Ibovespa futuro recua 0,68% sob três vetores simultâneos

O contrato futuro do Ibovespa abriu a sessão desta quinta-feira (22) em queda de 0,68%, aos 208.060 pontos por volta das 9h04. O recuo não vem de um fator isolado: a reta final da disputa presidencial, a expectativa em torno do balanço do Bradesco (BBDC4) e um ambiente externo avesso a risco, marcado pela desconfiança com a economia da inteligência artificial e pelo petróleo em disparada, formam o tripé que sustenta o mau humor dos agentes.

A reação do mercado à política segue um padrão assimétrico. Sinais interpretados como favoráveis ao senador Flávio costumam destravar apetite por risco, enquanto informações lidas como positivas para Lula tendem a produzir o efeito inverso — a lógica por trás desse comportamento é a percepção de que um eventual governo Flávio teria mais disposição para controlar as contas públicas. O detalhe que impede euforia: até o momento, nem o candidato nem seus conselheiros econômicos apresentaram medidas concretas de ajuste em caso de vitória.

45% a 44%: o empate técnico que trava decisões

A pesquisa Quaest conhecida na véspera colocou Flávio com 45% das intenções de voto e Lula com 44%. A vantagem do senador encolheu um ponto frente ao levantamento anterior e, diante da margem de erro de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, o quadro é de empate técnico a quatro dias da votação, marcada para domingo.

Uma nova edição do Datafolha com intenções de voto para presidente está prevista para as 19h desta quinta-feira. É o último grande retrato das intenções de voto antes das urnas e funciona como termômetro para o prêmio de risco que o investidor cobra dos ativos brasileiros.

Dólar a R$ 5,061 e Nasdaq futuro em baixa de 1,68%

No câmbio, o dólar futuro avançava 0,57% na B3, cotado a R$ 5,061. Em Wall Street, o Dow Jones Futuro recuava 0,60%, o S&P 500 perdia 1,00% e o Nasdaq registrava desvalorização de 1,68%.

A Meta abriu a temporada de balanços das gigantes de IA com receita de terceiro trimestre acima das expectativas, mas o alívio durou pouco: o anúncio de um plano para emitir ações sem direito a voto reacendeu a preocupação com os compromissos de capital da companhia. O episódio funciona como alerta para toda a cadeia de tecnologia — o mercado deixou de premiar apenas crescimento de receita e passou a cobrar clareza sobre quanto custa financiá-lo.

No petróleo, o Brent chegou a ser cotado a US$ 112 depois de novos ataques de militantes houthis, do Iêmen, contra a Arábia Saudita, o que ampliou o temor de escalada do conflito e de interrupções no abastecimento do Oriente Médio — mesmo com o aumento das exportações pelo Estreito de Ormuz. Reportagem do The New York Times aponta que militares dos Estados Unidos e de Israel elaboraram planos específicos para novos ataques ao Irã após as eleições de meio de mandato do próximo mês.

IndicadorMovimento
Ibovespa Futuro-0,68% (208.060 pts)
Dólar futuro (B3)+0,57% (R$ 5,061)
Dow Jones Futuro-0,60%
S&P 500-1,00%
Nasdaq-1,68%
BrentUS$ 112

Os mercados da Ásia-Pacífico fecharam no vermelho, com a desconfiança sobre a sustentabilidade do crescimento da inteligência artificial pesando sobre o sentimento. O Banco Central da Coreia do Sul manteve a taxa básica de juros estável em 3%, como esperado, após dois aumentos consecutivos.

Bradesco e minério: o que olhar nos ativos domésticos

Entre as ações brasileiras, o balanço do Bradesco (BBDC4) concentra as atenções e tende a orientar a leitura do setor bancário ao longo do dia. Do lado de commodities, as cotações do minério de ferro na China fecharam em baixa após a compradora estatal chinesa firmar um novo acordo de fornecimento com a Rio Tinto, num momento em que as margens das siderúrgicas seguem sem sinais claros de recuperação. O combo pressiona a cadeia de mineração e siderurgia listada na B3.

O que observar até o segundo turno

A agenda desta quinta-feira combina três gatilhos: o Datafolha das 19h, a repercussão do balanço do Bradesco e o comportamento do petróleo diante dos ataques no Oriente Médio. Até domingo, o pregão deve continuar refém da leitura das pesquisas — com oscilações mais fortes justamente nos papéis mais sensíveis ao humor eleitoral.

Para quem acompanha a bolsa, o ponto prático é que a combinação de empate técnico, dólar acima de R$ 5 e exterior pessimista reduz a margem de erro do pregão: notícias de mesma natureza passam a gerar reações maiores do que em períodos de cenário mais definido. A volatilidade, nesse arranjo, deixa de ser ruído e passa a ser a variável central a monitorar.