O dólar à vista voltou a operar abaixo de R$ 5 nesta terça-feira (6), com a cotação USD/BRL em R$ 4,9770 às 15h de Brasília, recuo de 0,42% no dia segundo o Google Finance. O número, sozinho, diz pouco sobre o que vem depois: o movimento é sustentado por uma combinação de venda de dólares nas mesas institucionais, entrada de capital estrangeiro e reposicionamento de carteiras depois do primeiro turno.

Mesas institucionais vendidas e entrada de estrangeiros

Rodrigo Moliterno, responsável pela área de renda variável da Veedha Investimentos, identifica dois vetores no recuo da moeda: a oferta de dólares que predomina nas mesas institucionais e o ingresso de recursos vindos de fora do país. A avaliação, divulgada nesta terça-feira, é de que esse fluxo tem espaço para continuar enquanto os investidores ajustam posições na esteira do primeiro turno.

Leonardo Mendes, economista e consultor financeiro da Manchester Investimentos, vê o mercado brasileiro ainda em processo de reajuste de preços, mas em ritmo mais fraco do que no pregão anterior. Na leitura dele, o cenário externo colaborava com o recuo: os rendimentos dos títulos do Tesouro americano e os preços do petróleo caíam.

Onde ficam os suportes e as resistências do dólar futuro

A leitura técnica do Safra Invest para o dólar futuro aponta tendência de baixa no curto e no médio prazos. A casa distribui as referências em quatro marcas:

Referência técnicaPontos
Primeiro suporte5.000
Suporte seguinte, se o primeiro for perdido4.870
Resistência imediata5.080
Resistência seguinte5.130

Na linguagem da análise técnica, suporte é a faixa em que a demanda tende a dificultar novas quedas; resistência, a região em que a oferta costuma segurar a alta. As marcas valem para o contrato futuro, que possui vencimento e negociação próprios, e não funcionam como previsão direta da cotação do dólar comercial. A distinção pesa: o à vista está abaixo de R$ 5, e o primeiro suporte apontado para o futuro está em 5.000 pontos.

Balança comercial, Fed e o segundo turno no radar

Ariane Benedito, economista-chefe do PicPay, descreveu a sessão como um dia de consolidação, depois da reação intensa ao resultado do primeiro turno. No comentário matinal dela, dois assuntos apareciam como prioridade: os números da balança comercial brasileira e as manifestações de dirigentes do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos.

Mendes acrescenta um alerta sobre o comportamento do câmbio: movimentos expressivos como o da véspera costumam abrir espaço para oscilações. Adiante, entram na conta a composição do Congresso, a sinalização sobre o rumo fiscal e as propostas econômicas do segundo turno.

O que muda para quem tem exposição à moeda

Um dólar mais baixo tende a aliviar a pressão de custos dolarizados, caso de insumos importados, viagens internacionais e serviços contratados no exterior. Na outra ponta, reduz o valor convertido em reais de ativos e receitas atrelados à moeda americana. O efeito depende do preço de entrada de cada carteira e do horizonte de quem investe, e não é uniforme entre os portadores de exposição cambial.

Separar os dois mercados também ajuda. Quem acompanha o contrato futuro precisa olhar vencimento, ajustes e liquidez, porque as faixas técnicas não migram automaticamente para a cotação à vista. Já quem observa apenas o dólar comercial deve considerar que a sessão desta terça ainda carrega volatilidade típica de um dia seguinte a um evento político de peso.

Os próximos pregões têm três termômetros já apontados pelos analistas: a continuidade do ingresso de capital estrangeiro, os dados de comércio exterior e as sinalizações fiscais que surgirem no segundo turno.