A quatro dias do segundo turno, o Ibovespa encerrou a quarta-feira (21) aos 206.495,23 pontos, recuo de 0,86% — cerca de 1,8 mil pontos devolvidos —, e o dólar à vista terminou em R$ 5,0279, alta de 0,18%. A quinta (22) repete a lógica: incerteza eleitoral dentro de casa, petróleo em disparada fora e a principal pesquisa do dia marcada para depois do sino.

Datafolha às 19h: o mercado se posiciona antes de saber o número

O levantamento de intenção de votos do Datafolha tem divulgação prevista para depois das 19h, com a bolsa já fechada. É o dado mais relevante da sessão e, ao mesmo tempo, o único que o investidor não terá em mãos enquanto o pregão estiver aberto. A sessão, portanto, é de antecipação: o índice se move com expectativa, com a pesquisa divulgada na véspera e com os indicadores que saem ao longo do dia.

Antes disso, às 9h, sai o levantamento Indexa/Broadcast, com poder de mexer com os primeiros negócios. O referencial mais recente é o da Quaest, de quarta (21): o levantamento aumentou as dúvidas sobre uma eventual vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL), ao apontar rejeição maior ao filho do ex-presidente e rejeição menor ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Esse par de movimentos tende a ser lido por operadores como sinal de disputa mais aberta, e disputa aberta historicamente costuma vir acompanhada de prêmio de risco maior em ativos domésticos.

Na prática, a reação ao Datafolha não deve aparecer no fechamento de quinta, e sim na abertura de sexta, quando o mercado já tiver digerido o número. Quem carrega posição durante a noite fica exposto a esse intervalo — e o mesmo vale para o balanço bancário que sai depois do sino.

Brent a US$ 112,24 leva o risco externo para dentro do pregão

O petróleo voltou a subir depois de novos ataques a embarcações no Estreito de Ormuz. O Brent, referência internacional de preços, avançava 3,14%, a US$ 112,24 o barril, e o WTI, 2,46%, a US$ 99,54. É o vetor que o mercado brasileiro não controla e que chega antes de qualquer pesquisa eleitoral.

O quadro externo é de aversão a risco generalizada: Tóquio caiu 2,40%, Hong Kong 3,03% e Xangai 1,48%; na Europa, Frankfurt recuava 1,07% e Paris, 1,42%, com Londres em -0,50%. Nos Estados Unidos, os futuros apontavam Nasdaq -1,86%, S&P 500 -1,11% e Dow Jones -0,70%. O EWZ, fundo negociado em Nova York que replica o desempenho do mercado brasileiro, caía 0,82%, a US$ 42,16 — sinal prévio de abertura mais fraca por aqui.

Com o Brent acima de US$ 112, o custo de energia volta ao centro do debate e a curva de juros doméstica tende a sentir — não por causa da pesquisa, mas pela via da inflação. É essa combinação que dá peso à reunião do CMN no fim do dia.

Cripto e ouro completam o retrato: Bitcoin caía 1,5%, a US$ 81.706,80, Ethereum recuava 1,9%, a US$ 2.397,52, e o ouro perdia 1,22%, a US$ 4.099,40 a onça-troy — movimento que sugere liquidação de posições, não busca por proteção.

CMN às 18h e o balanço do Bradesco depois do fechamento

Às 18h, o Conselho Monetário Nacional se reúne a portas fechadas, sem atendimento à imprensa. Participam por meio eletrônico Dario Durigan e Gabriel Galípolo, que faz despachos internos em São Paulo pela manhã; Durigan também concede entrevista on-line às 15h30. O encontro cai na mesma janela em que o mercado aguarda a pesquisa.

Já o Bradesco divulga os resultados do terceiro trimestre (3T26) após o fechamento dos mercados. Somado ao Datafolha, isso significa que a quinta termina sem que o investidor tenha preço para nenhum dos dois principais eventos domésticos do dia.

Bolsa, dólar e petróleo: os números que abrem o pregão

Ativo ou índiceÚltimo valorVariação
Ibovespa (21/10)206.495,23 pts-0,86%
Dólar à vistaR$ 5,0279+0,18%
EWZ (Nova York)US$ 42,16-0,82%
BrentUS$ 112,24/barril+3,14%
WTIUS$ 99,54/barril+2,46%
OuroUS$ 4.099,40/onça-troy-1,22%
BitcoinUS$ 81.706,80-1,5%
EthereumUS$ 2.397,52-1,9%
Nasdaq (futuro)—-1,86%
S&P 500 (futuro)—-1,11%
Dow Jones (futuro)—-0,70%

Os horários que podem mexer com o preço, de 9h a 21h30

  • 9h — pesquisa Indexa/Broadcast
  • 9h30 — pedidos semanais de auxílio-desemprego nos EUA (iniciais e contínuos)
  • 15h30 — entrevista on-line de Dario Durigan
  • 18h — reunião do Conselho Monetário Nacional
  • 19h — pesquisa Datafolha
  • após o fechamento — balanço do Bradesco (3T26)
  • 20h30 — CPI e núcleo do Japão
  • 21h30 — PMIs preliminares do Japão (indústria, serviços e composto)

O pregão de quinta tem duas metades bem definidas. Na primeira, o mercado negocia o petróleo, os futuros de Nova York e a expectativa em torno da pesquisa; na segunda, acumula eventos sem preço correspondente até a abertura de sexta. Para quem acompanha a bolsa brasileira, o dia serve mais para medir o quanto de incerteza eleitoral já está embutido no índice do que para reagir a fatos novos.