O dólar à vista abriu esta quarta-feira (14) a R$ 5,0265, com alta de 0,12%, enquanto o Ibovespa futuro (INDFUT) avançava 0,05%, aos 206.325 pontos. O pano de fundo é de cautela: o DXY, termômetro do dólar contra uma cesta de seis moedas fortes, subiu 0,04%, aos 102.220 pontos, no maior nível em 18 meses, e o mercado americano espera o índice de preços ao consumidor (CPI) de setembro antes de abrir o pregão regular.
O dia se organiza em três pontos de decisão, e dois deles são domésticos. O primeiro é o próprio CPI americano. O segundo, a pesquisa presidencial Quaest, prevista para as 18h de Brasília, que mede a corrida entre Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O terceiro, a votação em primeiro turno, no plenário do Senado, da PEC que extingue a jornada na escala 6x1. Na leitura de Gabriel Mollo, analista da Daycoval Corretora, “O mercado brasileiro entre nesta quarta-feira em um ambiente de maior cautela, após a correção dos ativos que sucedeu o forte rali eleitoral da semana passada. No exterior, o CPI dos EUA é o principal evento do dia”
CPI dos EUA: 3,6% projetados contra 3,4% na medição anterior
Economistas consultados na pesquisa da Dow Jones estimam alta de 3,6% do índice de preços ao consumidor americano em 12 meses, acima dos 3,4% apurados na leitura anterior. O número é divulgado antes da abertura do mercado acionário dos Estados Unidos, o que faz dele o primeiro teste de apetite a risco da sessão.
Nos Treasuries, os yields — a rentabilidade implícita dos títulos do Tesouro americano — recuavam antes da divulgação, mas os vencimentos longos seguem acima de 5%. Uma inflação acima do projetado tende a reforçar o dólar no exterior, movimento que historicamente chega ao real logo nas primeiras horas de negociação.
Quaest às 18h e a PEC da escala 6x1 no plenário do Senado
As pesquisas de intenção de voto continuam entre os principais gatilhos do mercado local. A Quaest desta quarta sai por volta das 18h, horário de Brasília, e chega depois de uma semana de correção dos ativos que sucedeu o rali eleitoral descrito por Mollo.
No Senado, a proposta de emenda à Constituição que acaba com a jornada na escala 6x1 cumpre a quinta e última sessão de discussão e, na sequência, deve ser levada à votação em primeiro turno. A aprovação exige 49 votos favoráveis, e o texto precisa passar por dois turnos. Alterações na jornada de trabalho tendem a repercutir na estrutura de custo de atividades que operam em turnos, um tema sensível para quem avalia empresas com forte dependência de mão de obra.
Petróleo perto de US$ 100 e restrição ao diesel até 2027
A alta do petróleo é um dos fatores citados para o leve ganho do índice futuro brasileiro. A Agência Nacional de Energia alertou que as restrições nos mercados de diesel podem continuar até 2027, e novos ataques à Arábia Saudita ameaçam a recuperação da oferta no mercado global.
O contrato mais líquido do Brent, com vencimento em dezembro, subia 0,63%, a US$ 106,36 o barril na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres, por volta das 9h10 de Brasília. O barril segue próximo de US$ 100.
Wall Street sem direção única antes do dado
Os contratos futuros americanos operavam em direções diferentes no mesmo horário, o que reforça a leitura de espera até o CPI.
| Contrato | Nível | Variação |
|---|---|---|
| Ibovespa futuro (INDFUT) | 206.325 pts | +0,05% |
| Dólar à vista | R$ 5,0265 | +0,12% |
| DXY | 102.220 pts | +0,04% |
| Brent dezembro (ICE) | US$ 106,36 | +0,63% |
| S&P 500 futuro | 7.869 pts | +0,17% |
| Dow futuro | 52.099 pts | +0,32% |
| Nasdaq futuro | 30.759 pts | -0,11% |
Dólar com piso externo: o que muda para quem acompanha a bolsa
Com o DXY no patamar mais alto em 18 meses e os juros longos americanos acima de 5%, o dólar encontra um sustentáculo externo que costuma se traduzir em pressão adicional sobre ativos de risco de mercados emergentes. Esse é o vetor que puxa o câmbio doméstico para cima independentemente da agenda local.
Do lado brasileiro, a leitura das pesquisas eleitorais e o desfecho da votação da PEC funcionam como contrapeso. Mudanças de percepção sobre o cenário político tendem a aparecer primeiro nos contratos futuros de Ibovespa e na curva de juros, antes de se espalharem para o mercado à vista. É nesse intervalo entre o dado americano e o calendário doméstico que a sessão desta quarta deve se desenhar.
