Sete áreas vendidas e R$ 530,4 milhões em bônus de assinatura

Seis empresas ficaram com sete das 13 áreas ofertadas na quarta edição da Oferta Permanente de Partilha (OPP) do pré-sal, em leilão realizado nesta quarta-feira, 7, sob condução da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). A arrecadação em bônus de assinatura — quantia paga à União apenas para firmar o contrato de exploração — alcançou R$ 530,4 milhões, e o piso de investimentos previstos nas áreas vendidas é de R$ 778 milhões.

Ágio e competição caminharam em direções opostas. O ágio máximo do dia, indicador que mede o quanto a proposta superou o valor mínimo do edital, chegou a 494,64%, mas não houve competição por nenhuma das áreas vendidas. Quatro empresas estrangeiras participaram do certame.

Rodocrosita lidera os ágios e Campos concentra as compras

BlocoBaciaArrematanteÁgio
RodocrositaSantosConsórcio Equinor/Galp494,64%
HematitaCamposPrio315,03%
AzuritaCamposPetrobras139,81%
MagnetitaCamposPrio132,79%
RubiSantosEquinor91,72%
JadeSantosCNOOC/Sinopec65,76%
Cruzeiro do SulSantosPetrobras8,07%

A Prio ficou com dois blocos em Campos, e a Petrobras (PETR3;PETR4) também levou duas áreas: Azurita, com ágio de 139,81%, e Cruzeiro do Sul, onde o excedente em óleo ofertado foi de 15,27% — a fatia da produção que cabe à União no regime de partilha —, com ágio de 8,07%.

O consórcio formado por CNOOC e Sinopec arrematou Jade, em Santos. A Equinor ficou sozinha com Rubi e, ao lado da Galp, levou Rodocrosita, única área a superar a marca de 400% de ágio.

Seis blocos ficaram sem nenhuma proposta

Na Bacia de Campos, ninguém se interessou por Turmalina nem por Larimar. Em Santos, ficaram vazias Aragonita, Opala, Granada e Cerussita. Quase metade do catálogo oferecido saiu da rodada sem comprador, mesmo com os ágios elevados nas áreas que atraíram proposta.

Efeito no caixa é de longo prazo, e o apetite segue seletivo

A concentração das compras em poucos grupos — Petrobras, Prio, Equinor, Galp, CNOOC e Sinopec — aponta para uma agenda de investimento seletiva, na qual as companhias priorizam áreas específicas em vez de ampliar posição de forma generalizada. Rodadas de oferta permanente tendem, historicamente, a atrair menos concorrência que leilões de rodada única, e o placar desta quarta-feira é coerente com esse padrão.

Para quem tem posição em empresas do setor, o efeito prático é de prazo longo. Os R$ 778 milhões representam o piso exigido em contrato, não o desembolso final: áreas de pré-sal demandam anos de avaliação, perfuração e desenvolvimento antes de produzir e gerar receita. Novas áreas em carteira podem reforçar a base de reservas futuras sem mexer no resultado de curto prazo, enquanto a ausência de disputa pode indicar que o apetite por risco exploratório segue restrito a projetos de retorno mais previsível.