Sete papéis ficam de fora de uma sessão de ganhos amplos
O dólar recuou para R$ 5 nesta segunda-feira (5), na maior baixa diante do real em mais de oito anos, e o alívio cambial sustentou a euforia que dominou o Ibovespa. Um grupo pequeno de ações, porém, andou na direção contrária: sete papéis do índice fecharam em queda, entre eles Suzano (SUZB3), Embraer (EMBJ3), Vale (VALE3) e WEG.
A moeda em que essas empresas faturam explica o vermelho
O mau desempenho não parece ligado a problemas específicos de cada companhia, e sim à exposição cambial. Os papéis que recuaram pertencem a companhias com negócios mais correlacionados ao cenário da moeda americana — caso da receita dolarizada, aquela cujo valor acompanha a cotação do dólar e, portanto, encolhe em reais quando a moeda brasileira se fortalece.
Na leitura de Bruno Perri, sócio-fundador e economista-chefe da Forum Investimentos, a Suzano destoou da alta generalizada por ter faturamento em dólares justamente na sessão em que a divisa americana registrou seu maior recuo em mais de oito anos e encerrou cotada a R$ 5.
| Papel | Ticker | Exposição citada |
|---|---|---|
| Suzano | SUZB3 | receita em dólares |
| Embraer | EMBJ3 | negócios correlacionados ao câmbio |
| Vale | VALE3 | negócios correlacionados ao câmbio |
| WEG | — | citada entre as sete quedas |
Oferta e procura pela divisa sustentam a leitura
Marcelo Bassani, fundador da Boa Brasil Capital e economista, associa o recuo a um jogo de oferta e procura pela própria moeda. Por trás do movimento está a hipótese de mudança na chefia do Executivo, que abriria caminho para uma política fiscal mais ajustada e animaria investidores a alocar recursos no país, segundo o economista.
JPMorgan projeta reprecificação e valorização de até 11%
Segundo análise do JPMorgan, o primeiro turno das eleições presidenciais tende a destravar uma reprecificação ampla dos ativos brasileiros, com espaço estimado de valorização de até 11% para os papéis no curto prazo. A mesma análise indica continuidade da trajetória de baixa do dólar.
O que a divergência da sessão sinaliza para quem investe
O contraste da sessão é informativo: enquanto o índice celebrava o câmbio mais favorável, o mercado separava as empresas pela moeda de origem de suas receitas. Para carteiras com exposição relevante a companhias que faturam em dólar, um cenário de real persistentemente mais forte tende a comprimir a receita e a margem reportadas em reais, mesmo sem mudança no volume de negócios.
Duas variáveis concentram o que interessa observar daqui em diante. De um lado, a continuidade da queda do dólar, que o JPMorgan projeta como tendência de curto prazo. De outro, a sinalização fiscal que, na leitura de Bassani, é o que sustenta a entrada de recursos estrangeiros. Enquanto as duas caminharem na mesma direção, papéis com faturamento atrelado à moeda americana tendem a seguir na contramão do movimento do índice.
