O dólar caiu para menos de R$ 5,00 na segunda-feira (5) e recuou 4,23% no dia, no menor patamar desde maio, em um pregão de euforia em que o Ibovespa avançou quase 8%. O gatilho foi o resultado do primeiro turno da eleição presidencial: para o UBS BB, o pleito pode ter elevado a chance de que expectativas e resultados fiscais mudem de direção — leitura que ajuda a explicar o otimismo visto nos ativos brasileiros.
O valor justo de R$ 5,10 e o ponto de partida do real
Antes do primeiro turno, o modelo de avaliação cambial do UBS BB já colocava o real perto do valor justo. O cálculo cruza balança comercial, conta corrente, diferenciais de juros e risco-país — o prêmio extra que investidores exigem para carregar dívida de um governo — e apontava o dólar em R$ 5,10, contra uma cotação à vista de aproximadamente R$ 5,22 naquele momento.
Esse ponto de partida é o que separa o Brasil de outros países da América Latina que também registraram movimentos cambiais expressivos em trocas de governo, como a Colômbia. A casa relatou que já estava posicionada para o cenário, com apostas de alta em ações brasileiras e no real, montadas por meio de opções digitais de venda de dólar (USDBRL) com strike em R$ 4,50 e vencimento em nove meses.
Do fechamento de R$ 5,22 à faixa de R$ 4,50 a R$ 4,60
A aproximação dos R$ 5,00 no curtíssimo prazo não surpreendeu o UBS BB, sobretudo levando em conta o fechamento de R$ 5,22 na sexta-feira anterior. O cenário que sustenta um recuo adicional depende de duas condições: confirmação do resultado no segundo turno e preços do petróleo ainda favoráveis. Cumpridas as duas, a projeção da casa é de dólar entre R$ 4,50 e R$ 4,60 em três a seis meses.
Uma valorização além desse intervalo entra no radar do banco caso o mercado passe a atribuir probabilidade maior a uma estabilização da relação dívida/PIB brasileira.
Preferência do eleitor, Congresso e condições globais: os riscos elencados
O maior deles é eleitoral: a própria mudança de preferência do votante, já que o movimento foi disparado por um desempenho da direita acima do que as pesquisas divulgadas na reta final indicavam. No Legislativo, o banco enxerga risco de execução no calendário de reformas voltadas aos gastos obrigatórios. No front externo, um aperto relevante das condições financeiras globais tende a penalizar os ativos brasileiros sem levar em conta o ciclo político doméstico.
Equipe econômica e ambição do ajuste fiscal: o prazo mais longo
Para a casa, o acompanhamento relevante depois do pleito é a definição de quem comandará a equipe econômica do próximo presidente, assim como o grau de ambição do plano de consolidação fiscal.
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Queda do dólar na segunda-feira (5) | 4,23% |
| Cotação ao fim do pregão | abaixo de R$ 5,00 |
| Fechamento da sexta-feira anterior | R$ 5,22 |
| Valor justo estimado pelo UBS BB antes do 1º turno | R$ 5,10 |
| Projeção para três a seis meses | R$ 4,50 a R$ 4,60 |
| Ibovespa no mesmo dia | alta de quase 8% |
A valorização do real parte, assim, de um patamar próximo ao que o modelo do UBS BB calcula como justo. Isso desloca o risco da moeda de um movimento automático pós-eleição para variáveis concretas: o desfecho do segundo turno, o comportamento do petróleo, a composição da equipe econômica e o andamento das reformas de gasto no Congresso. Para quem acompanha câmbio, o intervalo de R$ 4,50 a R$ 4,60 não é um piso garantido, e sim uma projeção condicionada a esses fatores — e a leitura de que o real já opera perto do valor justo sugere espaço limitado para ganhos adicionais que não venham de melhora fiscal ou de alívio no exterior.
