O Ibovespa renovou o recorde histórico e operava em alta de 8%, aos 207 mil pontos, na segunda-feira (5), embalado pela repercussão do primeiro turno das eleições. Na contramão, as ações da Embraer (EMBJ3) recuavam 3,95% por volta das 16h10, em Brasília, cotadas a R$ 94,37, e figuravam entre as poucas baixas do pregão.
Preço e operação caminharam em sentidos opostos nesta sessão. A fabricante vinha de 66 aeronaves entregues no terceiro trimestre de 2026, o melhor desempenho da companhia para um trimestre encerrado em setembro, e viu o dólar ceder com força frente ao real — combinação que costuma pressionar quem tem a maior parte da receita atrelada à moeda americana.
Dólar na mínima de R$ 4,9540 e a conta da receita em moeda forte
No mercado à vista, a moeda americana recuou 5,03% na mínima, a R$ 4,9540. Às 14h45, a cotação estava em R$ 4,9940, baixa de 4,19% no dia. O comportamento local destoa do movimento global da divisa, que avança no exterior amparada na pressão dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, os Treasuries, papéis de dívida do governo americano usados como referência para a renda fixa global.
Exportadoras funcionam como termômetro do câmbio: dólar mais caro melhora a competitividade das vendas externas, e real valorizado faz o caminho inverso.
66 entregas no trimestre e 175 aeronaves em nove meses
A operação conta outra história. Entre julho e setembro de 2026, a Embraer entregou 66 aeronaves, volume 2% maior que o do trimestre imediatamente anterior e 6% superior ao registrado um ano antes. No acumulado dos nove primeiros meses, foram 175 unidades, ante 153 em igual intervalo de 2025 — avanço de 14%.
Em comunicado ao mercado divulgado em 2 de setembro, a companhia atribui o desempenho ao nivelamento da produção, ou seja, ao esforço para manter um ritmo mais estável de fabricação ao longo do calendário.
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Entregas no 3T26 | 66 aeronaves |
| Variação sobre o trimestre anterior | +2% |
| Variação ano contra ano | +6% |
| Entregas em nove meses de 2026 | 175 aeronaves |
| Entregas em nove meses de 2025 | 153 aeronaves |
| Variação no acumulado | +14% |
| Meta 2026 — Aviação Comercial | 80 a 85 aeronaves |
| Meta 2026 — Aviação Executiva | 160 a 170 aeronaves |
A meta que segue valendo: 80 a 85 comerciais e 160 a 170 executivas
Para o ano, a Embraer mantém a projeção de 80 a 85 entregas na Aviação Comercial e de 160 a 170 na Aviação Executiva. O intervalo é o parâmetro disponível para medir se o ritmo visto até setembro se sustenta no quarto trimestre, já que a companhia não sinalizou mudança de rota no comunicado ao mercado.
Klabin e WEG: outras exportadoras na mesma direção
A sensibilidade ao câmbio não é exclusividade da fabricante de aeronaves. Klabin (KLBN11) e WEG (WEGE3) aparecem no mesmo grupo de exportadoras que ganham competitividade com um dólar mais caro e, por isso, costumam reagir pior a sessões de real fortalecido, observa o analista Felipe Sant'Anna. Sobre a Embraer, ele acrescenta que os resultados recentes são bons, com destaque para o volume de entregas.
Eleição no radar e o que o câmbio cobra de quem acompanha o papel
O gatilho da sessão foi político. Com Flávio Bolsonaro (PL) à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na apuração do primeiro turno e a decisão empurrada para o segundo turno, parte do mercado passou a trabalhar com vitória do senador, o que impulsionou nomes cíclicos e sensíveis à trajetória dos juros. O alívio do câmbio, porém, cobrou preço justamente de quem depende da moeda americana para faturar.
A queda coloca a Embraer entre as poucas baixas de um dia de euforia generalizada, sinal de que o câmbio falou mais alto que o recorde operacional no curtíssimo prazo. Para quem acompanha a ação, o humor tende a seguir colado ao dólar, enquanto o desempenho da operação continua mensurável pelas metas de entrega de 2026 — duas variáveis que podem puxar o resultado trimestral em direções diferentes.
