Principais pontos
- A XP mantém 71,5% da carteira conservadora em pós-fixado atrelado à Selic.
- A troca pelo LIQB11 reduz o Imposto de Renda sobre o ganho de capital de 25% para 15%.
- Os prefixados de prazo curto, com prazo médio na casa dos dois anos, foram ampliados pelas três casas.
Segundo levantamento do InfoMoney com 20 ETFs listados na B3, a Selic a 14% ao ano após o corte de 0,25 ponto percentual em agosto mantém o caixa remunerado no centro das carteiras recomendadas para setembro, com 71,5% da carteira conservadora em pós-fixado e decisão sincronizada de Federal Reserve (banco central dos Estados Unidos) e Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central do Brasil) marcada para 16 de setembro.
A leitura é que setembro funciona como espera remunerada com risco delimitado: manter liquidez diária em ETF (fundo de índice negociado em bolsa) adquirido em ordem única no home broker (plataforma eletrônica de negociação), com taxa de administração de 0,03% a 0,60% ao ano entre os fundos que informam o custo, travar parte da taxa atual em vencimentos curtos e transformar o câmbio em escolha explícita de proteção.
Espera remunerada: por que o caixa domina a alocação
A XP mantém 71,5% da carteira conservadora em pós-fixado atrelado à Selic. Pós-fixado designa a rentabilidade vinculada a um indexador diário, no caso a taxa básica. A Genial sustenta a preferência pelo calendário carregado do mês.
A liquidez remunerada funciona, na visão relatada pela Genial, como uma opção de compra sobre oportunidades futuras, com o investidor brasileiro bem pago enquanto aguarda as definições de juros.
O BTG trocou o veículo que ocupava a posição de caixa pelo LIQB11. A troca pelo LIQB11 reduz o Imposto de Renda sobre o ganho de capital de 25% para 15%. A diferença altera o retorno líquido de quem gira a reserva de liquidez para aproveitar janelas após as decisões de juros, sem mudar a função da classe na carteira.
Travar taxa curta: o consenso em prefixados de dois anos
Os prefixados de prazo curto, com prazo médio na casa dos dois anos, foram ampliados pelas três casas. Prefixado identifica o título com taxa contratada no momento da aplicação. Todas as casas ampliaram a fatia por veículos de prazo curto, com o mesmo raciocínio relatado pela fonte: garantir a taxa corrente e buscar ganho com marcação a mercado (ajuste diário do preço dos títulos ao valor praticado no mercado) caso o ciclo de cortes prossiga.
A sensibilidade a juros menor dos vencimentos curtos ajuda a entender a escolha. Os vencimentos longos seguem pressionados pelo cenário externo e pelo risco fiscal doméstico, segundo a apuração. A B3 hoje lista ETF de Tesouro Selic, de debêntures (títulos de dívida corporativa), de títulos atrelados à inflação, de prefixados, de ouro e de commodities, o que permite montar a carteira inteira sem sair da bolsa.
Inflação e crédito: mesma classe, maturidades opostas
Em inflação, a XP concentra a exposição em Tesouro IPCA+ (título público corrigido pelo IPCA, índice oficial de inflação, mais juro real) com vencimento em 2035, e o peso cresce conforme o perfil de risco. O BTG alongou a posição ao retirar o PACC11 por avaliar que capturou a maior parte do retorno da classe e incluir o PACL11, de IMA-B 5+ (índice da Anbima para títulos públicos atrelados ao IPCA com prazo superior a cinco anos).
A Genial fez o movimento contrário e retornou à classe pela ponta curta, com IMA-B 5 (índice para títulos atrelados ao IPCA com prazo de até cinco anos), por buscar proteção sem aposta direcional na ponta longa da curva, que segue influenciada pelo juro global. No crédito privado, o HGBR11, de crédito corporativo americano com grau de investimento (classificação de baixo risco de crédito) e proteção cambial integral, é recomendado por BTG e XP, enquanto a Genial posiciona o GICP11 como segunda maior posição da carteira de renda fixa.
| Função na carteira | ETFs e referências citadas | Leitura das casas em setembro |
|---|---|---|
| Caixa remunerada | LIQB11, pós-fixado Selic | Centro das carteiras, 71,5% no perfil conservador da XP |
| Crédito privado | HGBR11, GICP11 | Crédito americano com hedge integral e segunda maior posição na Genial |
| Inflação | Tesouro IPCA+ 2035, PACC11, PACL11, IMA-B 5 | XP concentra em 2035, BTG alonga para IMA-B 5+, Genial volta ao curto |
| Prefixados | Prazo médio de dois anos | Consenso das três casas em travar taxa curta |
| Bolsa local | BOVA11, DIVO11, Ibovespa e exportadoras | Exposição pequena, viés defensivo e cambial |
| Bolsa global | S&P 500 com e sem hedge, semicondutores | Proteção cambial dividida e corte de peso temático pela metade |
| Alternativos | Ouro sem variação cambial, commodities, GBTC11 | De correlação menor a paridade ouro e Bitcoin (BTC) (moeda digital) |
Bolsa pequena aqui, S&P 500 com hedge lá fora
Na Bolsa, a exposição local é pequena em todas as carteiras. O BTG divide a posição igualmente entre um fundo de Ibovespa (principal índice da B3) e um de exportadoras de commodities, movimento que descreve como proteção contra as oscilações cambiais. A Genial abriu posição em BOVA11 neste mês, para capturar uma reprecificação do Brasil caso o ciclo de cortes se confirme.
A XP faz a perna doméstica pelo DIVO11, de dividendos, que trata como instrumento defensivo, e não possui bolsa brasileira no perfil conservador. Em ações internacionais, o BTG divide a fatia em partes iguais entre dois fundos de S&P 500 (índice das 500 maiores empresas dos Estados Unidos), um com e outro sem proteção cambial, na mesma lógica aplicada à bolsa local. Hedge cambial significa a trava que busca neutralizar o efeito da variação do dólar sobre o retorno.
A XP usa um S&P 500 com hedge nos três perfis. A Genial faz a perna global por tema, com semicondutores, e cortou o peso pela metade no mês, movimento que atribui ao rebalanceamento da carteira e não a uma mudança de leitura sobre o ciclo de inteligência artificial.
Alternativos dividem as casas: ouro, commodities e paridade com Bitcoin
Onde as casas mais divergem é nos alternativos. A XP aloca em ouro sem variação cambial e em commodities, nos perfis moderado e sofisticado, pela redução de correlação (medida de como dois ativos se movem juntos) entre as classes tradicionais. A Genial estreou o GBTC11, que segue um índice de paridade de risco entre ouro e Bitcoin (BTC) com cerca de dois terços em ouro, e usa a posição também como exposição cambial.
O BTG mantém a fatia tática em alternativos zerada, ante 5% na alocação estrutural. Para o investidor pessoa física, a consequência prática de setembro está no custo de carregar proteção: pagar 0,03% a 0,60% ao ano pela conveniência do ETF, economizar 10 pontos percentuais de imposto na troca para LIQB11 e decidir de forma declarada quanto do retorno internacional pode ficar exposto ao dólar antes de 16 de setembro.
