fundo explica por que o mercado tratou os dois papéis com tanta severidade.
O que a CSN Mineração anunciou
A empresa decidiu interromper temporariamente a extração de minério de baixo teor no Complexo Pires, em Ouro Preto, onde opera uma unidade de beneficiamento a seco. A justificativa são condições de mercado mais duras e o peso dos fretes elevados. A mineradora sinalizou que pode desfazer a medida assim que o cenário permitir margens mais robustas nesse tipo de produto.
Os números por trás da revisão
A mexida na operação veio acompanhada de ajuste nas projeções para 2026. A faixa que reúne produção própria e compra de minério de terceiros recuou de 45 a 47 milhões de toneladas para 39 a 41 milhões de toneladas. Na mesma direção, o custo caixa C1 — que mede o gasto por tonelada produzida, sem contar frete e royalties — subiu de US$ 22,00 a 23,50/tonelada para US$ 25,00 a 26,00/tonelada.
| Métrica (2026) | Faixa anterior | Faixa revisada |
|---|---|---|
| Produção e compra de terceiros | 45 a 47 Mt | 39 a 41 Mt |
| Custo caixa C1 | US$ 22,00 a 23,50/t | US$ 25,00 a 26,00/t |
O que o ponto médio revela
Tomando o centro das novas faixas, a produção do segundo semestre de 2026 ficaria 20% abaixo da registrada no mesmo intervalo de 2025, e o custo caixa C1 subiria 24%. Para o Bradesco BBI, essa combinação leva a um corte de aproximadamente 20% nas estimativas de EBITDA de 2026.
A avaliação do Bradesco BBI
O banco avalia que o movimento já era esperado pela casa. Nas contas da instituição, a mistura de frete caro com minério desvalorizado segue minando a viabilidade de exportar, o que tende a levar mineradoras de menor porte no Brasil a reduzir oferta.
O que muda para quem acompanha o setor
Para o investidor com exposição a mineração e siderurgia, o episódio reacende uma equação que tende a voltar toda vez que o frete encarece: o custo de escoar minério de baixo teor a partir do Brasil. Quando a logística pesa e o preço da commodity cede, as operações menos nobres perdem margem primeiro — e a resposta usual da indústria costuma ser enxugar a oferta, caminho escolhido pela CSN Mineração.
Um segundo ponto visível na sessão é a assimetria entre os dois papéis. A queda de CSNA3 é mais que o dobro da registrada por CMIN3, leitura que aponta para maior sensibilidade da holding ao encolhimento da geração de caixa da mineradora. Reduzir produção tende a diminuir o volume disponível para embarque; em momentos de excesso de oferta, esse tipo de movimento costuma ajudar a sustentar preços, mas pesa no resultado de curto prazo.
O que fica para o investidor é o mapa de trade-offs. De um lado, um custo unitário mais alto comprime margem com o preço da commodity deprimido. De outro, menos minério de baixo teor chegando ao mercado tende a aliviar a pressão baixista sobre a cotação — vetores que puxam o resultado da companhia em direções opostas ao longo de 2026 e que explicam boa parte da volatilidade vista nesta terça-feira.
