A CSN (CSNA3) acertou a venda de sua unidade alemã de aços longos, a Stahlwerk Thüringen GmbH (SWT), por € 550 milhões — valor ainda sujeito a ajustes. A operação faz parte do programa de desinvestimentos com que a companhia busca reduzir o endividamento.
O balanço fechado do segundo trimestre dá a escala do desafio: a dívida líquida somava perto de R$ 42 bilhões, e a alavancagem — relação entre dívida líquida e Ebitda, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização — alcançava 3,49 vezes, o maior patamar em cinco anos.
O que os € 550 milhões pesam diante de R$ 42 bilhões
Uma cifra em euros não reordena sozinha um passivo bilionário em reais. O valor atribuído à SWT equivale a uma fração da dívida líquida acumulada, o que ajuda a entender por que a companhia trata o negócio como mais uma etapa, e não como o desfecho do processo.
O efeito final sobre a alavancagem, aliás, só ficará claro quando os documentos definitivos estiverem assinados e as condições precedentes — etapas que precisam ser cumpridas antes da conclusão — forem atendidas. Pelo que foi divulgado, as partes têm até 10 semanas de exclusividade para negociar esses documentos. A reserva de negociação é praxe em transações desse porte e sinaliza que as conversas avançaram, ainda que não assegure a conclusão nos termos anunciados.
| Indicador | Situação reportada |
|---|---|
| Valor da transação | € 550 milhões, sujeito a ajustes |
| Dívida líquida (2º trimestre) | aproximadamente R$ 42 bilhões |
| Alavancagem (dívida líquida/Ebitda) | 3,49 vezes, maior em cinco anos |
| Exclusividade para documentos definitivos | até 10 semanas |
| Capacidade instalada da SWT | 1,1 milhão de toneladas por ano |
| Aquisição da usina pela CSN | 2012 |
A usina alemã que a CSN comprou em 2012
Instalada em Unterwellenborn, a SWT tem capacidade para produzir 1,1 milhão de toneladas de aço por ano, em linhas de aços longos — categoria destinada sobretudo à construção civil e à infraestrutura. A planta entrou no portfólio da CSN em 2012, como parte de uma aposta em diversificação geográfica e em maior presença nesse segmento.
A compradora na negociação é a Megasa, grupo industrial espanhol com atuação na siderurgia europeia e operações industriais na Espanha, em Portugal e na França.
Desinvestimento: a agenda que a companhia declarou
No comunicado sobre a operação, a CSN enquadrou a venda como mais uma etapa relevante de um programa de desinvestimentos conduzido ao longo do ano. O objetivo declarado é equacionar em definitivo sua estrutura de capital e diminuir a alavancagem financeira.
A movimentação não é isolada. Há meses o mercado especula sobre quais ativos a companhia colocaria à venda para atacar o endividamento — especulação alimentada justamente pelo patamar de alavancagem, que segue entre os principais focos de atenção de quem investe no papel.
Governança e execução também entram na conta
Nos últimos anos, o endividamento elevado se firmou como um dos pontos mais sensíveis da tese da CSN, em um ambiente de juros altos e de menor dinamismo no mercado global de aço. A saída do executivo Benjamin Steinbruch, ex-Vale, trouxe à tona questionamentos sobre os rumos da companhia e sobre a execução de sua estratégia, recolocando a governança corporativa entre as preocupações de quem acompanha a empresa.
O que observar daqui para frente
O calendário do negócio depende da janela de até 10 semanas de exclusividade e do cumprimento das condições precedentes. Para quem tem exposição à CSNA3, os pontos de acompanhamento são o desenho final dos documentos definitivos, o valor que restar depois dos ajustes e o encaixe da operação no restante do programa de vendas. O desfecho também serve de teste para a capacidade de execução desse plano nos próximos meses.
A redução da alavancagem é o objetivo declarado pela companhia. O indicador de 3,49 vezes — medido no fim do segundo trimestre — seguirá funcionando como termômetro da eficácia do plano, à medida que as etapas do desinvestimento forem concluídas.
