O BTG Pactual incluiu uma dívida vinculada à Prio (PRIO3) na seleção de títulos incentivados de renda fixa que montou para outubro. O papel é o PEJA23, debênture emitida pela Petro Rio Jaguar com garantia da Prio, indexada ao IPCA e com vencimento em 15 de abril de 2034. Os juros são pagos a cada seis meses, sempre em abril e outubro, conforme o relatório do banco divulgado em 6 de outubro.

Papéis incentivados são dívidas ligadas a projetos de infraestrutura que contam com isenção de Imposto de Renda para a pessoa física — formato que tende a atrair quem procura renda recorrente. A carteira é voltada ao público qualificado pessoa física e leva em conta três critérios: o risco de crédito de cada emissor, as condições de negociação e a remuneração de cada papel.

Debênture sem comprar a ação: o risco que muda

Quem adquire uma debênture não vira sócio, e sim credor da companhia. O retorno obedece ao que foi definido na emissão, em vez de depender de dividendos ou da valorização do papel na bolsa. Esse caminho dá ao investidor pessoa física exposição à dívida de setores presentes na lista — energia, transporte, celulose e agronegócio — sem carregar a oscilação diária das ações. A natureza do risco, porém, é outra: sai a volatilidade de preço, entra a capacidade de pagamento do emissor.

O que o banco vê na Prio e onde enxerga risco

Escala de produção, custos de extração baixos, geração de caixa e diversificação de campos sustentam a tese em torno da Prio, de acordo com o documento. A diversificação ganhou corpo com a compra de participações em Peregrino. O relatório cita ainda um prêmio de crédito — a remuneração adicional que o papel oferece na comparação com títulos de rating equivalente negociados no mercado secundário. Entre os pontos de atenção, aparecem a sensibilidade ao preço do petróleo, questões regulatórias e um crescimento apoiado em aquisições. O banco classifica a estratégia como moderada.

Rede D'Or sai da lista porque a demanda secou o estoque

A segunda mudança do mês é uma exclusão: um CRI ligado à Rede D'Or deixou a seleção. A razão é a procura elevada, que encolheu o volume do papel disponível para negociação. O episódio lembra que carteiras recomendadas não dependem apenas da qualidade do emissor — a oferta existente no mercado também pesa na montagem da lista.

A lista completa, separada por indexador

EmissorTítuloIndexadorVencimento
Autopista Litoral SulPLSB1AIPCAoutubro de 2031
Prio (Petro Rio Jaguar)PEJA23IPCAabril de 2034
EldoradoELDC15IPCAoutubro de 2035
EldoradoCRA0250080YIPCAsetembro de 2040
Equatorial GoiásCGOSA2IPCAjaneiro de 2038
MetrôRioMGPRA0IPCAmarço de 2042
RialmaRALM11IPCAdezembro de 2048
3TentosCRA025008N8CDIoutubro de 2030
SLC AgrícolaCRA025007PTCDIsetembro de 2033
Elektro Redes (Neoenergia)EKTRB8Prefixadomarço de 2033

O que sustenta cada escolha de crédito

Na Autopista Litoral Sul, o banco ressalta a capacidade de gerar caixa e o alívio nos investimentos depois que as obras principais ficaram prontas. Para Equatorial Goiás e Elektro Redes — esta última com a debênture EKTRB8, prefixada e com vencimento em março de 2033 —, o apoio vem das garantias das holdings e do suporte dos grupos controladores. No agronegócio, a 3Tentos entra com receitas diversificadas e um histórico de alavancagem contida, enquanto a SLC Agrícola se destaca pela produtividade acima da média nas suas culturas principais. A oscilação dos preços das commodities figura entre os riscos apontados.

Concentração: a ressalva que acompanha a carteira

Cada papel da relação é uma alternativa isolada, e não uma peça obrigatória de um pacote. A orientação registrada no material é evitar que uma parte grande do patrimônio fique dependente de um único emissor ou de um só setor da economia. O alerta ganha peso diante dos prazos envolvidos, que se estendem de 2030 a 2048.